Falta de consenso nos resultados dos testes de motores é citado pelo MME como motivo para o adiamento
Pode ser que as usinas tenham que esperar mais alguns meses pela chegada do B11. Essa informação foi confirmada à BiodieselBR.com pelo Ministério de Minas e Energia (MME) como resposta a um pedido de esclarecimento sobre os motivos do aumento da mistura não constar do edital do 66º Leilão de Biodiesel.
Pode ser que as usinas tenham que esperar mais alguns meses pela chegada do B11. Essa informação foi confirmada à BiodieselBR.com pelo Ministério de Minas e Energia (MME) como resposta a um pedido de esclarecimento sobre os motivos do aumento da mistura não constar do edital do 66º Leilão de Biodiesel.
No texto da Resolução 16/2018, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabelece que o B11 seja adotado a partir de junho deste ano ou três meses depois da conclusão dos testes de motores determinados pela Lei 13.263/2016. Como o relatório final foi publicado na última sexta-feira (01), a expectativa do setor era que o aumento de mistura viesse nesse leilão.
Não foi o que aconteceu. Publicado na tarde de ontem (07), o edital do L66 não menciona o B11.
Falta de consenso
Segundo a nota do MME a Resolução CNPE 16/2018 vincula as novas progressões da mistura a uma “conclusão satisfatória” nos testes que deveriam validar a viabilidade técnica da adição de até 15% de biodiesel no diesel fóssil. Os testes, no entanto, terminaram sem que fosse atingido um grau de consenso entre os participantes. “Conforme relatório divulgado pelo MME, os resultados dos testes não foram conclusivos. Dessa forma, conforme prevê a resolução, a entrada do B11 deve acontecer após três meses contatos da conclusão positiva dos testes”, informa a nota.
Ainda de acordo com o MME, a expectativa é que uma avaliação da mistura seja entregue dentro de até seis meses. Caso o pior cenário se confirme, o B11 só poderia ser de fato adotado em março de 2020 – mês em que o mercado deveria evoluir para o B12. Embora não diga isso às claras, a nota acena para a possibilidade de que o mercado salte o B11 e avance diretamente para o B12.
Trabalho a ser feito
Não é uma possibilidade que agrade aos fabricantes de biodiesel. “Como indústria, é evidente que a gente gostaria de ter o B11 agora em junho”, resume o presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, que encara com naturalidade a decisão do ministério dilatar um pouco mais a chegada de novos aumentos da mistura. “O relatório publicado pelo MME, que é o regulador do setor, diz que tem mais trabalho a ser feito”, prossegue.
Segundo André, dos 45 testes realizados para avaliar a viabilidade do B15 em somente três foi constatado algum tipo de problema. “A gente confia no nosso taco, a indústria está chamando para si a responsabilidade dar para o MME todas as garantias de que o biodiesel consegue atender todas as exigências de forma satisfatória”, garante.
Dependendo de quanto tempo esse impasse leve para resolvido, o executivo da Abiove crê que será possível chegar ao B11 ainda este ano. “Sabemos quais são questões técnicas que são passíveis de serem sanadas. Resolvidas essas questões não tem motivo para o B11 não vir. Essa é uma política pública de interesse do Brasil”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com