Embora mantenha liderança folgada, óleo de soja vem perdendo espaço no mix de matérias-primas da indústria
O óleo de soja voltou a ganhar espaço na produção de biodiesel no mês de março. De acordo com dados divulgados hoje (25) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a soja ficou com 68,3% do mercado. Esse foi o melhor resultado para a matéria-prima em seis meses.
O óleo de soja voltou a ganhar espaço na produção de biodiesel no mês de março. De acordo com dados divulgados hoje (25) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a soja ficou com 68,3% do mercado. Esse foi o melhor resultado para a matéria-prima em seis meses.
Em termos volumétricos, a produção foi de 315,6 milhões de litros de biodiesel. Trata-se do maior número desde dezembro quando foram fabricados 320,7 milhões de litros de biodiesel de soja.
Esse crescimento não chega a ser surpreendente. Como a colheita da safra brasileira se intensifica a partir de fevereiro; é natural que o mercado esteja abastecido e, consequentemente, as usinas passem a usar mais soja em seus processos produtivos.
Tipicamente, a demanda de óleo de soja pelas usinas de biodiesel atinge seu pico no segundo trimestre coincidindo com a sazonalidade na oferta do grão. A partir daí, entrar em queda chegando a seu ponto mais baixo do ano no quatro trimestre. Costumeiramente, o primeiro trimestre ainda tem participação fraca da soja, mas apresentando inflexão.
Liderança menor
Esse ano, no entanto, parece que temos uma novidade no comportamento da indústria.
A participação da soja no primeiro trimestre de 2019 não só deixou de crescer em relação ao quarto trimestre de 2018 como, ainda por cima, teve seu pior desempenho desde que a ANP passou a acompanhar o mercado em 2009. Do biodiesel fabricado entre o começo de janeiro e o final de março, 67,4% foi fabricado com óleo de soja.
Isso pode sinalizar um novo passo no processo de diversificação da matriz de matérias-primas do setor. Em 2011, tivemos um primeiro passo nesse sentido com a soja caindo para menos de 80% do mercado de forma consistente. Em 2017, a soja desceu outro degrau e passou a pontuar abaixo de 73%.
Sebo e desconhecidas
Sebo e as matérias-primas desconhecidas têm sido os principais drivers desse movimento. No trimestre, essas duas fontes de matérias-primas ficaram com 20,4% do mercado – o maior resultado desde o 4º trimestre de 2013 quando somaram 21,1% do mercado.
Em março, ambas ficaram praticamente empatadas. O sebo teve praticamente 13% do mercado – redução de 0,7 ponto percentual em relação a fevereiro – contra um pouco menos de 12,8% das desconhecidas. A produção de biodiesel a partir das duas matérias-primas ficou em 119,1 milhões de litros de biodiesel.
No caso das matérias-primas desconhecidas, temos um novo recorde tanto em termos de participação quanto em termos de volume absoluto fabricado. As usinas de biodiesel colocaram no mercado um pouco mais de 59 milhões de litros de biodiesel a partir de fontes de óleo e gordura que não são declaradas à ANP pelas usinas.
O recorde anterior era de novembro de 2018 quando a produção passou de 58,3 milhões de litros.
Todas as demais matérias-primas ficaram com 5,3% do mercado. Em fevereiro, foram 6,2%.
Esmagamento
A produção de biodiesel de soja no mês de março absorveu o equivalente em óleo ao esmagamento de 1,51 milhão de toneladas. Essa quantidade é 13,7% maior do que o volume de grão que precisou ser processado em fevereiro para atender à demanda do setor. Foi a maior quantidade de soja processada desde dezembro.
Da virada do ano até agora, as usinas de biodiesel demandaram o esmagamento de 4,28 milhões de toneladas de soja. No mesmo período de 2018, o processamento foi de 3,68 milhões de toneladas – crescimento de 16,4%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com