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Erasmo Battistella vai investir US$ 800 mi em usina de HVO no Paraguai

ECB Group assinou acordo com o governo paraguaio prevendo investimento de US$ 800 milhões. Conheça os detalhes exclusivos

BiodieselBR.com 6 min de leitura

20190225 ECBGroupParaguaiBatizado de Ômega Green, o novo empreendimento deverá receber investimentos da ordem de US$ 800 milhões – cerca de R$ 3 bilhões pelo câmbio de hoje – na construção de uma usina dedicada à produção de óleo vegetal hidrotratado (HVO) e de querosene parafínico sintético (SPK). Os aportes serão feitos pelo ECB Group, holding de investimentos do empresário e que controladora de 50% do capital da BSBios.

Em entrevista exclusiva à BidieselBR.com, Erasmo Battisella detalhou:

- Quando o projeto deve ficar pronto;

- As vantagens de construir no Paraguai;

- Falou sobre a competição do HVO com o biodiesel;

- Se a Petrobras está entre os parceiros do negócio.

Conheça mais detalhes sobre o novo empreendimento no texto abaixo.

20190225 ECBGroupParaguaiO Paraguai não é bem o que se possa chamar de uma potência no mercado global de biocombustíveis, mas essa situação pode estar prestes a dar uma guinada. E isso graças a um nome dos mais conhecidos dentro do mercado brasileiro de biodiesel: Erasmo Carlos Battistella. Nessa segunda-feira (25) o empresário brasileiro esteve em Assunção onde participou de uma reunião com o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, para a assinatura de um memorando de entendimento que prevê a instalação de um complexo industrial para fabricar diesel renovável e bioquerosene de aviação no país vizinho.

Batizado de Ômega Green, o novo empreendimento deverá receber investimentos da ordem de US$ 800 milhões – cerca de R$ 3 bilhões pelo câmbio de hoje – na construção de uma usina dedicada à produção de óleo vegetal hidrotratado (HVO) e de querosene parafínico sintético (SPK). Os aportes serão feitos pelo ECB Group, holding de investimentos do empresário e controladora de 50% do capital da BSBios.

“Hoje é um dia muito importante. Concluímos os estudos de viabilidade e vamos à segunda fase, a etapa do projeto executivo”, afirma o presidente do ECB Group, Erasmo Battistella. A intenção é que essa segunda etapa dure cerca de 10 meses. Se tudo correr cmo planejado as obras começarão no início de 2020 o que permitiria que complexo oasse a operar em plena capacidade a partir de 2022. 

Capacidade

A planta poderá fabricar até 16,5 mil barris de biocombustíveis ao dia – o equivalente a 2,62 milhões de litros. Segundo comunicado distribuído à imprensa, essa deverá ser a primeira planta de porte comercial a usar essa tecnologia no Hemisfério Sul.

O volume será suficiente para atender mais de um terço do consumo paraguaio de diesel fóssil. Contudo, a ideia é que ao menos parte desse combustível seja exportado para outros países interessados em substituir derivados de petróleo por opções mais limpas. A lista de clientes potenciais inclui os Estados Unidos e a Europa. Entre substituição de importações e exportações, o ECB Group calcula que a planta agregará US$ 8 bilhões ao PIB paraguaio e gerará 2,4 mil empregos diretos e indiretos.

O plano da companhia é ter um processo de produção verde a partir de óleo de soja produzida em áreas sem passivo ambiental e extraído com solventes renováveis e óleos e gorduras reaproveitados (OGRs). O hidrogênio será obtido por meio da eletrólise da água usando energias renováveis. “Nosso objetivo é ter a produção de biocombustíveis avançados mais limpa e renovável possível, sem igual no mundo, certificada pelos mais rigorosos critérios internacionais de qualidade e sustentabilidade”, afirma Battistella.

Toda a estrutura industrial do complexo será fornecida pela Crown Iron Works, ThyssenKrupp e Honeywell UOP. A unidade será instalada na cidade de Villeta às margens do Rio Paraguai contando com logística de escoamento tanto rodoviária quanto por hidrovia.

Apesar de ser fabricado a partir óleos e gorduras como o biodiesel, o HVO é quimicamente mais parecido com o diesel de petróleo o que permite que ele seja usado em qualquer proporção por veículos diesel não modificados.

Paraguai

Em entrevista exclusiva à BiodieselBR.com, Erasmo Battistella explicou os cinco motivos que levaram ele a escolher o Paraguai para o investimento. “Primeiro porque fomos convidados pelo presidente Mario Benitez, há 8 meses para investir no país. Segundo que o Paraguai é um país que está crescendo muito e tem muitas facilidades burocráticas. Para ter uma ideia, o balanço da empresa pode ser feito em dólar. O terceiro ponto é que o imposto lá é um dos menores do mundo. O quarto ponto é que o custo da energia lá é muito baixo e para produzir o HVO é preciso muita energia. E o último ponto é a existência de matéria-prima” esclarece Battistella.

Para a produção do HVO é necessário, além do óleo de soja, hidrogênio. Para que a produção seja economicamente viável, o hidrogênio deve ser obtido pelo menor preço possível. Uma das formas de se conseguir hidrogênio é através da eletrólise da água – o uso de eletricidade para quebrar as moléculas de água. Esse processo só fica viável, segundo Battistella, em razão do baixo custo da energia do Paraguai. “O nosso custo de produção é competitivo com o mercado mundial de HVO”, esclarecer o empresário. Nesse custo está incluído levar o HVO para o mercado consumidor de navio, saindo pelo Rio Paraguai.

O hidrogênio obtido por eletrólise é chamado de hidrogênio azul, em razão da emissão de carbono quase zero. O processo mais usado para a obtenção de hidrogênio no mundo é o da reforma do gás natural que, além de hidrogênio molecular, gera gás carbônico.

Como a energia elétrica usada no Paraguai vem de fontes renováveis, o HVO produzido no Paraguai terá uma emissão de carbono muito menor que o HVO feito de hidrogênio vindo do gás natural. “Teremos um dos combustíveis mais limpos do mundo”, se orgulha Battistella.

Projeto Executivo

O anúncio nessa segunda ainda não é o da construção da indústria. “Terminamos a primeira parte. Agora será feito o projeto executivo e o projeto de engenharia. Além disso, vamos estruturar o funding” detalhou o empresário que faz mistério sobre os sócios da empreitada. Segundo Erasmo há contratos de confidencialidade envolvidos. Questionado se a Petrobras estaria entre esses sócios – a estatal é sócia da BSBios –, o empresário disse que o momento da Petrobras é outro é que a petroleira “não está convidada” para o empreendimento.

A Reuters, o empresário antecipou que deverá financiar a Ômega Green a partir de três fontes. "Uma parte será financiada, uma parte virá de recursos  próprios e a outra de parceiros, principalmente fundos de investimento que estão investindo em biocombustíveis avançados", informou.

Sobre a concorrência do HVO com o biodiesel produzido no Paraguai, Battistella diz que não há nenhuma intenção de concorrer com o biodiesel produzido no Paraguai. “Todos os países devem continuar com seus programas de biodiesel” reforça o empresário acrescentando que até o B20 deve-se usar o biodiesel, mas “dali para cima é o HVO”.

Atualização em 26 de fevereiro: Foram acrescentadas informações sobre a localização do projeto e sobre a estrutura de financiamento de deverá viabilizá-lo.

Miguel Angelo Vedana e Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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