Pesquisadores atestam cultivo de microalgas em águas servidas
Pesquisadores dos EUA validaram a eficiência de um sistema de microalgas para a remoção de nutrientes presentes no esgoto em condições reais.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Um dos fatores compromete a viabilidade da produção de biocombustíveis feitos as partir de microalgas é a forte dependência em relação aos fertilizantes químicos. Eles são necessários para garantir que a produtividade necessária, mas isso aumenta os custos e a competição por um recurso estratégico para a produção de alimentos. Para tentar contornar essa dificuldade, pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, estão usando esgoto como fonte alternativa de nutrientes.
Um dos fatores compromete a viabilidade da produção de biocombustíveis feitos as partir de microalgas é a forte dependência em relação aos fertilizantes químicos. Eles são necessários para garantir que a produtividade necessária, mas isso aumenta os custos e a competição por um recurso estratégico para a produção de alimentos. Para tentar contornar essa dificuldade, pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, estão usando esgoto como fonte alternativa de nutrientes.
Isso permite baixar os custos e, de quebra, de quebra, ajuda a resolver um problema ambiental sério: a poluição dos cursos d’água por conta do excesso de nutrientes como fósforo e nitrogênio comuns na água de esgoto. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla original), a contaminação por excesso de nitrogênio e fósforo é "um dos problemas ambientais da América mais difundidos, caros e difíceis". O problema é que ao chegarem à natureza essas duas substâncias acabam estimulando o crescimento descontrolado de microrganismos o que afeta negativamente os ecossistemas.
Embora esse conceito não seja totalmente novo, os pesquisadores da Universidade Rice encontraram apenas um outro estudo – desenvolvido no Kansas – realizado em condições reais.
Os pesquisadores decidiram, então, cultivar cepas de algas de alto valor numa instalação de tratamento de águas residuais na cidade de Houston, Texas, de forma a capturar parte desses efluentes. O resultado surpreendeu. Houve a remoção simultânea de mais de 90% dos nitratos e de mais de 50% do fósforo presentes nas águas da estação de tratamento. “Instalações de tratamento de águas residuais atualmente não têm meios eficientes de remoção de grandes volumes de nitratos ou fósforo de água tratada, de modo que a produção de algas tem o potencial de resolver dois problemas de uma só vez”, disseram Evan Siemann, coautor do estudo, e Harry C. e Olga K. Wiess, professores de Biociências da Universidade de Rice.
Metodologia
Realizado durante cinco meses, o experimento envolveu a instalação de 12 tanques de 600 litros, abertos, em uma das estações de tratamento de águas residuais da cidade. "Nós registramos crescimento de algas produtivas em todos os 12 tanques", afirma Siemann.
A autora principal do estudo pondera, porém, que serão necessárias mais pesquisas para determinar se o cultivo de algas à base de águas residuais será rentável e em que circunstâncias.
Meenakshi compara os resultados do experimento realizado em conjunto com os professores da Universidade de Rice com outro estudo feito no Kansas.
“Se as algas observadas em nosso estudo foram quatro vezes mais eficazes na remoção de fósforo que as algas das pesquisas de Kansas, poderia ser porque o teste de Houston foi realizado no verão e no outono, e os tanques eram, em média, cerca de 30 graus mais quentes que os tanques em Kansas”, cogita a pesquisadora propondo que, se a temperatura tem uma participação fundamental no processo, o cultivo pode ser mais econômico em regiões de clima quente como o Sudeste e Sudoeste dos EUA.
"Esses são os tipos de questões que precisam ser analisadas em estudos futuros para otimizar o processo e torná-lo mais atraente para os investidores", conclui Meenakshi.
A íntegra do estudo pode ser acessada clicando aqui.