“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. O samba clássico de Paulo Vanzolini retrata bem o clima atual dentro da Camera Agroalimentos. O diretor de operações da empresa, Roberto Kist, está se preparando para enfrentar assembleia de credores que deverá decidir o futuro do plano de recuperação elaborado pela equipe da tradicional companhia gaúcha. A perspectiva, segundo ele, é pela aprovação. “A gente tem o apoio de muitos credores que estão interessados na continuidade de nossa operação”, diz.
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. O samba clássico de Paulo Vanzolini retrata bem o clima atual dentro da Camera Agroalimentos. O diretor de operações da empresa, Roberto Kist, está se preparando para enfrentar assembleia de credores que deverá decidir o futuro do plano de recuperação elaborado pela equipe da tradicional companhia gaúcha. A perspectiva, segundo ele, é pela aprovação. “A gente tem o apoio de muitos credores que estão interessados na continuidade de nossa operação”, diz.
“Esse é um momento para sermos positivos, mas sendo realistas”, completa o executivo com uma nota de esperança.
Há cerca de um ano e meio, a empresa – que, em 2012, chegou a ser a 6ª empresa do mercado em volume produzido – foi a lona. Abatida por problemas financeiros originados na quebra da safra na temporada de 2011/2012, ela se viu forçada a entrar com um pedido de recuperação judicial e a encarar um doloroso processo de downsize.
A essa altura do processo de reestruturação, a assembleia de credores já deveria ter acontecido – tipicamente são seis meses entre o deferimento da recuperação se aprovado pela justiça e a reunião. Mas esse cronograma não é obrigatório. “Tem uma certa flexibilidade porque são muitos interesses que precisam se compatibilizados”, pondera o executivo dizendo que embora tenha sido bom ganhar mais tempo para estruturar melhor o plano, teve que lidar com uma dose maior de incertezas sobre o futuro.
Embora Kist reconheça que a empresa ainda tem um caminho longo a trilhar, ele assegura que o primeiro estirão foi vencido. “Conseguimos fazer esse processo de redução honrando todos os compromissos com as rescisões de contratos. Foi um esforço grande, mas conseguimos preservar a estrutura para realizar uma retomada”, elabora.
O processo tem dado resultados. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento da companhia foi de R$ 166 milhões; um salto e tanto em relação aos R$ 95 milhões que haviam entrado no caixa da empresa no mesmo período de 2015. “Dobramos o volume de processamento de grãos e de vendas de insumos”, anima-se Kist.
Menor
A cifra está longe das que a empresa apresentava em seu auge – em 2013, o faturamento da Camera chegou aos R$ 2,3 bilhões – mas é mais saudável. Mas tentar medir os resultados atuais com os de três anos atrás pela mesma régua seria uma injustiça. “Não dá mais para comparar a Camera de hoje com o que ela era antes do downsize. O olhar tem que ser de prazo mais curto ou perde o sentido”, explica o diretor. Ele ressalta que o comparativo entre os resultados trimestrais revela o potencial para que a empresa tenha sucesso em sua retomada.
Como parte do processo de downsize, a empresa se viu obrigada a abandonar a produção de biodiesel e outros segmentos industriais menos consolidados em seus 45 anos de história bem como concentrou geograficamente mais suas atividades. “Concentramos mais nossa operação no que é mais tradicional e aqui nessa nossa região base que é o noroeste do Rio Grande do Sul”, destaca. O carro-chefe da empresa voltou a ser a parte industrial em Santa Rosa (RS) – cerca de 500 km da capital Porto Alegre – onde é feito o processamento e refino de soja voltado principalmente ao mercado alimentar.
“Isso simplificou a operação e liberou nosso capital de giro”, prossegue o executivo. O downsize também permitiu que a Camera pudesse voltar a olhar para si mesma. “Passamos 2014 lutando pelo curtíssimo prazo. Precisávamos ficar rolando dívidas e não conseguíamos trabalhar o operacional da empresa. O ano passado foi melhor para a gente porque tivermos a chance de cuidar mais do nosso negócio”, complementa.
A meta não é mais, necessariamente, fazer a Camera voltar a ser uma empresa bilionária. “Seremos uma empresa menor, mas preservando o que tem valor e gera resultado”, analisa o entrevistado.
Retorno
Isso não quer dizer que a empresa não vá voltar a crescer. Segundo Kist, um eventual retorno ao mercado biodiesel é uma das frentes com as quais ele trabalha para o futuro da companhia. Especialmente num momento em que o mercado de biodiesel vem dando sinais positivos por conta a provação da Lei 13.263/2016 que aponta para a adoção do B10 dentro de mais três anos. “A gente acha que o mercado de biodiesel vai reagir bem [ao aumento da mistura]”, antecipa.
Se tudo correr bem e o plano de recuperação for aprovado pelos credores, a Camera volta a produzir biodiesel já no ano que vem. “Nossa visão é de um retorno paulatino ao setor a partir de 2017”, comenta destacando que esse é um plano ainda a ser validado.
Kist garante que a planta de Ijuí (RS) está em stand by e “pronta para uma voltar a produção em curto prazo se houver planejamento para isso”. “O biodiesel vai ser um bom negócio para a Camera, mas de forma mais comedida. Sem os volumes que já teve”, arremata. Já a usina que estava em construção na cidade de Estrela (RS) deverá ser mesmo colocada à venda. “A venda de Estrela está formalmente dentro do plano [de recuperação judicial] para o pagamento de credores”, confirma.
Outra ligação que a Camera continua tendo com o setor de biodiesel é na operação de uma fábrica de metilato de sódio. A planta havia sido construída em 2012, mas, com a crise da empresa, acabou arrendada para a Copenor em meados do ano passado. A Camera, no entanto, foi contratada para operar o site como uma prestadora de serviços.
Perguntado se já dá para ver uma luz no fim do túnel, Kist tem poucas dúvidas. “Com certeza! A gente está conseguindo, dia a dia, trilhar uma retomada que é paulatina e dia a dia, mas que já está transparecendo. O principal agora é aprovar o plano”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. O samba clássico de Paulo Vanzolini retrata bem o clima atual dentro da Camera Agroalimentos. O diretor de operações da empresa, Roberto Kist, está se preparando para enfrentar assembleia de credores que deverá decidir o futuro do plano de recuperação elaborado pela equipe da tradicional companhia gaúcha. A perspectiva, segundo ele, é pela aprovação. “A gente tem o apoio de muitos credores que estão interessados na continuidade de nossa operação”, diz.
“Esse é um momento para sermos positivos, mas sendo realistas”, completa o executivo com uma nota de esperança.
Há cerca de um ano e meio, a empresa – que, em 2012, chegou a ser a 6ª empresa do mercado em volume produzido – foi a lona. Abatida por problemas financeiros originados na quebra da safra na temporada de 2011/2012, ela se viu forçada a entrar com um pedido de recuperação judicial e a encarar um doloroso processo de downsize.
A essa altura do processo de reestruturação, a assembleia de credores já deveria ter acontecido – tipicamente são seis meses entre o deferimento da recuperação se aprovado pela justiça e a reunião. Mas esse cronograma não é obrigatório. “Tem uma certa flexibilidade porque são muitos interesses que precisam se compatibilizados”, pondera o executivo dizendo que embora tenha sido bom ganhar mais tempo para estruturar melhor o plano, teve que lidar com uma dose maior de incertezas sobre o futuro.
Embora Kist reconheça que a empresa ainda tem um caminho longo a trilhar, ele assegura que o primeiro estirão foi vencido. “Conseguimos fazer esse processo de redução honrando todos os compromissos com as rescisões de contratos. Foi um esforço grande, mas conseguimos preservar a estrutura para realizar uma retomada”, elabora.
O processo tem dado resultados. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento da companhia foi de R$ 166 milhões; um salto e tanto em relação aos R$ 95 milhões que haviam entrado no caixa da empresa no mesmo período de 2015. “Dobramos o volume de processamento de grãos e de vendas de insumos”, anima-se Kist.
Menor
A cifra está longe das que a empresa apresentava em seu auge – em 2013, o faturamento da Camera chegou aos R$ 2,3 bilhões – mas é mais saudável. Mas tentar medir os resultados atuais com os de três anos atrás pela mesma régua seria uma injustiça. “Não dá mais para comparar a Camera de hoje com o que ela era antes do downsize. O olhar tem que ser de prazo mais curto ou perde o sentido”, explica o diretor. Ele ressalta que o comparativo entre os resultados trimestrais revela o potencial para que a empresa tenha sucesso em sua retomada.
Como parte do processo de downsize, a empresa se viu obrigada a abandonar a produção de biodiesel e outros segmentos industriais menos consolidados em seus 45 anos de história bem como concentrou geograficamente mais suas atividades. “Concentramos mais nossa operação no que é mais tradicional e aqui nessa nossa região base que é o noroeste do Rio Grande do Sul”, destaca. O carro-chefe da empresa voltou a ser a parte industrial em Santa Rosa (RS) – cerca de 500 km da capital Porto Alegre – onde é feito o processamento e refino de soja voltado principalmente ao mercado alimentar.
“Isso simplificou a operação e liberou nosso capital de giro”, prossegue o executivo. O downsize também permitiu que a Camera pudesse voltar a olhar para si mesma. “Passamos 2014 lutando pelo curtíssimo prazo. Precisávamos ficar rolando dívidas e não conseguíamos trabalhar o operacional da empresa. O ano passado foi melhor para a gente porque tivermos a chance de cuidar mais do nosso negócio”, complementa.
A meta não é mais, necessariamente, fazer a Camera voltar a ser uma empresa bilionária. “Seremos uma empresa menor, mas preservando o que tem valor e gera resultado”, analisa o entrevistado.
Retorno
Isso não quer dizer que a empresa não vá voltar a crescer. Segundo Kist, um eventual retorno ao mercado biodiesel é uma das frentes com as quais ele trabalha para o futuro da companhia. Especialmente num momento em que o mercado de biodiesel vem dando sinais positivos por conta a provação da Lei 13.263/2016 que aponta para a adoção do B10 dentro de mais três anos. “A gente acha que o mercado de biodiesel vai reagir bem [ao aumento da mistura]”, antecipa.
Se tudo correr bem e o plano de recuperação for aprovado pelos credores, a Camera volta a produzir biodiesel já no ano que vem. “Nossa visão é de um retorno paulatino ao setor a partir de 2017”, comenta destacando que esse é um plano ainda a ser validado.
Kist garante que a planta de Ijuí (RS) está em stand by e “pronta para uma voltar a produção em curto prazo se houver planejamento para isso”. “O biodiesel vai ser um bom negócio para a Camera, mas de forma mais comedida. Sem os volumes que já teve”, arremata. Já a usina que estava em construção na cidade de Estrela (RS) deverá ser mesmo colocada à venda. “A venda de Estrela está formalmente dentro do plano [de recuperação judicial] para o pagamento de credores”, confirma.
Outra ligação que a Camera continua tendo com o setor de biodiesel é na operação de uma fábrica de metilato de sódio. A planta havia sido construída em 2012, mas, com a crise da empresa, acabou arrendada para a Copenor em meados do ano passado. A Camera, no entanto, foi contratada para operar o site como uma prestadora de serviços.
Perguntado se já dá para ver uma luz no fim do túnel, Kist tem poucas dúvidas. “Com certeza! A gente está conseguindo, dia a dia, trilhar uma retomada que é paulatina e dia a dia, mas que já está transparecendo. O principal agora é aprovar o plano”, finaliza.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com