Nem só de óleo de soja vive o biodiesel brasileiro. Embora seja – de longe – a matéria-prima mais importante para a indústria, ao longo dos últimos quatro anos sua participação no mercado tem variado numa faixa bem próxima de 77% [veja gráfico] o que deixa aproximadamente 23% do mercado em aberto para outras matérias-primas. Nas contas das principais associações do setor de biodiesel, essa proporção deve se manter mais ou menos inalterada pelos próximos 15 anos.
Nem só de óleo de soja vive o biodiesel brasileiro. Embora seja – de longe – a matéria-prima mais importante para a indústria, ao longo dos últimos quatro anos sua participação no mercado tem variado numa faixa bem próxima de 77% [veja gráfico] o que deixa aproximadamente 23% do mercado em aberto para outras matérias-primas. Nas contas das principais associações do setor de biodiesel, essa proporção deve se manter mais ou menos inalterada pelos próximos 15 anos.
Hoje, isso significa que algo em torno de 900 milhões de litros de biodiesel são fabricados com outras matérias-primas além da soja. Pode chegar a 4,1 bilhões de litros caso a proposta das associações para a adoção do B20 até o ano de 2030 avance.
Para atingir esse novo patamar de volume, o mix de matérias-primas da indústria deverá passar por mudanças importantes ao longo dos próximos anos. A mudança mais relevante seria a consolidação da palma-de-óleo no Brasil que, depois de muitos anos como uma simples promessa não realizada, deverá ganhar corpo e passar a competir diretamente com o sebo bovino.
Sebo
Não quer dizer que a atual segunda colocada do mercado deva perder espaço. No ano passado, foram fabricados pouco menos de 750 milhões de litros de biodiesel de sebo bovino. Esse volume deve praticamente dobrar e chegar a 1,4 bilhão de litros em 2030. A despeito desse crescimento, a fatia do mercado de biodiesel reservado ao sebo cairia de 18% para 8% ao longo do período.
A oferta do subproduto será puxada principalmente pela evolução no número de abates que deve mais do que dobrar em 15 anos. Segundo o IBGE, em 2015, foram abatidos pouco mais 30,6 milhões de bovinos; esse número deverá aumentar para 65 milhões de cabeças.
A uma média de 23 kg de sebo por cabeça, a oferta de sebo chegaria a 1,5 milhão de toneladas. Mas esse valor pode estar subestimado. Segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) é possível aumentar o volume de gordura por cabeça abatida a partir da recuperação do material que hoje é descartado por açougues.
Seria possível aumentar em 11 kg a quantidade de gordura animal recuperada por animal abatido. Isso colocaria a oferta na casa dos 2,2 milhões de toneladas.
Além dos bovinos, as expectativas de expansão para o mercado de frangos e de suínos também são bastante razoáveis no longo prazo. Segundo projeções elaboradas pela Fiesp, a produção de carne suína vai aumentar 24,3% e a de frango 23,7% entre 2015 e 2025.
Tradicionalmente, essas são duas fontes minoritárias. Recentemente, no entanto, a gordura suína vem dando sinais de que pode aumentar sua participação. Nos primeiros seis meses deste ano, ela ficou com quase 1,1% do mercado nacional. Apenas quatro outras fontes de óleos e gorduras – incluindo aí a soja e o sebo – conseguiram ultrapassar essa marca.
Palma
A palma-de-óleo também está um pouco mais perto de se tornar uma opção para a indústria. Entre 2011 e 2015, a área plantada dedicada à essa oleaginosa mais do que dobrou – de 100 mil para 235 mil hectares. Já são mais de 500 mil toneladas de óleo ao ano e a produção deverá avançar a medida que mais desses dendezais atinjam a maturidade.
É pouco perto do potencial brasileiro. O Zoneamento Agroecológico da palma identificou 7 milhões de hectares aptos a serem cultivados em áreas já antropizadas, ou seja, sem a necessidade de abrir novas áreas agrícolas. Apesar disso, a produção deve avançar lentamente, a expectativa é que a cultura chegue em 2030 com uma área plantada de 600 mil hectares – menos de 10% do que seria possível.
Com uma produtividade média de 4 toneladas de óleo por hectare plantado. Serão produzidos 2,4 milhões de toneladas de óleo de palma anualmente a partir de 2030. Pouco mais de metade desse volume poderá ser destinado à produção de biodiesel segundo estimativas das associações dos fabricantes deste biocombustível que apontam que até 8% do biodiesel brasileiro será fabricado a partir desta matéria-prima.
Outras
E mesmo fontes menores de óleos e gorduras poderiam sair beneficiadas pelo aumento no mercado. A expectativa é que elas representem cerca de 7% do mercado em 2030 com 1,3 bilhão de litros de biodiesel fabricado.
Isso poderá abrir novas perspectivas comerciais para oleaginosas que, hoje, tem menos volume bem como incentivar a formação de arranjos produtivos voltados à coleta e reciclagem de óleo de cozinha usado.
Chamado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, o documento foi entregue na quinta-feira (06) a representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e é resultado do Seminário de Alinhamento das Instituições do Setor de Biocombustíveis ocorrido no último dia 19 de setembro. Ao longo dos últimos dias BiodieselBR.com destrinchou alguns dos tópicos mais importantes desse documento. O resultado pode ser conferido clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Nem só de óleo de soja vive o biodiesel brasileiro. Embora seja – de longe – a matéria-prima mais importante para a indústria, ao longo dos últimos quatro anos sua participação no mercado tem variado numa faixa bem próxima de 77% [veja gráfico] o que deixa aproximadamente 23% do mercado em aberto para outras matérias-primas. Nas contas das principais associações do setor de biodiesel, essa proporção deve se manter mais ou menos inalterada pelos próximos 15 anos.
Hoje, isso significa que algo em torno de 900 milhões de litros de biodiesel são fabricados com outras matérias-primas além da soja. Pode chegar a 4,1 bilhões de litros caso a proposta das associações para a adoção do B20 até o ano de 2030 avance.
Para atingir esse novo patamar de volume, o mix de matérias-primas da indústria deverá passar por mudanças importantes ao longo dos próximos anos. A mudança mais relevante seria a consolidação da palma-de-óleo no Brasil que, depois de muitos anos como uma simples promessa não realizada, deverá ganhar corpo e passar a competir diretamente com o sebo bovino.
Sebo
Não quer dizer que a atual segunda colocada do mercado deva perder espaço. No ano passado, foram fabricados pouco menos de 750 milhões de litros de biodiesel de sebo bovino. Esse volume deve praticamente dobrar e chegar a 1,4 bilhão de litros em 2030. A despeito desse crescimento, a fatia do mercado de biodiesel reservado ao sebo cairia de 18% para 8% ao longo do período.
A oferta do subproduto será puxada principalmente pela evolução no número de abates que deve mais do que dobrar em 15 anos. Segundo o IBGE, em 2015, foram abatidos pouco mais 30,6 milhões de bovinos; esse número deverá aumentar para 65 milhões de cabeças.
A uma média de 23 kg de sebo por cabeça, a oferta de sebo chegaria a 1,5 milhão de toneladas. Mas esse valor pode estar subestimado. Segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra) é possível aumentar o volume de gordura por cabeça abatida a partir da recuperação do material que hoje é descartado por açougues.
Seria possível aumentar em 11 kg a quantidade de gordura animal recuperada por animal abatido. Isso colocaria a oferta na casa dos 2,2 milhões de toneladas.
Além dos bovinos, as expectativas de expansão para o mercado de frangos e de suínos também são bastante razoáveis no longo prazo. Segundo projeções elaboradas pela Fiesp, a produção de carne suína vai aumentar 24,3% e a de frango 23,7% entre 2015 e 2025.
Tradicionalmente, essas são duas fontes minoritárias. Recentemente, no entanto, a gordura suína vem dando sinais de que pode aumentar sua participação. Nos primeiros seis meses deste ano, ela ficou com quase 1,1% do mercado nacional. Apenas quatro outras fontes de óleos e gorduras – incluindo aí a soja e o sebo – conseguiram ultrapassar essa marca.
Palma
A palma-de-óleo também está um pouco mais perto de se tornar uma opção para a indústria. Entre 2011 e 2015, a área plantada dedicada à essa oleaginosa mais do que dobrou – de 100 mil para 235 mil hectares. Já são mais de 500 mil toneladas de óleo ao ano e a produção deverá avançar a medida que mais desses dendezais atinjam a maturidade.
É pouco perto do potencial brasileiro. O Zoneamento Agroecológico da palma identificou 7 milhões de hectares aptos a serem cultivados em áreas já antropizadas, ou seja, sem a necessidade de abrir novas áreas agrícolas. Apesar disso, a produção deve avançar lentamente, a expectativa é que a cultura chegue em 2030 com uma área plantada de 600 mil hectares – menos de 10% do que seria possível.
Com uma produtividade média de 4 toneladas de óleo por hectare plantado. Serão produzidos 2,4 milhões de toneladas de óleo de palma anualmente a partir de 2030. Pouco mais de metade desse volume poderá ser destinado à produção de biodiesel segundo estimativas das associações dos fabricantes deste biocombustível que apontam que até 8% do biodiesel brasileiro será fabricado a partir desta matéria-prima.
Outras
E mesmo fontes menores de óleos e gorduras poderiam sair beneficiadas pelo aumento no mercado. A expectativa é que elas representem cerca de 7% do mercado em 2030 com 1,3 bilhão de litros de biodiesel fabricado.
Isso poderá abrir novas perspectivas comerciais para oleaginosas que, hoje, tem menos volume bem como incentivar a formação de arranjos produtivos voltados à coleta e reciclagem de óleo de cozinha usado.
Chamado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, o documento foi entregue na quinta-feira (06) a representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e é resultado do Seminário de Alinhamento das Instituições do Setor de Biocombustíveis ocorrido no último dia 19 de setembro. Ao longo dos últimos dias BiodieselBR.com destrinchou alguns dos tópicos mais importantes desse documento. O resultado pode ser conferido clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com