Nos próximos dias a Embrapa e a SG Biofuels (SGB) anunciarão publicamente um acordo para acelerar o desenvolvimento do pinhão-manso.
Nos próximos dias a Embrapa e a SG Biofuels (SGB) anunciarão publicamente um acordo para acelerar o desenvolvimento do pinhão-manso.

Nos próximos dias a Embrapa e a startup norte-americana, SG Biofuels (SGB), vão anunciar publicamente que chegaram a um acordo estratégico para acelerar o desenvolvimento comercial do pinhão-manso. Embora essa planta seja considerada uma das matérias-primas mais promissoras para a indústria do biodiesel, o desenvolvimento de um pacote tecnológico que torne seu cultivo comercial viável tem se mostrado um desafio e tanto. A nova parceria vai permitir que ambas as instituições compartilhem recursos e dados.
As duas empresas já vêm costurando o acordo há aproximadamente um ano e em setembro passado um três de pesquisadores da Embrapa estiveram nas instalações da SGB na Guatemala e em San Diego (EUA) onde puderam conhecer mais a fundo os esforços que a nova parceira vem realizando para colocar no mercado variedades híbridas mais produtivas.
Entre as vantagens imediatas que o acordo deverá proporcionar à Embrapa está o acesso ao banco de germoplasma montado pela SGB. Ele possui cerca de 12 mil acessos da espécie coletados principalmente em países da América Central e no México. Isso deve permitir que a Embrapa amenize uma das dificuldades mais sérias para o desenvolvimento desta cultura no Brasil, a falta de variedade genética – o banco genético da empresa brasileira conta com apenas 200 acessos.
BiodieselBR.com conversou com exclusividade sobre o acordo com o chefe de P&D da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville, e com o gerente de Desenvolvimento de Negócios da SGB, Santiago Giraldo. De acordo com Capdeville, a Embrapa tem se esforçado para reverter a má imagem que se formou em torno do pinhão-manso depois que os primeiros projetos de fomento relacionados à essa oleaginosa naufragaram. “A história do pinhão-manso no Brasil começou errada porque ela chegou a mercado antes de estar pronta. Os agricultores plantaram variedades sem genética definida e não conseguiram os resultados que esperavam. Isso fez com que os produtores desanimassem antes da hora”, diz.
O acordo com a SGB seria uma forma de acelerar o desenvolvimento de novas variedades de pinhão-manso com potencial comercial e adaptadas as condições brasileiras. A Embrapa já vem trabalhando nisso por conta própria e lidera a rede BRJatropha que reúne esforços de 20 instituições de pesquisa.
As entidades brasileiras já fizeram avanços substanciais em termos de sistemas de plantio e na destoxicação do farelo produzido no processamento das sementes da planta. Hoje, esse é uma das principais limitações para a expansão da cultura – o pinhão é rico numa substância tóxica chamada éster forbol o que dificulta o aproveitamento integral dos coprodutos gerados. A Embrapa vem trabalhando tanto no aprimoramento de variedades atóxicas quando em processos industriais capazes de remover a substância.
Segundo Giraldo, a parceria com a Embrapa ajuda a endossar os esforços da SGB no desenvolvimento do pinhão-manso. “A Embrapa é uma das principais entidades de inovação na área agrícola tanto no Brasil quanto no mundo e o fato dela acreditar que o pinhão-manso é uma cultura promissora é de grande importância para nosso trabalho”, diz acrescentando que a parceria deve acelerar a introdução de um pacote tecnológico completo no mercado brasileiro.
Resultados
Capdeville alerta que qualquer resultado não será para já e que há uma “enorme quantidade” de desenvolvimentos científicos intermediários que precisam ser resolvidos antes que haja um produto pronto para venda. “O que estamos fazendo não é trivial”, explica.
Qualquer resultado que venha a ser obtido a partir dos trabalhos da parceria serão negociados entre ambas as empresas. “Não é algo que estamos fazendo de brincadeira, mas os detalhes sobre qualquer divisão dos resultados vão ser negociados mais para frente”, completa o chefe da Embrapa. Ele ainda adianta que o mais provável é que a empresa brasileira licencie o conhecimento produzido para seus parceiros comerciais que serão responsáveis por levar qualquer avanço para o mercado de forma direta.
“Todo mundo olha muito para os fracassos do pinhão-manso. Ela é uma planta realmente fenomenal, o erro foi a precipitação de leva-lo para o mercado. O que precisamos fazer é integrar as lições aprendidas até agora”, finaliza Santiago Giraldo, da SGB, para quem esse acordo pode contribuir positivamente para essa retomada.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com