O volume do coproduto embarcado para fora do país caminhou em direção contrária à do faturamento apurado
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) sobre as exportações do país no primeiro mês de 2019, a glicerina está caminhando em direções opostas simultaneamente. O Brasil continua exportando cada vez mais glicerina, mas ganhando cada vez menos pelo produto exportado.
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) sobre as exportações do país no primeiro mês de 2019, a glicerina está caminhando em direções opostas simultaneamente. O Brasil continua exportando cada vez mais glicerina, mas ganhando cada vez menos pelo produto exportado.
Em janeiro, o volume embarcado foi de 39,2 mil toneladas. Não chega a ser um novo recorde, mas representa um crescimento de 43,1% em relação ao montante do coproduto – 27,4 mil toneladas – que o país havia vendido em janeiro de 2018.
Essa boa notícia, no entanto, acaba virando do avesso quando se olha para os ganhos auferidos com o negócio. De US$ 14,2 milhões em janeiro do ano passado, a renda caiu para menos de US$ 11,3 milhões agora.
A contração chega a 20,5%.
Embora o mercado apresente variações mensais bastante consideráveis, o faturamento vem caindo de forma mais ou menos consistente desde abril passado quando as exportações atingiram um pico de US$ 17,6. Já são 35,8% de contração nos ganhos.
Preços em queda
Esse processo vem sendo alimentado por uma queda continua nos preços internacionais da glicerina.
No caso da glicerina bruta, os preços começaram a apontar para baixo em fevereiro passado. Naquele mês, os importadores pagaram, em média, US$ 451,24 pela tonelada da glicerina nacional; no mês passado o valor pago foi de US$ 184,71. A queda acumulada já chega a 59% e trouxe as cotações de volta aos níveis em que estavam em janeiro de 2017.
No segmento de glicerina destilada, a contração foi menos intensa totalizando 42,1%. De US$ 922,53 no auge do mercado para US$ 533,76 em janeiro.
Destilada
Tudo isso está acontecendo justamente num momento em que as usinas fazem novos investimentos para aumentar o valor agregado da glicerina exportada.
Em janeiro, a glicerina destilada representou 29,5% do total embarcado. Desde que a produção de biodiesel começou para valer no país no começo de 2008, essa foi só a segunda vez que o a glicerina de maior valor atinge esse grau de participação do mercado.
No entanto, a outra ocasião em que isso aconteceu – agosto de 2018 – foi um mês bastante atípico em que as exportações caíram de forma bastante abrupta indo de 40 mil toneladas para menos de 15,4 mil toneladas no mês seguinte. Com isso, o ganho de participação relativo da glicerina destilada foi causada pela rudução da glicerina bruta, e não um aumento no volume da glicerina destilada.
Nos últimos três meses de 2018, a participação da glicerina destilada apresentou um ganho mais consistente, atingindo uma média de 26,5%. Nos últimos dois anos, a média ficou abaixo de 21%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com