BiodieselBR
Publicidade

Os diferentes tipos de glicerina e seus nomes

NomesGlicerina 010914Existem vários tipos de glicerina e muitos mais nomes para ela. Saiba as diferenças e os nomes corretos para cada tipo.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O mercado de glicerina não é negócio para amadores. Se for para ser mesmo rigoroso, a glicerina sequer existe.

Para a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na sigla em inglês) que vem a ser o órgão responsável por padronizar os nomes das substâncias químicas, o nome correto é glicerol ou propano-1,2,3-triol.

NomesGlicerina 010914
O mercado de glicerina não é negócio para amadores. Se for para ser mesmo rigoroso, a glicerina sequer existe. Para a União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na sigla em inglês) que vem a ser o órgão responsável por padronizar os nomes das substâncias químicas, o nome correto é glicerol ou propano-1,2,3-triol. 

Contudo, glicerina acabou se consagrando como o nome comercial do produto químico cujo principal componente venha a ser o glicerol. É aí que começa outra confusão: dependendo do quanto sua glicerina for pura, você pode misturá-la até na comida sem maiores receios, mas, dependendo do que mais tiver nela, os resultados podem ser, literalmente, catastróficos.

Para descrever adequadamente os diferentes tipos de glicerina que há no mercado, as empresas do setor desenvolveram um jargão próprio que, nem sempre, é acessível a quem olha do lado de fora. Até porque ele é usado de forma bastante liberal e com diferenças bastante significativas entre a terminologia utilizado nos mercados interno e internacional.

Para montar essa lista de referência, BiodieselBR.com conversou com a diretora da Lumina Trading, Carla Vilas Boas, e com o diretor executivo da Prisma Brazil, Moisés Rocha.

Na escala de qualidade o ponto mais baixo cabe à glicerina bruta que, segundo Rocha, é o termo usado no mercado interno para descrever a glicerina que sai diretamente do processo de produção do biodiesel antes da cisão dos ácidos graxos e da recuperação do metanol. Ela tem algo entre 30% e 50% de glicerol e embora fosse bastante comum no começo do programa biodiesel, hoje já é relativamente difícil encontrar usinas que vendam esse produto. “Ela representa a ineficiência de uma planta de biodiesel porque, ao não recuperar o metanol e os ácidos graxos a usinas perde dinheiro porque ambos têm preços mais elevado”, explica o executivo. 

Subindo um degrau na escala, temos a glicerina loira que é chamada assim por sua coloração amarela. Normalmente o produto tem concentração de glicerol entre 70% e 85% e não tem presença expressiva de ácidos graxos e metanol. 

Contudo esse termo é usado exclusivamente aqui no Brasil, no mercado internacional, segundo Carla explica à BiodieselBR.com, qualquer glicerina com teor de glicerol abaixo de 90% é chamada de crude glycerin (glicerina crua ao pé da letra). Não raro, os fabricantes locais equivalem a glicerina crua à bruta, o que não é uma comparação adequada.

“Os clientes internacionais normalmente solicitam ‘glicerina crua com mínimo de 80% de glicerol’. No Brasil, quando [os fabricantes] falam em glicerina crua, normalmente, eles estão falando de uma glicerina com teor inferior”, explica Carla. 

Refinada
Acima da glicerina loira chegamos ao produto refinado ou destilado. Ela precisa passar por um processo de purificação que a deixa livre de umidade, ésteres e sais e tem, no mínimo, 98% de glicerol. 

Mas isso não encerra completamente a questão. Por um lado há a glicerina refinada de grau técnico que é um produto grau de exigência alta, mas não o maior, por se destinar exclusivamente a aplicações industriais. “O grau técnico tem mais flexibilidade na cor”, explica Rocha.

O ponto mais alto é a glicerina refinada grau USP com mínimo de 99,5% de glicerol. “É a que atende às especificações exigidas pela United States Pharmacopeia”, diz Carla acrescentando que empresas que esse é a qualidade exigida para a glicerina que será usada nas indústrias farmacêutica e de cosméticos.

Adicionalmente, há fabricantes que tomam medidas para certificar seu produto como kosher ou halal. Essas duas certificações não dizem tanto respeito à qualidade do produto em si, mas atestam que o produto atende às restrições alimentares religiosas das comunidades judaicas e muçulmanas e são, portanto, mais valorizadas pela indústria alimentícia de países com grandes populações de origem judaica e/ou islâmica. 

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar: