Em 2017 um em cada dez litros de biodiesel foi fabricado a partir de fontes indeterminadas de óleos e gorduras
A matriz de matérias-primas das industrias de biodiesel prosseguiu, no ano passado, caminhando na direção de uma maior diversificação de óleos e gorduras; essa é uma tendência que havia começado a dar seus primeiros sinais de vida em 2016.
A matriz de matérias-primas das industrias de biodiesel prosseguiu, no ano passado, caminhando na direção de uma maior diversificação de óleos e gorduras; essa é uma tendência que havia começado a dar seus primeiros sinais de vida em 2016.
Em 2017, a dependência do setor em relação ao óleo de soja e ao sebo bovino recuou para menos de 84%. Essa é a primeira vez, nos últimos cinco anos, que a fatia de mercado reservada a essas duas matérias-primas ficou abaixo dos 90%. Com isso, as demais matérias ficaram com uma parcela de 16,1% do mercado. Isso é mais que o dobro do resultado do ano passado – 7,8% – além de ser a maior participação para essas fontes na história do setor.
Desconhecidas
Esse movimento, contudo, está intimamente relacionado ao crescimento impressionante das matérias-primas desconhecidas – agrupadas de forma genérica pela ANP na categoria ‘outros materiais graxos’ – nesses últimos dois anos.
Antes de 2016, esse grupo de óleos e gorduras costumava ter uma participação inferior a 1% no mix do segmento. Já no primeiro semestre de 2016, elas passaram a representar cerca de 2,1% do mercado. A partir de junho de 2016, contudo, elas iniciaram uma escalada impressionante até passaram a superar de forma rotineira a marca dos dois dígitos tornando-se a única outra matéria-prima – além da soja e sebo – a atingir esse nível de representatividade. No mês de março, ela chegou a superar o sebo bovino e tomar a segunda posição no mercado de biodiesel.
Encerrado o ano, as desconhecidas somaram 435,9 milhões de litros de biodiesel fabricados – cerca de 10,1% do total. Em outras palavras, ninguém sabe com que foram feitos um em cada 10 litros de biodiesel fabricados no Brasil durante o ano passado.
Parte desse material pode até mesmo ser óleo de soja misturado com um pouco de sebo ou outra matéria-prima.
Queda com recorde
No caso do óleo de soja, a participação ficou em 70,1%. É uma queda de 6,5 pontos percentuais em relação ao ano passado quando a participação da oleaginosa havia sido de 76,6%. Mas essa redução deve ser relativizada em razão da ANP não saber do que foi feito 10,1% do biodiesel produzido no Brasil.
Essa redução relativa, no entanto, foi mais do que compensada pela chegada do B8. No fim das contas, a produção de biodiesel a partir da soja aumentou em 2017 superando a marca dos 3 bilhões de litros. Com isso, as usinas consumiram o equivalente em óleo ao esmagamento de 14,4 milhões de toneladas de soja em grão. É um recorde para o setor.
Segundo dados preliminares da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, no ano passado, 41,5 milhões de toneladas de soja in natura foram processadas no país – a demanda gerada pela indústria de biodiesel foi responsável direta por um pouco mais de terço desse volume total.
Estável
Já o sebo não conseguiu compensar a perda de participação com a demanda maior de biodiesel. Em termos percentuais o coproduto da atividade frigorífica ficou com 13,7% do mercado de biodiesel no ano passado contra 15,6% em 2016.
Em termos absolutos, a produção de biodiesel de sebo foi de 590 milhões de litros praticamente igualando o volume do ano anterior que foi de 593. O recorde foi em 2015 quando a produção passou um pouco dos 748,4 milhões de litros.
Acima de 1%
Outras três matérias-primas ultrapassaram a barreira de 1% de participação no mercado: gordura de porco (2,2%), óleo de fritura (1,4%) e gordura de frango (1,1%). Os volumes fabricados foram de, respetivamente, 94,3, 59,7 e 46,8 milhões de litros.
Em todos os três casos tivemos recordes.
Já o óleo de algodão que, durante muitos anos, manteve a posição como terceira matéria-prima mais importante para o mercado nacional de biodiesel. Caminhou na direção contrária e não conseguiu atingir a marca e 1% fechando o ano com parcos 0,3% de participação e 12,8 milhões de litros fabricados.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
A matriz de matérias-primas das industrias de biodiesel prosseguiu, no ano passado, caminhando na direção de uma maior diversificação de óleos e gorduras; essa é uma tendência que havia começado a dar seus primeiros sinais de vida em 2016.
Em 2017, a dependência do setor em relação ao óleo de soja e ao sebo bovino recuou para menos de 84%. Essa é a primeira vez, nos últimos cinco anos, que a fatia de mercado reservada a essas duas matérias-primas ficou abaixo dos 90%. Com isso, as demais matérias ficaram com uma parcela de 16,1% do mercado. Isso é mais que o dobro do resultado do ano passado – 7,8% – além de ser a maior participação para essas fontes na história do setor.
Desconhecidas
Esse movimento, contudo, está intimamente relacionado ao crescimento impressionante das matérias-primas desconhecidas – agrupadas de forma genérica pela ANP na categoria ‘outros materiais graxos’ – nesses últimos dois anos.
Antes de 2016, esse grupo de óleos e gorduras costumava ter uma participação inferior a 1% no mix do segmento. Já no primeiro semestre de 2016, elas passaram a representar cerca de 2,1% do mercado. A partir de junho de 2016, contudo, elas iniciaram uma escalada impressionante até passaram a superar de forma rotineira a marca dos dois dígitos tornando-se a única outra matéria-prima – além da soja e sebo – a atingir esse nível de representatividade. No mês de março, ela chegou a superar o sebo bovino e tomar a segunda posição no mercado de biodiesel.
Encerrado o ano, as desconhecidas somaram 435,9 milhões de litros de biodiesel fabricados – cerca de 10,1% do total. Em outras palavras, ninguém sabe com que foram feitos um em cada 10 litros de biodiesel fabricados no Brasil durante o ano passado.
Parte desse material pode até mesmo ser óleo de soja misturado com um pouco de sebo ou outra matéria-prima.
Queda com recorde
No caso do óleo de soja, a participação ficou em 70,1%. É uma queda de 6,5 pontos percentuais em relação ao ano passado quando a participação da oleaginosa havia sido de 76,6%. Mas essa redução deve ser relativizada em razão da ANP não saber do que foi feito 10,1% do biodiesel produzido no Brasil.
Essa redução relativa, no entanto, foi mais do que compensada pela chegada do B8. No fim das contas, a produção de biodiesel a partir da soja aumentou em 2017 superando a marca dos 3 bilhões de litros. Com isso, as usinas consumiram o equivalente em óleo ao esmagamento de 14,4 milhões de toneladas de soja em grão. É um recorde para o setor.
Segundo dados preliminares da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, no ano passado, 41,5 milhões de toneladas de soja in natura foram processadas no país – a demanda gerada pela indústria de biodiesel foi responsável direta por um pouco mais de terço desse volume total.
Estável
Já o sebo não conseguiu compensar a perda de participação com a demanda maior de biodiesel. Em termos percentuais o coproduto da atividade frigorífica ficou com 13,7% do mercado de biodiesel no ano passado contra 15,6% em 2016.
Em termos absolutos, a produção de biodiesel de sebo foi de 590 milhões de litros praticamente igualando o volume do ano anterior que foi de 593. O recorde foi em 2015 quando a produção passou um pouco dos 748,4 milhões de litros.
Acima de 1%
Outras três matérias-primas ultrapassaram a barreira de 1% de participação no mercado: gordura de porco (2,2%), óleo de fritura (1,4%) e gordura de frango (1,1%). Os volumes fabricados foram de, respetivamente, 94,3, 59,7 e 46,8 milhões de litros.
Em todos os três casos tivemos recordes.
Já o óleo de algodão que, durante muitos anos, manteve a posição como terceira matéria-prima mais importante para o mercado nacional de biodiesel. Caminhou na direção contrária e não conseguiu atingir a marca e 1% fechando o ano com parcos 0,3% de participação e 12,8 milhões de litros fabricados.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com