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Granol será a primeira a certificar biodiesel de soja no Renovabio

Grupo apresentou a documentação referente à certificação da usina de Porto Nacional para consulta pública

BiodieselBR.com 4 min de leitura

O setor de biodiesel finalmente entrou de corpo inteiro no Renovabio. Pela primeira vez, um grupo do setor está tentando certificar biodiesel produzido a partir de óleo de soja. Quem quebrou o gelo foi a Granol. A empresa apresentou nessa quinta-feira (12) a documentação referente ao processo de certificação de sua unidade produtiva em Porto Nacional (TO).

O setor de biodiesel finalmente entrou de corpo inteiro no Renovabio. Pela primeira vez, um grupo do setor está tentando certificar biodiesel produzido a partir de óleo de soja. Quem quebrou o gelo foi a Granol. A empresa apresentou nessa quinta-feira (12) a documentação referente ao processo de certificação de sua unidade produtiva em Porto Nacional (TO).

A planta tem capacidade instalada para fabricar até 288 milhões de litros de biodiesel por ano o que faz dela a 11ª maior do país. No ano passado, ela foi a responsável pela produção de 85,1 milhões de litros – 1,6% do total fabricado pela indústria no período.

Soja fora

Até o momento, todas as 10 usinas cujos processos de adesão ao Renovabio já chegaram – ou superaram – na etapa de consulta pública optaram pelo caminho mais curto. Elas estão certificando somente o biodiesel feito com gordura animal, óleos recuperados e outros resíduos e deixando a fração produzida com óleos vegetais para mais tarde.

Com isso, menos da metade do biodiesel produzido por esses fabricantes será considerado na hora de emitir Créditos de Descarbonização (CBios). Dos 2,46 bilhões de litros que essas usinas podem colocar no mercado, menos de 1,1 bilhão de litros – 44,5% – devem ser certificados.

Menos resistência, Maior retorno

A decisão tem razão de ser. O atendimento das regras de elegibilidade da biomassa usada por fabricantes biocombustíveis que participem do Renovabio tem se mostrado particularmente difícil para o setor de biodiesel.

Para comprovar que seu biodiesel não vem de soja planta em áreas desmatadas depois da data limite de 27 de novembro de 2018 ou de propriedades agrícolas com irregularidades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), os fabricantes teriam que mapear a situação em alguns milhares de fornecedores agrícolas. Algo nada banal.

De quebra, o biodiesel de sebo é consideravelmente mais limpo do que o feito com óleo soja. A cada 364,7 litros de biodiesel de sebo um CBio é gerado contra um para cada 504,3 litros de biodiesel de soja.

Granol

É uma realidade retratada nos números apresentados pela Granol. Porto Nacional terá a menor Nota de Eficiência Energético-Ambiental (NEEA) entre todas as usinas de biodiesel com apenas 46,7 gCO2eq/MJ o que a permitiria emitir um CBio para cada 645,8 litros fabricados. Até agora, o pior resultado entre as usinas que já abriram seus dados havia sido o da PBio de Montes Claros que pode gerar um CBio gerado a cada 392,7 litros de biodiesel.

O desempenho ambiental relativamente mais fraco não é a única dificuldade enfrentada pela Granol. Para conseguir contornar as maiores dificuldades envolvidas no processo de certificação de oleaginosas, a planta teve que limitar sua certificação a apenas 17% de sua produção. O montante corresponde à parcela da matéria-prima da usina que vem de áreas próprias e de parceiros que atendem aos requisitos legais.

Essa fração permite que a Granol emita um pouco mais de 76 mil CBios por ano contra um teto de 445,9 mil CBios caso 100% da capacidade produtiva fosse elegível.

Caso o preço de mercado dos CBio fique por volta dos US$ 10 – de acordo com as projeções mais recentes do MME –, o faturamento da empresa com a venda dos títulos ficaria em US$ 760,4 mil. Seria o equivalente a R$ 3,13 milhões pela cotação de hoje.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
 

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