Dados da ANP mostram recuo de quase cinco pontos percentuais na participação da soja no mix de matérias-primas do setor
A participação do óleo de soja no mix de matérias-primas do setor de biodiesel voltou a ficar abaixo do limitar de 70% pela primeira vez desde março. Segundo dados divulgados nessa segunda-feira (22) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a soja representou menos de 69,3% do total de biodiesel fabricado pelas usinas no período – queda de 4,9 pontos percentuais em relação ao mês anterior quando apresentou uma fatia equivalente a 74,1% do mercado.
A participação do óleo de soja no mix de matérias-primas do setor de biodiesel voltou a ficar abaixo do limitar de 70% pela primeira vez desde março. Segundo dados divulgados nessa segunda-feira (22) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a soja representou menos de 69,3% do total de biodiesel fabricado pelas usinas no período – queda de 4,9 pontos percentuais em relação ao mês anterior quando apresentou uma fatia equivalente a 74,1% do mercado.
Por um lado, esse movimento reflete um comportamento bastante típico do mercado de biodiesel que tende a buscar outras matérias-primas com maior intensidade a partir do mês de julho em função do aprofundamento entressafra da soja.
Este ano, no entanto, a situação está sendo potencializada pela guerra comercial entre a China e os Estados Unidos que está obrigando o gigante asiático a buscar mais soja brasileira e aumentando a disputa pelo grão no mercado interno.
Até setembro, 77 milhões de toneladas do grão já haviam sido embarcados para fora do país segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).
A produção de biodiesel de óleo de soja em setembro foi de 334,1 milhões de litros. Essa é uma queda de aproximadamente 26,8 milhões de litros em relação a agosto.
Soja processada
Para atender à demanda do setor de biodiesel, foi necessário processar o equivalente a 1,6 milhão de toneladas de soja em grão. O montante é 7,3% menor do que em agosto.
Em relação ao ano passado, no entanto, houve aumento de 19,6% no processamento de soja alavancado pela produção de biodiesel.
Desconhecidas e sebo
Para compensar a redução da oferta de soja no mercado, as usinas buscaram principalmente as matérias-primas desconhecidas – chamadas pela ANP de ‘outros materiais graxos’ – que avançaram 3,4 pontos percentuais de mercado entre agosto e setembro ficando com 10,3% do total. Esse foi a primeira vez em sete meses que as desconhecidas voltaram a registrar participação acima de 10 pontos percentuais do mercado.
Em termos volumétricos a produção que beirou os 50 milhões de litros. Esse é o maior resultado mensal para as desconhecidas desde o começo do programa de biodiesel, o recorde anterior era de maio de 2017 quando as desconhecidas tiveram participação de 12% do mercado atingindo 44,3 milhões de litros.
Até agora, já temos 349,2 milhões de litros de biodiesel fabricado a partir de matérias-primas não discriminadas pelos produtores de biodiesel. Trata-se de um crescimento de 9,3% em relação ao volume fabricado no mesmo período do ano anterior.
O mês também foi bom para o sebo bovino que ficou com 13,3% da demanda das usinas. A produção passou um pouco de 64 milhões de litros no mês totalizando 517 milhões de litros de biodiesel produzidos entre janeiro e setembro.
O crescimento na parcial do ano é até mais robusto – de 25,6% – o recorde, no entanto, ainda não está próximo. Em 2015, a produção de biodiesel de sebo nos nove primeiros meses do ano chegou perto dos 536,8 milhões de litros.
Algodão
A retomada da produção nacional de algodão também está ajudando a compensar a restrição na oferta de soja. O óleo de algodão – que já foi a terceira principal fonte de biodiesel do Brasil – atingiu a marca de 2% do mercado em setembro. Essa é a fatia desde outubro de 2016.
A produção declarada foi de 9,7 milhões de litros. Esse foi o maior volume biodiesel fabricado a partir do óleo de algodão nos últimos 34 meses – em novembro de 2015 a produção se aproximou de 13,5 milhões de litros.
Já as demais matérias-primas perderam um pouco de espaço ficando com 5,1% do mercado de produção de biodiesel distribuídas entre 6 óleos e gorduras – uma a mais do que em agosto. Juntas elas representaram 24,5 milhões de litros de biodiesel fabricado.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com