
No final de fevereiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste da conta de luz. Nas duas regiões que concentram a maior parte das usinas brasileiras de biodiesel – Sul e Centro-Oeste – o incremento da tarifa foi de, em média, 28,7%. Cerca de 23,2 pontos percentuais superior ao das Regiões Norte e Nordeste, cujo aumento ficou na casa dos 5,5%.

No final de fevereiro, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste da conta de luz. Nas duas regiões que concentram a maior parte das usinas brasileiras de biodiesel – Sul e Centro-Oeste – o incremento da tarifa foi de, em média, 28,7%. Cerca de 23,2 pontos percentuais superior ao das Regiões Norte e Nordeste, cujo aumento ficou na casa dos 5,5%.
Não se pode dizer que a decisão da Aneel terá impacto devastador sobre o setor, já que os gastos com energia não chegam a ser dos mais expressivos na definição do custo final do biodiesel. Ele fica bem atrás dos gastos matérias-primas e insumos como metanol e catalisadores.
Mas isso não quer dizer que as usinas não sentirão o aumento.
Com o aumento autorizado pela Aneel, o gasto de energia da planta de biodiesel da Fiagril deverá subir bastante. A usina encontra-se instalada no Mato Grosso, um dos estados alvejados por uma maior alta na conta de energia elétrica. “Nos custos variáveis, o impacto maior é dos insumos. Mas com esse aumento na conta de energia elétrica vamos ter uma diminuição da margem de contribuição. Precisaremos estabelecer uma estratégia para amenizar esse impacto”, diz Luiz Gustavo Gury, gerente da usina de biodiesel da empresa. Nas contas do entrevista, hoje a eletricidade corresponde a cerca de 11% dos custos fabris da planta (descontados os gastos com com matérias-primas e insumos), o aumento elevará essa parcela para cerca de 15%.
Segundo ele, ainda que a usina adote medidas visando a reduzir parte das despesas que impactam no custo de energia, qualquer aumento revela-se ruim, por causa da atual conjuntura do mercado de biodiesel. “A competitividade da usina de biodiesel da Fiagril é afetada diretamente”, admite Gury.
Susto
Mesmo as usinas que operam no mercado livre de energia elétrica – como é o caso da gaúcha Bianchini –, também estão sujeitas a incrementos.
As tarifas pagas pelas indústrias nesse mercado são, geralmente, diferentes daquelas pagas por consumidores residenciais e empresas que operam no mercado cativo – no qual os preços são tabelados. Como os contratos do mercado livre são negociados entre geradores e consumidores, podem ser inferiores ou, até mesmo, superiores, dependendo das negociações entre ambas as partes.
Luiz Antonio Bianchini, diretor executivo da Bianchini, conta que os consumidores com contratos de energia elétrica vencendo em 2015 estão levando susto ao fazerem a cotação e/ou contratação para os anos subsequentes. “As ofertas para 2016 estão em níveis estratosféricos em razão da atual escassez hídrica no país e de sua projeção nada animadora para este ano. Superam os 200% sobre os níveis dos contratos anteriores”, revela.
Segundo Bianchini, já para os próximos anos (2017 a 2021) – normalmente, os consumidores do mercado livre selam contratos com duração entre três e cinco anos – os preços tendem a cair bastante, em razão da expectativa da oferta de energia elétrica ser maior.
Atualização em 13 de março às 16h30 - O texto original foi modificado para refletir com maior exatidão a informação sobre o impacto do aumento da eletricidade nos custos da Fiagril.
Cátia Franco – BiodieselBR.com