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Comitê do biodiesel debateu perspectivas para o setor de biodiesel

O Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel se reuniu ontem (27) em Brasília para discutir as perspectivas do setor de biodiesel.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB) – antiga Mesa de Abastecimento do Biodiesel – se reuniu ontem (27) em Brasília para nivelar informações entre os diferentes elos da cadeia e discutir as perspectivas do setor de biodiesel para os próximos meses. O encontrou aconteceu na sede do Ministério de Minas e Energia (MME).

O Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB) – antiga Mesa de Abastecimento do Biodiesel – se reuniu ontem (27) em Brasília para nivelar informações entre os diferentes elos da cadeia e discutir as perspectivas do setor de biodiesel para os próximos meses. O encontrou aconteceu na sede do Ministério de Minas e Energia (MME).

Pelo que BiodieselBR.com apurou junto a representantes do setor que participaram da reunião, o vento parece estar soprando a favor: o consumo de diesel está engrenando, a oferta de matérias-primas está boa e as distribuidoras estão com a casa em ordem para a chegada do B10 em março que vem.

“As estimativas [sobre a demanda de diesel] estão convergindo para o crescimento”, disse o gerente de economia da Abiove, Daniel Amaral, informando que os cenários tanto de sua entidade quanto os apresentados pelo Sindicom apontam para a continuidade da tendência – registrada ao longo deste último trimestre – de crescimento nas vendas do derivado. “E com a volta do crescimento econômico mais robusto no ano que vem deveremos ter aumento nas vendas”, prossegue.

Prontos para o B10

Não foi a única boa notícia que as distribuidoras trouxeram segundo o superintendente da Aprobio, Júlio Minelli. “Tanto o Sindicom quanto o Brasilcom informaram que estão preparados para a chegada do B10 em março que vem”, comemora. “Algumas bases ainda precisam de ajustes, mas isso não deverá ser um impedimento”, completa.

Essa informação é confirmada por Daniel. “Pelo que nos foi reportado [pelas distribuidoras] tudo está andando dentro do cronograma”, garante.

A Ubrabio aproveitou a reunião para voltar a cobrar o B9. “O B9 é perfeitamente viável diante dos volumes de biodiesel que vêm sendo consumidos atualmente”, disse acrescentando que esse passo intermediário seria importante para reduzir os níveis de ociosidade das usinas no curto prazo.

Isso também contribuiria para minimizar as importações. “Estamos batendo recordes sucessivos nas importações de diesel fóssil”, protestou.

Oferta

Com a demanda engrenando e o B10 a caminho, volta a eterna preocupação sobre se a indústria terá como atender o mercado. Pelas contas da Abiove, a resposta é sim. “Nossas projeções de oferta e demanda já incorporam o B10. O esmagamento de soja está crescendo e nossos dados indicam que teremos disponibilidade de óleo vegetal em quantidade suficiente”, explica.

Ele garante também que outro nó vem sendo desatado pelas processadoras por meio da abertura de novos mercados para o farelo de soja adicional que está sendo fabricado junto com o óleo. “O biodiesel incentiva a industrialização de soja dentro do Brasil. Ele é um vetor importante de desenvolvimento”, avalia.

Comercialização

A reunião também abriu espaço para discutir aprimoramentos no modelo de comercialização do biodiesel. Os fabricantes querem um modelo que permita aproximar mais os volumes adquiridos nos leilões regulares da demanda real do mercado, evitando que as distribuidoras precisem recorrer de forma sistemática aos estoques reguladores da Petrobras para fechar as contas do bimestre.

“O modelo que temos hoje cria um certo incentivo para que as distribuidoras adotem uma postura mais conservadora durante os leilões. Queremos uma regra mais isonômica”, avalia Daniel.

Julio Minelli também relata que os produtores apresentaram uma série de propostas para dar mais celeridade ao processo de compra e venda de biodiesel. “Hoje, a Etapa 2 acontece às terças-feiras e as Etapas 3 e 5 na quinta e sexta subsequentes. Sugerimos em fazer todas as etapas em sequência”, explica acrescentando que também houve pressão para seja logo resolvida a questão das ofertas mínimas dos leilões.

Atualmente, duas distribuidoras que disputem o mesmo lote de biodiesel nos leilões precisam elevar suas ofertas em R$ 5 por m³. Há um bom tempo circula a ideia de elevar esse patamar para R$ 10 por m³ para acelerar o processo de negociação. “Mas para que isso seja possível o MME precisa editar uma portaria. Aproveitamos a oportunidade para fazer essa cobrança”, diz Julio.

Por fim, houve acerto para a realização de uma reunião – ainda a ser marcada – entre Abiove, Aprobio e Ubrabio com a ANP e a Petrobras. A pauta será a discussão de mudanças nos modelos dos contratos usados nos leilões de biodiesel.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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