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Participação do óleo de soja fica abaixo de 70% da produção de biodiesel em 2019

Com 67,8%, fatia da soja foi a menor desde que a ANP começou a publicar dados sobre as matérias-primas do biodiesel brasileiro

BiodieselBR.com 4 min de leitura

A indústria nacional de biodiesel continua muito dependente da soja. Mas, agora, um pouquinho menos. Pela primeira vez desde os números relativos ao consumo de matérias-primas pelas usinas começaram a ser devidamente contabilizados em 2009, a participação da principal oleaginosa brasileira fechou um ano abaixo de 70%. Para ser mais preciso, segundo os dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 67,8% do biodiesel fabricado em 2019 foram feitos a partir de óleo de soja.

A indústria nacional de biodiesel continua muito dependente da soja. Mas, agora, um pouquinho menos. Pela primeira vez desde os números relativos ao consumo de matérias-primas pelas usinas começaram a ser devidamente contabilizados em 2009, a participação da principal oleaginosa brasileira fechou um ano abaixo de 70%. Para ser mais preciso, segundo os dados mais recentes divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 67,8% do biodiesel fabricado em 2019 foram feitos a partir de óleo de soja.

Não é foi no ano passado que a – ainda folgada – liderança da soja no mercado do biodiesel começou a dar sinais de queda. Entre 2010 e 2011, ela representou mais de 80,2% do biocombustível fabricado. Entre 2012 e 2016, a soja se estabilizou nas redondezas dos 75% de participação. De 2017 em diante, ela perdeu um pouco mais do mercado e passou a beirar os 70%.

 

 

Protagonistas

Os principais responsáveis pela mudança na matriz de óleos e gorduras utilizadas pelas usinas são as ‘matérias-primas desconhecidas’ e o conjunto de matérias-primas minoritárias. Ambos tiveram sua maior parcela de participação no mercado em toda a história do setor – com, respectivamente, 11,4% e 8,3%.

Já o sebo bovino que, tradicionalmente, ocupa a vice-liderança da produção tem caminhado para trás ao longo dos últimos cinco anos. Em 2019, o subproduto da indústria frigorífica teve 11,4% do mercado superando as ‘desconhecidas’ por uma margem de ínfimos 0,01%.

Queda com recorde

Mesmo que esteja perdendo espaço em termos relativos, o consumo de óleo de soja pela indústria continua em crescimento. Em 2019, a demanda das usinas superou a marca dos 4 bilhões de litros pela primeira vez. Isso equivale ao óleo resultante do esmagamento de 19 milhões de toneladas de soja em grão.

O processo foi embalado pela expansão da produção de biodiesel no país como um todo. No último ano, o nível de atividade usinas aumentou cerca de 10% totalizando 5,9 bilhões de litros.

O aumento na produção também ajudou a alavancar a produção a partir de outras matérias-primas. Cerca de 673,5 milhões de litros de biodiesel foram fabricados a partir de fontes ‘desconhecidas’ de óleos e gorduras, avanço de 29,3% em relação ao ano anterior. As minoritárias tiveram um crescimento de 49%, atingindo 487,2 milhões de litros.

Fora da curva

Vale ressaltar que uma parte significativa do bom desempenho das fontes minoritárias veio de um resultado para lá de inesperado em novembro. No penúltimo mês do ano passado, as usinas consumiram surpreendentes 119,7 milhões de litros de óleo de milho.

O raio não caiu uma segunda vez no mesmo lugar. Em dezembro, a produção de biodiesel com óleo de milho ficou abaixo de 0,4% totalizando 1,9 milhões de litros.

Se descontássemos a distorção provocada pelo consumo fora da curva para o óleo de milho, as fontes minoritárias ainda teriam ficado com 6,2% do mercado. Esse ainda seria o melhor resultado para a categoria e com um modesto crescimento em relação à 2018. Certamente, no entanto, ele seria bem menos vistoso que o número final do ano.

Mas o biodiesel feito de óleo de milho deve apresentar crescimento nos próximos anos. Isso porque o Brasil vem expandindo rapidamente a produção de etanol de milho. E é o óleo extraído do grão que vai virar etanol que está sendo usado para produzir biodiesel.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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