Representantes do setor vem se opondo aos novos aumentos da mistura obrigatória
Representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT) voltaram apresentar objeções ao aumento da mistura de biodiesel no óleo diesel fóssil ao Ministério de Minas e Energia (MME). As queixas do setor foram tratadas durante reunião com o diretor do Departamento de Biocombustíveis, Marlon Arraes, realizada nessa terça-feira (22). A associação cobrou a realização de “estudos independentes” sobre o uso de biodiesel nos motores atuais.
A CNT se opõe publicamente à elevação da mistura acima do B10 que foi aprovada em março pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). No final de fevereiro, a representação das transportadoras chegou a publicar uma nota na qual acusava a mistura de biodiesel de causar “panes súbitas” em ônibus e caminhões e de gerar impactos inflacionários.
Essa nota foi o primeiro salvo em mais uma rodada das polêmicas periódicas pelas quais a cadeia do biodiesel passa de tempos em tempos.
Problemas
Durante a reunião desta terça-feira, a CNT voltou a relatar que as transportadoras têm relatado problemas mecânicos com suas frotas que podem estar relacionados ao uso de misturas de biodiesel maiores do que 10%. “Temos recebido queixas dos transportadores à medida que os teores de biodiesel no diesel vão evoluindo e causando prejuízos às frotas”, observou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista, acrescentando, contudo, que a entidade “sempre apoiou os biocombustíveis”.
Para tentar resolver a questão, a CNT defendeu a realização de uma rodada de testes de motores para tentar identificar o que poderia estar por trás dos relatos de seus associados. Seria uma nova versão do programa de ensaios realizado entre 2016 e 2019 que terminou com a liberação do uso de misturas de biodiesel até 15% no mercado brasileiro.
Além dos testes, a CNT defende a busca de novas rotas tecnológicas para a produção de combustíveis alternativos ao diesel fóssil diferentes do biodiesel. Entre os quais, o diesel verde que ainda não é produzido de forma comercial no Brasil.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações da Agência CNT