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Temer não cumpre promessa do RenovaBio ao setor

Presidente Michel Temer descumpre promessa e deixa setor de biocombustíveis sem resposta sobre o lançamento do RenovaBio.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Acreditar em promessas de políticos nunca é algo lá muito aconselhável. Quando o político é o presidente do país, porém, seria de se esperar um grau maior de confiabilidade. Em reunião com representantes do setor de biodiesel e etanol ocorrida em 04 de julho, o presidente Michel Temer disse que daria uma resposta sobre o RenovaBio em 30 dias.

Acreditar em promessas de políticos nunca é algo lá muito aconselhável. Quando o político é o presidente do país, porém, seria de se esperar um grau maior de confiabilidade. Em reunião com representantes do setor de biodiesel e etanol ocorrida em 04 de julho, o presidente Michel Temer disse que daria uma resposta sobre o RenovaBio em 30 dias.

Quem acreditou, fez as contas e concluiu que, no máximo até o dia 02 de agosto, a população saberia o destino que o RenovaBio teria. Mas já passaram 60 dias e, até agora, o presidente Temer não emitiu nenhuma manifestação pública sobre o RenovaBio – nem positiva, nem negativa. Vale lembras que a promessa do presidente veio num momento em que ele buscava apoio do Congresso para impedir que fosse instaurada ação contra ele no STF.

Não acredito que ele tenha prometido uma resposta ao setor de biocombustíveis para angariar apoio das frentes parlamentares que apoiam a iniciativa. Mas eu acreditei que ele daria a resposta em 30 dias.

O prazo de validade da promessa expirou e ninguém cobrou o presidente. Nenhuma associação ou personalidade do setor apontou o dedo para dizer que ele estava descumprindo uma promessa. Os grandes interessados no programa não exigiram que ele honrasse sua palavra. Pode parecer ingênuo querer que o presidente cumpra o que prometeu em uma reunião com empresários e parlamentares em meio a tantos casos de corrupção apontados pelo Ministério Público. Mas aqui a promessa foi feita às claras pelo presidente na frente do setor, não em gravação escondida ou contada por um delator.

Para piorar a situação, tanto o setor de biodiesel como o de etanol, diminuíram a pressão política sobre o governo. Continuaram acontecendo discussões técnicas, novos trabalhos foram realizados, várias palestras foram ministradas explicando o programa e mostrando sua importância, mas a vontade política de fazer o RenovaBio sair do papel minguou. E sem a pressão constante sobre a cúpula governamental, o RenovaBio foi para a vala das discussões técnicas.

E o lugar onde moram as discussões técnicas é o mesmo em que as ideias de um governo morrem.

Quando um governo quer mesmo fazer algo acontecer, as discussões técnicas terminam acontecendo depois que a decisão política está tomada. O RenovaBio já está tecnicamente muito bem elaborado, mas, mesmo assim, a Casa Civil continua usando questionamentos técnicos para dificultar o andamento do programa. Os técnicos do governo não têm muito que fazer, a não ser apresentar as respostas solicitadas. Contudo, o setor produtivo não tem a mesma obrigação.

As usinas precisam mostrar ao presidente como o país está perdendo com a demora na publicação da MP do RenovaBio. São empregos, investimentos e desenvolvimento no interior do país que estão sendo postergados. As contas do tamanho do benefício que o RenovaBio vai trazer já foram feitas e talvez o presidente Temer já as conheça.

Quem já entendeu o RenovaBio e conhece as realidades do setor de biodiesel e sucroenergético do Brasil, tem dificuldade para entender por que o governo não aprova o RenovaBio logo de uma vez. Quais são os argumentos contrários? Quando colocados em uma balança com os benefícios do RenovaBio, fica difícil de acreditar que o prejuízo seja maior.

O mais provável é que o presidente Temer, o ministro Padilha e seus subchefes da Casa Civil saibam de tudo isso. E o governo esteja usando o RenovaBio como uma cenoura na frente do cavalo do setor de biocombustíveis. Enquanto a cenoura estiver na frente, o cavalo vai seguir caminhando para o lado que o governo quiser enquanto acha que está chegando cada vez mais perto da cenoura.

É preciso ter em mente que esse governo precisa mais de apoio do setor do que o contrário. O setor vem amargando uma situação ruim há muitos anos e sobrevive mais alguns meses. O mesmo talvez não possa ser dito do atual governo.

Está mais do que na hora de exigir que o presidente cumpra com atraso sua promessa e diga se o RenovaBio será lançado pelo executivo ou não e quando. Se a resposta for negativa, há dezenas de deputados que podem apresentar um projeto de lei do RenovaBio. O setor não pode é continuar eternamente refém de uma decisão que não vem.

Miguel Angelo Vedana - BiodieselBR.com
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