Descoberta poderá viabilizar o aproveitamento comercial das emissões de CO2 geradas em processos industriais
Dentro em breve a glicerina poderá ganhar uma nova – e nobre – utilidade. Uma tecnologia de eletrólise que está sendo desenvolvida por pesquisadores na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, usa o coproduto da produção de biodiesel para quebrar átomos de carbono e de oxigênio que formam o gás carbônico e recombiná-los para formar novas moléculas. Os resultados foram publicados na respeitada revista Nature.
Dentro em breve a glicerina poderá ganhar uma nova – e nobre – utilidade. Uma tecnologia de eletrólise que está sendo desenvolvida por pesquisadores na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, usa o coproduto da produção de biodiesel para quebrar átomos de carbono e de oxigênio que formam o gás carbônico e recombiná-los para formar novas moléculas. Os resultados foram publicados na respeitada revista Nature.
A ambição dos pesquisadores é sua técnica permita dar um destino útil às toneladas de gás carbônico emitidas todos os anos por grandes plantas industriais e que, atualmente, acabam despejadas na atmosfera agravando os problemas das mudanças climáticas.
De quebra o processo tornaria possível sintetizar diversas moléculas que hoje são produzidas a partir do refino do petróleo como o etileno que é usado como matéria-prima na produção de plásticos.
Mais econômica
Embora já fosse conhecida, a eletrólise – uso de eletricidade para decompor uma molécula – do gás carbônico em oxigênio e carbono consome energia demais para ser comercialmente viável. Usando glicerina, no entanto, os pesquisadores conseguiram reduzir a energia necessário para a reação em 53%.
Isso acontece porque, nas técnicas atuais, o CO2 precisa ser diluído num líquido eletrólito baseado que acaba, também, sendo decomposto e gerando oxigênio durante o processo e consumindo boa parte da energia investida. “Cerca de 90% da energia requerida durante a redução [eletrolítica] convencional do CO2 acaba indo para a produção de oxigênio que é um produto que não tem um mercado tão interessante”, diz o professor de engenharia química e biomolecular e um dos coautores do estudo, Paul Kenis.
Em busca de uma alternativa, os pesquisadores acabaram chegando à glicerina. Embora ela também seja decomposta durante o processo consumindo parte da energia disponível, o coproduto do biodiesel acabou se mostrando eficaz em reduzir consumindo total. “A reação de eletrólise baseada em glicerina vem se mostrando promissora”, anima-se Kenis destacando que o processo é flexível o suficiente para usar ainda outros resíduos industriais de origem orgânica.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com