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Oferta e demanda para o 53º Leilão de Biodiesel

Na próxima semana teremos a – tão antecipada – estreia do B8 e o setor já faz as contas para saber se o aumento da mistura trará o alívio esperado.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Na próxima semana teremos a – tão antecipada – estreia do B8 com a compra do biodiesel que irá abastecer o mercado durante os meses de março e abril. Por esse motivo, o setor produtivo está aguardando com expectativa pelo dia 07 de fevereiro que é quando o processo de negociação realmente começa com as ofertas das usinas.

Na próxima semana teremos a – tão antecipada – estreia do B8 com a compra do biodiesel que irá abastecer o mercado durante os meses de março e abril. Por esse motivo, o setor produtivo está aguardando com expectativa pelo dia 07 de fevereiro que é quando o processo de negociação realmente começa com as ofertas das usinas.

O fator principal de preocupação para os fabricantes é saber se – e quanto – o B8 será capaz de amenizar o desgaste econômico causado pelo excesso de oferta no mercado. Bem como, compensar os efeitos da redução do consumo de diesel provocada pela prolongada crise da economia brasileira. Nos leilões com entregas em 2016 e 2017 as distribuidoras compraram entre 91,17% e 71,26% do biodiesel ofertado pelas usinas. Quando a demanda ficou próxima dos 90% da oferta, as usinas conseguiram um bom preço pelo biodiesel; já, quando essa relação fica perto dos 80%, a receita auferida pelas usinas não trouxe o retorno desejado.

Oferta

Como é um fato que a demanda crescerá com o B8, a maior dúvida fica mais por conta da oferta do que das aquisições. Os leilões para o segundo bimestre costumam ser bastante disputados pelas usinas. Em 2016, o Leilão 47 foi certame que teve a maior oferta de biodiesel do ano, se os números do ano anterior simplesmente se repetissem, teríamos 837,5 mil m³. Esse é o patamar que podemos considerar o piso para essa disputa.

Por outro lado, as usinas podem querer aproveitar o aumento da mistura de biodiesel para vender mais. Se essa for a estratégia das usinas, a oferta poderá acabar sendo bem maior.

Levando em consideração o que as usinas habilitadas para o L53 ofertaram no Leilão 52 – acrescida da ampliação de capacidade de algumas unidades e do novo perfil de oferta de outros players –, projetamos um teto próximo de 896 mil m³.

Essa vontade de vender mais marcou o primeiro leilão do B6. As usinas naquele momento ofertaram muito mais que o esperado. Foi a primeira vez que tivemos um leilão com oferta acima de 800 mil m³ (814,9 mil m³). Essa oferta gigante esmagou as margens das usinas e fez o primeiro leilão do B6 ser pior em rentabilidade que o último do B5.

Demanda

A demanda nesse leilão será a maior já vista em um leilão bimestral. Nossa projeção coloca as compras entre 718 e 728 mil m³. Esse cenário já considera uma redução no consumo de diesel de 2% na comparação com o ano passado.

Desse total seriam retirados efetivamente 697 mil m³, o equivalente a 97% do volume comprado.

Se essa redução de 2% for confirmada, será o terceiro ano seguido com retração na demanda de diesel para o bimestre. Em 2014 foram retirados 99,5 mil m³ de biodiesel para cada ponto percentual de mistura (497,7 mil m³ no total). Em 2015 houve uma queda para 92,9 mil m³ e em 2016 o volume ficou em 88,9 mil m³. A expectativa para o 2º bimestre desse ano é que as retiradas fiquem em 87,1 mil m³ para cada ponto percentual.

Imaginando que o país não tivesse vivido uma redução na demanda de diesel desde 2013 e as retiradas das distribuidoras tivessem se mantido nos 99,5 mil m³ por ponto percentual de mistura, neste leilão seriam comprados cerca de 821 mil m³. Indo mais longe na imaginação, se o consumo de diesel tivesse crescido 2% ao ano desde 2014 a demanda de B8 no L53 seria de 871 mil m³ – 150 mil m³ a mais do que deve realmente acontecer.

Voltando a realidade, com uma demanda de 720 mil m³ e uma oferta abaixo de 850 mil m³ não será preciso reduzir demasiadamente o preço do biodiesel. O volume que sobrar é aquele que as usinas colocam para vender apenas em condições de preço excepcionalmente boas. Não é o biodiesel que entra no certame para ser vendido.

Por outro lado, se a oferta ficar próxima dos 900 mil m³ a disputa entre as usinas será um pouco mais acirrada.

O primeiro leilão do B8 está comprando o que se esperava para o B7, só que hoje temos menos usinas na disputa do que tínhamos quando o B7 entrou em vigor em novembro de 2014. Mas as usinas que ficaram têm uma capacidade real muito mais próxima da nominal. Essa balança continua com o lado da oferta mais pesada que a demanda e o equilíbrio só deve aparecer com a chegada do B9.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
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