Pelo menos duas usinas de grande porte relataram à BiodieselBR.com que tiveram que paralisar operações
As chuvas torrenciais que vêm atingindo o Rio Grande do Sul nos últimos 9 dias têm deixado um rastro assustador de devastação em seu caminho. Pela última contagem da Defesa Civil gaúcha, o número de vítimas fatais chegou em 90. E com outras 132 pessoas desaparecidas, infelizmente é pouco provável que essa contagem já tenha chegado ao seu final.
No total, 388 dos 497 municípios gaúchos foram impactados – em maior ou menor grau – pela tragédia que já afeta a vida de quase 1,37 milhão de brasileiros.
Em meio a uma crise desse porte, a indústria de biodiesel não tinha como escapar ilesa. Até porque o Rio Grande do Sul é o principal polo de produção de biodiesel do país – as usinas gaúchas foram responsáveis por mais de 22% dos 7,34 milhões de m³ de biodiesel que foram comercializados ao longo do ano passado.
No total, o estado concentra 9 usinas ativas que, juntas, podem fabricar um pouco mais do que 3 milhões de m³ de biodiesel por ano – cerca de 21% do parque produtivo brasileiro está no RS.
As chuvas torrenciais que vêm atingindo o Rio Grande do Sul nos últimos 9 dias têm deixado um rastro assustador de devastação em seu caminho. Pela última contagem da Defesa Civil gaúcha, o número de vítimas fatais chegou em 90. E com outras 132 pessoas desaparecidas, infelizmente é pouco provável que essa contagem já tenha chegado ao seu final.
No total, 388 dos 497 municípios gaúchos foram impactados – em maior ou menor grau – pela tragédia que já afeta a vida de quase 1,37 milhão de brasileiros.
Em meio a uma crise desse porte, a indústria de biodiesel não tinha como escapar ilesa. Até porque o Rio Grande do Sul é o principal polo de produção de biodiesel do país – as usinas gaúchas foram responsáveis por mais de 22% dos 7,34 milhões de m³ de biodiesel que foram comercializados ao longo do ano passado.
No total, o estado concentra 9 usinas ativas que, juntas, podem fabricar um pouco mais do que 3 milhões de m³ de biodiesel por ano – cerca de 21% do parque produtivo brasileiro está no RS.
Por ordem de capacidade instalada, a lista completa das usinas gaúchas é formada por:
- Be8 de Passo Fundo com 540 mil m³;
- Oleoplan de Veranópolis com 468 mil m³;
- Olfar de Erechim com 432 mil m³;
- Bianchini de Canoas com 414 mil m³;
- Cargill de Cachoeira do Sul com 335,9 mil m³;
- 3tentos de Ijuí com 306 mil m³;
- Camera de Ijuí com 234 mil m³;
- Biofuga de Camargo com 180 mil m³;
- Bocchi de Muitos Capões com 108 mil m³;
Dessas, apenas três – Camera e 3tentos, ambas em Ijuí; e a Bocchi em Muitos Capões – estão sediadas em cidades que não tiveram estado de calamidade reconhecido pelo governo federal. As outras 6 usinas somam 2,37 milhões de m³ o que representa cerca de 78,5% da capacidade instalada no RS.
Nos últimos dias BiodieselBR.com tentou contato com essas usinas para entender quais delas foram impactadas pela crise climática e/ou seus desdobramentos. De todas as 9 plantas, apenas a Olfar não deu retorno à reportagem até sua publicação e a Oleoplan optou por não se manifestar.
Das demais, seis usinas informaram que não tiveram suas instalações diretamente atingidas pelas enchentes e, portanto, estão em condições de operar normalmente. A maior preocupação para elas, no momento, é a logística do recebimento de insumos e escoamento da produção. É essa a situação, por exemplo, da Be8 de Passo Fundo que informou estar mantendo suas atividades “com dificuldades”. “Estamos fazendo grande esforço com muita atenção, monitorando minuto a minuto os impactos, avaliando todas as perspectivas para a manutenção de nossa operação”, informou a empresa por meio de nota.
A Camera vai nesse mesmo sentido. Embora garanta estar abastecida de insumos, a planta está com estoques altos de B100. “Hoje, o que poderia ocasionar uma parada na produção [da usina] de Ijuí é este fator”, disse o trader de biodiesel da empresa, Gabriel Grechi.
A Cargill não teve mesma sorte. A multinacional precisou que paralisar por dois dias – sábado e domingo últimos – a produção no complexo industrial de Cachoeira do Sul que adquiriu da Granol há alguns meses. A empresa conseguiu retomar a atividade no setor de moagem de soja. “Retomamos a moagem, ainda sem data definida para as demais áreas produtivas. (...) Estamos avaliando a retomada gradual, de acordo com nosso estoque de insumos, capacidade de armazenamento e escoamento da produção”, informou a Cargill por meio de sua assessoria de imprensa.
Impactada
A situação é bem mais séria na Bianchini cuja usina em Canoas foi diretamente atingida pelas águas. A direção da empresa informou que desde a sexta-feira (03) está com sua produção completamente parada e incapacitada de entregar os volumes de biodiesel, farelo e soja em grão estocados em suas instalações em função do bloqueio das estradas que dão acesso à fábrica.
“No momento, não temos nenhuma expectativa de retomada de nossas atividades enquanto o nível da água estiver elevado”, disse por e-mail o diretor corporativo da empresa, Gustavo Bianchini.
Flexibilização
Para tentar evitar que essas dificuldades acabassem fazendo com que uma crise de abastecimento de combustíveis se somasse à crise climática que já está sendo enfrentada pela Rio Grande do Sul, ontem (06), a ANP permitiu a flexibilização da mistura de biodiesel no diesel e de etanol anidro na gasolina.
A decisão tomada pelo diretor da ANP, Fernando Moura, vai valer pelos próximo 30 dias.
Atualização no dia 08 de maio: O texto foi complementado com um mapa e um parágrafo que informam quais das usinas do RS estão em municipios que tiveram estado de calamidade reconhecido pelo governo federal.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com