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Brasil supera marca de 100 milhões de toneladas de soja exportadas em 2023

Embarques do grão registrados pelo MDIC superaram o recorde anterior por uma margem de 18,3%

BiodieselBR.com 5 min de leitura

O recorde em si já não era propriamente novidade. Afinal, ele já estava encomendado desde setembro. Só restava saber qual seria o volume final das exportações brasileiras de soja in natura. Fechadas as contas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o número final chegou à marca histórica de 101,8 milhões de toneladas.

Essa foi a primeira vez que os embarques do complexo soja chegam à terceira casa na sua história.

Com isso, o ano de 2023 abre uma dianteira de quase 18,3% sobre o recorde anterior que era de 86,1 milhões de toneladas.

O recorde em si já não era propriamente novidade. Afinal, ele já estava encomendado desde setembro. Só restava saber qual seria o volume final das exportações brasileiras de soja in natura. Fechadas as contas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o número final chegou à marca histórica de 101,8 milhões de toneladas.

Essa foi a primeira vez que os embarques do complexo soja chegam à terceira casa na sua história.

Com isso, o ano de 2023 abre uma dianteira de quase 18,3% sobre o recorde anterior que era de 86,1 milhões de toneladas.

Melhor que a encomenda

Foi um resultado melhor do que o mercado esperava. A estimativa mais recente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) previa a exportação de 101,5 milhões de toneladas.

No começo do ano, contudo, a associação que representa os esmagadores estimava que as exportações de soja chegariam a 92 milhões de toneladas.

Esse resultado foi possibilitado pela safra recorde que foi colhida pelo agronegócio brasileiro. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os sojicultores do país produziram um pouco mais de 154,6 milhões de toneladas de soja este ano – abrindo 10,9% sobre os 139,4 milhões de toneladas da safra 2020/21.

Com os silos cheios, foi possível garantir recordes simultâneos de tanto de exportação quanto de esmagamento. Pelas contas da Abiove, foram processadas 53,6 milhões de toneladas de soja no mercado doméstico; isso garantiu a produção de 41 milhões de toneladas de farelo e 10,8 milhões de toneladas de óleo pela indústria nacional.

As exportações foram puxadas pela China que, ao longo do último ano, absorveu 74,5 milhões de toneladas de soja brasileira. Esse volume representa um aumento de quase 20,9 milhões de toneladas – alta de 39% – sobre o volume apurado no ano anterior o que alavancou a participação do gigante asiático nas exportações brasileiras para 73,1%.

Embora a China seja – há muitos anos – o maior comprador de soja brasileira, essa é a maior participação dos compradores chineses dos últimos quatro anos.

Outro fator importante – e inesperado – para a sucesso das exportações brasileiras no ano passado foi Argentina. O país vizinho foi o segundo destino mais relevante para nossos grãos com uma demanda superior a 4 milhões de toneladas; salto de quase 1.300% em relação à 2022.

Terceiro maior produtor de soja do mundo – atrás do Brasil e dos Estados Unidos –, a Argentina amargou uma severa quebra de safra ano passado. O país viu sua produção cair 43% indo de 43,9 milhões de tonelada no ciclo 2021/22 para 25 milhões de toneladas na safra 2022/23.

A principal porta de saída dos grãos brasileiros foi o Porto de Santos, em São Paulo. Por lá saíram um pouco mais de 30,5 milhões de toneladas do produto nacional ao longo do ano passado.

Faturamento

Com o volume de soja exportado em alta, os ganhos financeiros também cresceram substancialmente passando dos US$ 53,2 bilhões – cerca de R$ 265,4 bilhões. Foi o terceiro recorde seguido de ganhos em dólares com a venda de soja.

Apesar do aumento de 14,4% na receita obtida pelos sojicultores com as exportações de 2023 frente aos números de 2022, o faturamento avançou num ritmo menor do que o volume. O motivo foi o refluxo da onda que a invasão da Ucrânia pela Rússia causou sobre os preços das oleaginosas ao interromper o fluxo de grãos.

Como a Ucrânia é um dos maiores produtores globais de girassol – a quarta fonte mais importante para o mercado global de óleos vegetais – a tensão geopolítica causou um rally nos preços internacionais da soja. Do começo da guerra até junho de 2022, o preço em dólares da tonelada do grão saltou 26,2% chegando a US$ 631,25. O nível mais alto de preços manteve a sustentação até o final de 2022 quando as cotações começaram a baixar com força até retornaram ao patamar pré-guerra por volta de julho passado.

O ciclo de altas teria um repique um pouco mais modesto do que o inicial quando a Rússia sinalizou que não renovaria um acordo que garantia a segurança no escoamento dos grãos pelo Mar Negro. Embora tenha expirado em julho, os preços da soja não voltaram a escalar com a mesma intensidade vista no primeiro semestre de 2022.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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