Com demanda saturada, OCDE e FAO projetam ritmo menor de crescimento para as oleaginosas ao longo da próxima década
Não vai ser só o mercado de biocombustíveis que vai tirar o pé do acelerador na próxima década. A produção de oleaginosas também deverá reduzir seu ritmo de expansão no período entre 2018 e 2027. Essa projeção faz parte do da mais recente edição do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2018-2027 que foi divulgado na última terça-feira (03) em Paris.
Não vai ser só o mercado de biocombustíveis que vai tirar o pé do acelerador na próxima década. A produção de oleaginosas também deverá reduzir seu ritmo de expansão no período entre 2018 e 2027. Essa projeção faz parte do da mais recente edição do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE-FAO 2018-2027 que foi divulgado na última terça-feira (03) em Paris.
De acordo com o documento, a produção global de soja vai avançar cerca de 1,5% ao ano no período observado, menos da metade dos 4,8% que a produção global registrou ao longo da última década. Outras oleaginosas – colza, canola, girassol e amendoim – deverão se sair um pouco melhor crescendo numa base de 1,6% ao ano.
Em termos absolutos, a produção de soja aumentará dos atuais 336 milhões de toneladas para 407 milhões de toneladas. Já as demais oleaginosas irão de 147 para 173 milhões de toneladas. Ao todo teremos 97 milhões de toneladas de grão a mais a mais no mercado.
Brasil e Estados Unidos continuaram travando um duelo particular pela liderança do mercado de soja. Pelas contas da OCDE, os sojicultores dos EUA deverão encerrar a década com uma pequena vantagem sobre os brasileiros – o placar seria de 131 contra 129 milhões de toneladas. O Brasil, no entanto, manterá sua liderança como maior exportador global do grão com 73,2 milhões de toneladas embarcados em 2027.
Os ganhos serão puxados principalmente pelo aumento na produtividade das lavouras uma vez que a expansão da área plantada – especialmente no que diz respeito à cultura da palma-de-óleo – vem sofrendo crescente oposição em virtude de seus impactos ambientais negativos.
Esmagamento
O esmagamento para a produção de farelos e de óleo vegetal prosseguira como o destino da maior parte da produção global – 90% da soja e 86% de outras oleaginosas são consumidas de forma processadas. O restante irá principalmente será consumido in natura na alimentação humana e/ou animal.
A composição global da indústria de esmagamento deverá permanecer virtualmente inalterada pelos próximos anos. A perspectiva é que a China amplie marginalmente a posição de liderança isolada que já vem ocupando desde 2008. A perspectiva é que o país asiático chegue em 2027 com 28,8% deste mercado, 0,4% mais do que no ano passado.
Mesmo sem grandes modificações em sua participação relativa no mercado – de 9,7% em 2017 para 9,8% em 2027 –o Brasil subirá da 5ª para a 4ª posição do ranking a medida em que a União Europeia recua.
Mercado saturado
Um dos motivos para a desaceleração vem setor está mercado alimentício onde que, depois de anos de crescimento sustentado pelo aumento da renda em países como China e Índia, a demanda por óleos vegetais está atingindo seu ponto de saturação.
Enquanto isso o consumo per capta nos dois países mais populosos do mundo avançou, respectivamente, 46,8% e 53% ao longo década passada. Na atual, agora a expectativa é que a expansão seja de 12% e 40%. Depois disso, ambos terão atingido a faixa de consumo anual entre os 20 kg e 30 kg onde a demanda começa a andar de lado.
Esse movimento coincide com uma redução no ímpeto de expansão da produção de biodiesel que, nos últimos anos, se tornou um polo importante para a absorção da produção mundial de óleos vegetais. Nesse segmento, deverá haver um aumento da competição com óleos e gorduras residuais (OGRs) – especialmente gorduras animais e óleo de fritura usado – que vem são alvos de incentivos em mercados importantes como a União Europeia.
A situação é similar no mercado de farelos proteicos um desempenho mais tímido no segmento de criação de animais e a um platô na demanda chinesa.
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Preços
Com a oferta e demanda relativamente bem ajustados ao longo de todo o período não há previsão de pressões estruturais por um aumento mais substancial nas cotações seja das oleaginosas ou de seus derivados. Muito pelo contrário, a expectativa é que os preços reais se mantenham em queda pelos próximos anos.
Segundo as projeções do relatório, depois de corrigidos pela inflação do período, os preços da soja em grão ficarão 9,5% menores em 2027 em relação aos apurados em 2017.
Entre os óleos vegetais, a contração será ainda mais acentuada chegando aos 12,3%
A íntegra (em inglês) do capítulo sobre oleaginosas e derivados do relatório Perspectivas Agrícolas OCDE pode ser baixado clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com