Um sistema para a colheita mecanizada da mamona está sendo testado no Mato Grosso. A ideia é fazer da oleaginosa uma opção para a safrinha.
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Um dos maiores entraves para que a mamona possa ser encarada como uma opção real para o agronegócio brasileiro está prestes a ser superado. Uma parceria entre a distribuidora de sementes Heliagro/Terasol, a Fazenda Planalto de Primavera do Leste (MT) e a fabricantes de máquinas agrícolas Jorge Máquinas desenvolveu uma plataforma inédita que permite a colheita e debulha mecanizadas da mamona.
Nesse primeiro ano a mamona está sendo colhida em uma área de mil hectares e a intensão do projeto é viabilizar a mamona como uma opção para a segunda safra no Mato Grosso.
Um dos maiores entraves para que a mamona possa ser encarada como uma opção real para o agronegócio brasileiro está prestes a ser superado. Uma parceria entre a distribuidora de sementes Heliagro/Terasol, a Fazenda Planalto de Primavera do Leste (MT) e a fabricantes de máquinas agrícolas Jorge Máquinas desenvolveu uma plataforma inédita que permite a colheita e debulha mecanizadas da mamona. Nesse primeiro ano a mamona está sendo colhida em uma área de mil hectares e a intensão do projeto é viabilizar a mamona como uma opção para a segunda safra no Mato Grosso.
O projeto nasceu de uma sobreposição particularmente feliz de interesses. Por conta própria, o proprietário da Fazenda Planalto, Mateus Viana, já vinha estudando há algum tempo o potencial do plantio da mamona como um sistema biológico para a melhoria do solo de sua propriedade. “Temos um problema muito sério com doenças no solo, especialmente nematoides. Encontramos a mamona”, diz lembrando que sua primeira experiência foi ainda em 2011 com o plantio de uma variedade desenvolvida pela Embrapa.
Viana conta que já nessa primeira experiência havia indícios de que eles estavam indo na direção correta. Na safra de soja seguinte alguns dos talhões onde a mamona havia sido plantada colheram 70 sacas de soja – segundo a Conab, naquele mesmo ano os agricultores mato-grossenses colheram, em média, 52,1 sacas. Contudo, esse sucesso foi somente relativo. “A gente nem chegou a colher a mamona porque teria que fazer isso manualmente”, confessa.
Foi aí que a Heliagro/Terasol acabou entrando no circuito. A empresa paulista é uma fornecedora de sementes – inclusive de mamona – e foi ela quem descobriu uma empresa israelense do ramo de biotecnologia chamada Kaiima que está desenvolvendo novas variedades de mamona. “Eles nos disponibilizaram seis híbridos para testarmos, destes dois atenderam nessas necessidades”, conta Gilberto.
Mecanização A principal vantagem das cultivares selecionadas é o porte mais baixo que facilita a mecanização da colheita. “Com a planta mais baixa fica mais fácil as bagas da mamona entrarem na máquina, senão acaba vindo muita impureza junto e a debulha não é boa”, avalia Gilberto.
Mas essa vantagem seria absolutamente inútil se não houvesse maquinário que permitisse a mecanização da colheita. As primeiras tentativas foram feitas com uma colheitadeira de milho adaptada, mas como as perdas eram grandes e não havia a debulha, a Jorge Máquinas foi contatada para fazer o desenvolvimento de uma nova plataforma especialmente adaptada. “O pessoal da Terasol entrou em contato conosco para fazer esse desenvolvimento e a gente ficou interessado porque vimos que havia uma necessidade”, relembra o diretor comercial da Jorge Máquinas, Cesar Frederico.
De acordo com Cesar, o esforço de Pesquisa e Desenvolvimento levou três anos até que, no ano passado, a empresa construiu um protótipo que foi testado pela Embrapa e teve seu desempenho considerado “satisfatório”. Em seu design atual, a plataforma pode colher plantas de até 1,4 metro de altura com espaçamento entre 90 e 75 cm sendo capaz de dar conta de 3,5 a 4 hectares por hora. Ela pode ser adaptada a qualquer colheitadeira automotriz.
Embora esse novo produto ainda não esteja comercialmente disponível, Frederico diz que já há um grande interesse na novidade não apenas nos estados do Nordeste que hoje são os maiores produtores de mamona, mas também fora do país. Produtores de países como Israel, China e México já sinalizaram seu interesse em adquirir a nova tecnologia da empresa.
Esse novo desenvolvimento foi o que animou Mateus Viana a aumentar as apostas na mamona e investir em mil hectares. “A gente começou a ver potencial de lucro”, anima-se. Embora tenha sido vago em termos de números sobre a rentabilidade da colheita atual, ele garante o resultado “está sendo bem positivo”. Isso mesmo sem ter todas as variáveis devidamente computadas.
Gilberto é um pouco mais aberto nesse sentido adiantando que a produtividade está deverá ficar entre 1.200 e 1.300 quilos – mais que o dobro da média nacional que é de 577 quilos por hectare. Já o valor pago pela saca de 60 kg é de R$ 115 frente a R$ 60 na cotação apurada na praça de Rondonópolis (MT) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada (Imea) no dia 15 de agosto.
Torta Por enquanto, nessa primeira etapa a produção está sendo enviada in natura para uma processadora de São Paulo. Mateus mesmo reconhece que esse é um arranjo que cria algumas dificuldades uma vez que a densidade do grão de mamona é baixa o que encarece o transporte do produto. “Mas esse é só o começo do projeto, eles [os compradores] precisam do óleo porque é um produto muito valorizado, então, estou conseguindo colocar [a semente] num preço bom”, diz. Embora essa não seja sua maior preocupação no momento, no futuro, há a possibilidade de instalar uma prensa simples ou tentar uma parceria com as esmagadoras de caroço de algodão da região para produzir o óleo.
O caso é que Mateus também tem interesse em aproveitar a torta da mamona para aumentar – ainda mais – os benefícios ao solo de sua propriedade. “O que eu tenho hoje são os dados do plantio da mamona, mas o pessoal de Israel [que desenvolveu o hibrido] esteve aqui e me disse que eles tiverem um resultado muito positivo com a aplicação da torta na terra”, descreve informando que, assim que sua mamona estiver processada, vai trazer um caminhão de torta de volta de São Paulo.
Safrinha Evidente que a ideia não é bater de frente com a soja, mas tentar consolidar a mamona como uma nova opção para a safrinha de inverno – em substituição ao milho. “O Mato Grosso tem uma janela de plantio muito favorável à mamona entre fevereiro e março que tem um encaixe muito bom com a janela da safrinha de milho”, explica Gilberto acrescentando que a mamona poderia tanto funcionar como um plano B para os produtores que, por um motivo qualquer, não conseguissem plantar o milho.
Mateus acha que a mamona poderia até ser o plano A para a safrinha. “Para o milho você tem que plantar variedades mais precoces de soja”, diz o agricultor considerando que a mamona poderia aumentar o leque variedades de soja à escolha dos produtores favorecendo a otimização. Também aumenta a possibilidade de alternância com o milho nas terras que precisem de melhora de forma mais crítica.