Glicerina pode ser matéria-prima para plástico biodegradável
Pesquisadores do Instituto Federal Tecnológico de Zurique estão usando glicerol para a produção de bioplasticos biodegradáveis e recicláveis.
BiodieselBR.com ··3 min de leitura
Texto
Uma pesquisa recentemente publicada pela equipe do Instituto Federal Tecnológico de Zurique (ETH-Zurich), na Suíça, abre um novo – e promissor – campo para o aproveitamento do glicerol coproduto do biodiesel. Os cientistas demonstraram a viabilidade técnica de usar o material na produção de PLA (ácido polilático), tipo de plástico cuja demanda global chegar à casa da milhão de toneladas até 2020.
Uma pesquisa recentemente publicada pela equipe do Instituto Federal Tecnológico de Zurique (ETH-Zurich), na Suíça, abre um novo – e promissor – campo para o aproveitamento do glicerol coproduto do biodiesel. Os cientistas demonstraram a viabilidade técnica de usar o material na produção de PLA (ácido polilático), tipo de plástico cuja demanda global chegar à casa da milhão de toneladas até 2020.
Reciclável e biodegradável, o PLA vem sendo saudado como uma alternativa ambientalmente correta ao PET na fabricação de garrafas e embalagens.
O primeiro passo da equipe liderada pelo professor Konrad Hungerbühler foi converter a glicerina a uma substância intermediária chamada dihidroxiacetona, que nada mais é que um açúcar simples composto por três carbonos. Em seguida, com o auxílio de um catalisador heterogêneo, esse açúcar foi processado para se transformar em ácido láctico – substância base na produção do PLA.
Cooperação
Os pesquisadores do ETH também contaram com o importante apoio da equipe comandada por Javier Pérez-Ramírez, que comanda o laboratório de Engenharia Avançada de Catalisadores. Foram eles que aperfeiçoaram o catalisador utilizado no processo de conversão da glicerina em ácido láctico.
O catalisador desenvolvido pela equipe de Pérez-Ramirez caracteriza-se pela alta reatividade e longa vida útil. É constituído por um mineral microporoso cuja estrutura facilita as reações químicas.
Menos poluente
O novo método descoberto pelos pesquisadores suíços também se mostrou capaz de reduzir as emissões de CO2 em 20% em comparação ao processo tradicional para a produção de ácido lático – por meio da fermentação do açúcar. A cada quilograma de ácido láctico produzido, 6 kg de CO2 são liberados com a nova tecnologia, ante os 7,5 kg emitidos pelo método convencional.
Além disso, os pesquisadores estimam que o lucro potencial com esse novo processo possa ser 17 vezes maior.
"Nossos cálculos são ainda bastantes conservadores", diz Merten Morales, doutorando na ETH de Zurique, que integrou a equipe de pesquisadores. "Partimos do pressuposto de uma matéria-prima de glicerol de relativamente boa qualidade. Mas ele também funciona com glicerol de baixa qualidade, o que é ainda mais barato."
O artigo publicado pelos pesquisadores da ETH de Zurique pode ser acessado clicando aqui.
Cátia Franco – BiodieselBR.com Com informações Futurity