Segundo dados relatados pelas usinas à ANP, o óleo de soja representou mais de 75,5% da produção brasileira de biodiesel
Embora tenha perdido um pouco da dianteira que já teve no setor de biodiesel, nos últimos meses a soja vem ensaiando dar a volta por cima. No mês de junho, os dados compilados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a oleaginosa ampliou novamente sua liderança entre as matérias-primas consumidas pelas usinas brasileiras e bateu a marca de 75,5% de participação do mercado – a maior em quase três anos.
Embora tenha perdido um pouco da dianteira que já teve no setor de biodiesel, nos últimos meses a soja vem ensaiando dar a volta por cima. No mês de junho, os dados compilados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a oleaginosa ampliou novamente sua liderança entre as matérias-primas consumidas pelas usinas brasileiras e bateu a marca de 75,5% de participação do mercado – a maior em quase três anos.
A última vez que a soja abocanhou uma fatia tão ampla do mercado de biodiesel havia sido em outubro de 2016 quando a participação foi de – idênticos – 75,5%.
O aumento na participação da soja no mix de matérias-primas do biodiesel é um comportamento bastante típico para a indústria durante o primeiro semestre. Período em que a oferta do grão aumenta em função da colheita da safra. Entre 2014 e 2018, a curva de utilização da soja cresceu de forma contínua entre janeiro e maio, atinge um platô entre maio e julho e, então, começa a cair.
Este ano, no entanto, a curva ascendente só começou depois de fevereiro. Em compensação ela se manteve firme no mês passado – quando já deveria apresentar os primeiros sinais de enfraquecimento. Com isso, a participação de junho de 2019 praticamente empata com a média dos últimos cinco anos – 76,1%.
2ª e 3ª
O ganho da soja aconteceu principalmente às expensas das participações do sebo bovino e das matérias-primas desconhecidas. Ambas tiveram peso de mercado abaixo da marca de 10% no mês de junho.
Embora, o peso da gordura bovina no mercado venha caindo de forma consistente desde 2014, o resultado de 9,2% apurado em agora é atípico. Desde que a ANP passou a compilar dados sobre o consumo de matérias-primas pelo setor de biodiesel em apenas dois meses – julho e agosto de 2011 – a percentual ficou abaixo do atual.
Já as desconhecidas ficaram com pouco menos de 9% do mercado. Esse é o pior resultado desde agosto de 2018, quando essa classe de óleos e gorduras – chamada pela ANP de outros materiais graxos – atendeu menos de 7% da demanda.
Além da soja, no mês de junho apresentaram crescimento o óleo de fritura reaproveitado, que avançou 0,7 ponto percentual em relação a maio, ficando teve 1,7%, e a gordura suína, que fechou em 1,8% – 0,3 ponto a mais.
Produção
Considerando os números preliminares sobre a atividade da indústria divulgados pela ANP, foram fabricados mais de 325,5 milhões de litros de biodiesel de soja em junho. O volume é praticamente idêntico – queda de 0,9% – ao registrado no mês anterior, mas está cerca de 4,7% abaixo da quantidade que foi fabricada um ano atrás.
Para abastecer à demanda do mercado de biodiesel, foi necessário o esmagamento de 1,56 milhão de toneladas de soja em grão.
Considerando o primeiro semestre como um todo, a produção de biodiesel de soja passou dos 1,87 bilhão de litros o que corresponde a 70,1% do mercado total – ligeiramente menor do que os 70,5% registrados nos primeiros seis meses de 2018. Isso exigiu o processamento de 8,98 milhões de toneladas de soja.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com