Roberto Kist, diretor e membro da familia que controla a empresa, esclarece a reestruturação da companhia e diz quanto tempo a usina ficará sem produzir biodiesel.A crise parece ter se instalado entre as empresas do segmento de fabricação de biodiesel. A Camera confirmou os rumores de que está passando por uma crise financeira que a obrigará a reestruturar suas operações o que a levará a ficar fora do mercado de biodiesel por um tempo.
A crise parece ter se instalado entre as empresas do segmento de fabricação de biodiesel. A Camera confirmou os rumores de que está passando por uma crise financeira que a obrigará a reestruturar suas operações o que a levará a ficar fora do mercado de biodiesel, pelo menos, durante o primeiro semestre de 2014. Essa confirmação acontece no mesmo dia em que a Grupal tornou público que está entrando em recuperação judicial e deve abandonar o setor a partir de janeiro
Os rumores em torno da saúde financeira da Camera já vinham de algum tempo, mas engrossaram recentemente por dois motivos. O desligamento de Fabio Magdaleno que, pelos últimos 5 anos ocupou o cargo de diretor financeiro, administrativo e de relações com o mercado da companhia e era seu nome de proa nos negócios relacionados ao setor de biodiesel. E a opção da usina gaúcha optou por não disputar o 34º Leilão de Biodiesel da ANP.
Para separar fato de boato, BiodieselBR.com contatou a Camera e recebeu uma nota oficial assinada pelo diretor superintendente da empresa, Roberto Kist. Segundo o executivo, as dificuldades atuais ainda são reflexo da quebra da produção de soja ocorrida na safra 2011/12. Mesmo com a recuperação da oferta na safra 2012/13, a indústria de processamento tem tido dificuldade de competir pelo grão com o mercado de exportação.
“Para um modelo de negócios altamente verticalizado e com um ciclo econômico longo – desde o fomento do plantio de soja até a venda do biodiesel –, a conjunção de preços altos e menor disponibilidade de matéria-prima é muito desafiadora”, escreveu Kist em e-mail enviado à BiodieselBR.com. “Dado a notória indefinição do governo sobre o avanço do marco regulatório para o B7, decidimos manter a operação de biodiesel em stand by durante o 1º semestre”, complementa.
A paralisação – mesmo que temporária – da produção de biodiesel não deve chegar a colocar a sobrevivência do grupo em risco. De acordo com Kist, a produção de biocombustível corresponde a uma parcela de 20% do faturamento global, além disso o cenário para os negócios relacionados à produção primária de soja se mantém bastante positivo para o ano que vem.
A Camera era um dos grupos industriais que formava o que poderia ser considerado a elite do segmento. Desde que havia começado a participar do mercado de biodiesel no 20º Leilão da ANP a empresa vinha mantendo entre as grandes fabricantes com vendas quase sempre acima dos 20 milhões de litros – seu recorde foi no L26 quando vendeu 54 milhões de litros.
Veja abaixo a nota enviada pela Camera na íntegra:
Desde março do ano de 2012, quando a principal região de atuação da Camera no RS foi afetada por uma severa estiagem, a disponibilidade de soja para o processamento, bem como a alta volatilidade e consequente aumento do seu preço, penalizaram o modelo de negócios da companhia. Na safra de soja de 2013, mesmo sendo recorde para o estado, novamente a Camera foi penalizada pelo direcionamento mercadológico de exportação de soja em grãos.
Para um modelo de negócios altamente verticalizado, com um ciclo econômico longo (desde o fomento ao plantio das lavouras com o financiamento de sementes, fertilizantes e químicos; passando pelo recebimento e logística de armazenagem dos grãos; o esmagamento; a comercialização do farelo na exportação e no mercado interno, do óleo refinado e do biodiesel) a conjunção de preços altos e menor disponibilidade de matéria-prima é muito desafiadora.
Estes fatores externos, somados a necessidades pontuais de melhorias de gestão internas, levaram a companhia a realizar um realinhamento operacional no último quadrimestre do presente ano. Neste período que encerra-se agora em dezembro, foram tratados pela alta gestão aspectos econômicos, de gestão e de marcado; nos âmbitos operacional, tático e estratégico.
Neste período, a companhia reduziu o volume de parte de suas operações, situação que restou pública na divulgação da menor entrega de biodiesel vendido em leilão (em 2012 fomos uma das maiores usinas em entregas).
Para 2014, a projeção é de retomada normal das operações identificadas como rentáveis e consideradas autossustentáveis dentro da cadeia de geração de valor da companhia. Por um lado, o cenário de produção primária de soja está muito positivo, com indicadores de "supersafra" no RS e também no restante do Brasil. Nossas operações de varejo agrícola, originação, logística, armazenagem e processamento de grãos (soja, trigo, milho e arroz) deverão ser consideravelmente beneficiadas. Como contraponto, dado a notória indefinição do governo sobre o avanço do marco regulatório para o B7, decidimos manter a operação de biodiesel em stand by durante o 1º semestre (o biodiesel corresponde a 20% do faturamento global).
Fato importante no quadro de executivos neste período foi o final do ciclo de trabalho do diretor financeiro, administrativo e de relações com o mercado Fábio Magdaleno. Há 5 anos na Camera, e com atuação relevante na área de biodiesel (internamente era responsável direto pela operação e externamente representava a companhia institucionalmente - chegando a ocupar cargo diretivo da Ubrabio), o profissional seguirá assessorando a companhia em assuntos específicos e, no futuro, poderá vir a compor o quadro de seu Conselho de Administração.
Cátia Franco - BiodieselBR
A crise parece ter se instalado entre as empresas do segmento de fabricação de biodiesel. A Camera confirmou os rumores de que está passando por uma crise financeira que a obrigará a reestruturar suas operações o que a levará a ficar fora do mercado de biodiesel, pelo menos, durante o primeiro semestre de 2014. Essa confirmação acontece no mesmo dia em que a Grupal tornou público que está entrando em recuperação judicial e deve abandonar o setor a partir de janeiro
Os rumores em torno da saúde financeira da Camera já vinham de algum tempo, mas engrossaram recentemente por dois motivos. O desligamento de Fabio Magdaleno que, pelos últimos 5 anos ocupou o cargo de diretor financeiro, administrativo e de relações com o mercado da companhia e era seu nome de proa nos negócios relacionados ao setor de biodiesel. E a opção da usina gaúcha optou por não disputar o 34º Leilão de Biodiesel da ANP.
Para separar fato de boato, BiodieselBR.com contatou a Camera e recebeu uma nota oficial assinada pelo diretor superintendente da empresa, Roberto Kist. Segundo o executivo, as dificuldades atuais ainda são reflexo da quebra da produção de soja ocorrida na safra 2011/12. Mesmo com a recuperação da oferta na safra 2012/13, a indústria de processamento tem tido dificuldade de competir pelo grão com o mercado de exportação.
“Para um modelo de negócios altamente verticalizado e com um ciclo econômico longo – desde o fomento do plantio de soja até a venda do biodiesel –, a conjunção de preços altos e menor disponibilidade de matéria-prima é muito desafiadora”, escreveu Kist em e-mail enviado à BiodieselBR.com. “Dado a notória indefinição do governo sobre o avanço do marco regulatório para o B7, decidimos manter a operação de biodiesel em stand by durante o 1º semestre”, complementa.
A paralisação – mesmo que temporária – da produção de biodiesel não deve chegar a colocar a sobrevivência do grupo em risco. De acordo com Kist, a produção de biocombustível corresponde a uma parcela de 20% do faturamento global, além disso o cenário para os negócios relacionados à produção primária de soja se mantém bastante positivo para o ano que vem.
A Camera era um dos grupos industriais que formava o que poderia ser considerado a elite do segmento. Desde que havia começado a participar do mercado de biodiesel no 20º Leilão da ANP a empresa vinha mantendo entre as grandes fabricantes com vendas quase sempre acima dos 20 milhões de litros – seu recorde foi no L26 quando vendeu 54 milhões de litros.
Veja abaixo a nota enviada pela Camera na íntegra:
Desde março do ano de 2012, quando a principal região de atuação da Camera no RS foi afetada por uma severa estiagem, a disponibilidade de soja para o processamento, bem como a alta volatilidade e consequente aumento do seu preço, penalizaram o modelo de negócios da companhia. Na safra de soja de 2013, mesmo sendo recorde para o estado, novamente a Camera foi penalizada pelo direcionamento mercadológico de exportação de soja em grãos.
Para um modelo de negócios altamente verticalizado, com um ciclo econômico longo (desde o fomento ao plantio das lavouras com o financiamento de sementes, fertilizantes e químicos; passando pelo recebimento e logística de armazenagem dos grãos; o esmagamento; a comercialização do farelo na exportação e no mercado interno, do óleo refinado e do biodiesel) a conjunção de preços altos e menor disponibilidade de matéria-prima é muito desafiadora.
Estes fatores externos, somados a necessidades pontuais de melhorias de gestão internas, levaram a companhia a realizar um realinhamento operacional no último quadrimestre do presente ano. Neste período que encerra-se agora em dezembro, foram tratados pela alta gestão aspectos econômicos, de gestão e de marcado; nos âmbitos operacional, tático e estratégico.
Neste período, a companhia reduziu o volume de parte de suas operações, situação que restou pública na divulgação da menor entrega de biodiesel vendido em leilão (em 2012 fomos uma das maiores usinas em entregas).
Para 2014, a projeção é de retomada normal das operações identificadas como rentáveis e consideradas autossustentáveis dentro da cadeia de geração de valor da companhia. Por um lado, o cenário de produção primária de soja está muito positivo, com indicadores de "supersafra" no RS e também no restante do Brasil. Nossas operações de varejo agrícola, originação, logística, armazenagem e processamento de grãos (soja, trigo, milho e arroz) deverão ser consideravelmente beneficiadas. Como contraponto, dado a notória indefinição do governo sobre o avanço do marco regulatório para o B7, decidimos manter a operação de biodiesel em stand by durante o 1º semestre (o biodiesel corresponde a 20% do faturamento global).
Fato importante no quadro de executivos neste período foi o final do ciclo de trabalho do diretor financeiro, administrativo e de relações com o mercado Fábio Magdaleno. Há 5 anos na Camera, e com atuação relevante na área de biodiesel (internamente era responsável direto pela operação e externamente representava a companhia institucionalmente - chegando a ocupar cargo diretivo da Ubrabio), o profissional seguirá assessorando a companhia em assuntos específicos e, no futuro, poderá vir a compor o quadro de seu Conselho de Administração.
Cátia Franco - BiodieselBR