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[Exclusivo] Camera pode vender usinas como parte de reestruturação

CameraVendeUsinas 230914A venda das usinas de biodiesel de Ijuí e de Estrela está entre as medidas que a Camera está estudando para tentar reverter a crise financeira.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
A venda das usinas de biodiesel de Ijuí e de Estrela está entre as medidas que a Camera está estudando para tentar reverter a crise financeira. A companhia, que iniciou a reestruturação de suas operações em setembro passado, entrou na semana passada com um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências da Comarca de Porto Alegre (RS).

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A venda das usinas de biodiesel de Ijuí e de Estrela está entre as medidas que a Camera está estudando para tentar reverter a crise financeira. A companhia, que iniciou a reestruturação de suas operações em setembro passado, entrou na semana passada com um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências da Comarca de Porto Alegre (RS). 

O diretor superintendente da Camera, Roberto Kist, revelou em entrevista à BiodieselBR.com que a empresa vai reduzir suas operações industriais para focar na atividade como cerealista. “Isso está dentro de um projeto de reestruturação da empresa que estamos conduzindo desde setembro do ano passado. Vamos diminuir as operações e retornar ao foco original”, conta.

Como parte dessa redução, a empresa já anunciou que ficará de fora do próximo leilão de biodiesel.

Fundada em 1971, a Camera tem longa tradição no setor cerealista comercializando produtos agrícolas no Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, contudo, ela passou a apostar mais na diversificação de seu portfólio de atividades industriais. 

O plano não é sair totalmente do setor industrial. “A gente vai voltar a ser, essencialmente, uma cerealista, mas não vamos abandonar a indústria”, garante.Kist adianta que pelo menos uma unidade de esmagamento de soja e a fábrica de rações da empresa deverá ser mantida. 

Todo o resto, no entanto, pode acabar vendido desde que a proposta seja considerava vantajosa. A empresa tem duas usinas de biodiesel: uma em construção em Estrela e outra que já se encontra em operação em Ijuí. “Já temos interessados para todas elas”, garante.

Vale ressaltar que no final de 2011, a Camera adquiriu a usina de Rosário do Sul que pertencia à antiga Brasil Ecodiesel. Contudo, em janeiro de 2013, a empresa optou por desativar a planta alegando que realocaria os ativos para o parque industrial da companhia em Estrela. Em outras palavras, ao que tudo indica, a usina de Estrela tem tudo o que precisa para ser posta para funcionar.

Não quer dizer que a Camera vá obrigatoriamente sair do biodiesel. Especialmente agora que a chegada do B7 vem acompanhada de uma queda consistente nas cotações dos óleos vegetais, o que pode dar um respiro ao mercado de biodiesel. “Falar que vamos sair é precipitado, mas pode acontecer. Por enquanto, estamos só fazendo um downsize”, diz acrescentando que o plano de reestruturação ainda não está totalmente delineado.

Crise
Kist diz que a atual crise ainda é reflexo da quebra produção da soja ocorrida na safra 2011/12 que pegou a empresa no contrapé. “Foi um ano muito duro com uma seca que afetou muito o Rio Grande do Sul e nossa região de atuação em particular”, comenta.

Se fosse só a quebra de safra, Kist garante que não teria sido tão grave. “Já passamos por isso várias vezes, temos a habilidade necessária para enfrentar um ano ruim”, comenta. O que tornou 2012 diferente de outras secas foi que isso aconteceu em paralelo a um período de muita pressão sobre os preços da oleaginosa – efeito que se prolongou por 2013. “O preço praticamente dobrou em muito pouco tempo o que aumentou a demanda sobre nosso capital de giro e comprometeu nossos resultados”, completa.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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