PUBLICIDADE
padrao padrao
mamona

Safra de mamona tem perda recorde no Piauí


Meio Norte - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A safra de feijão de São Miguel do Tapuio, este ano, registrou perdas médias de 60%, mas foi a cultura da mamona a maior .

Os agricultores esperavam uma produtividade média de 600 quilos por hectare da oleaginosa, no entanto, a maioria das famílias que iniciaram o plantio, motivadas pelo programa do biodiesel no Piauí, já contabilizaram os prejuízos. Com a falta de chuvas, houve o caso de roças que registraram a morte de plantas antes mesmo da formação dos primeiros cachos.

O agricultor Manoel Pereira Albuquerque, secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, foi um dos mais atingidos com as perdas da safra de mamona. Ele disse que plantou 4,5 hectares na expectativa de atingir uma produção de 600 quilos por hectare e só conseguiu colher 217 quilos da oleaginosa. Com a venda do produto, o agricultor, que tem roças no assentamento Saco do Juazeiro, conseguiu apurar apenas R$ 75,00.

“Pelas contas da empresa que incentiva e compra a produção da mamona em São Miguel do Tapuio, a minha área deveria ter produzido três mil quilos, mas isso não foi possível porque a seca foi terrível na nossa região”, explica Manoel. O agricultor Antônio Francisco Pereira da Silva, do assentamento São Francisco, em São Miguel do Tapuio, falou que a perda da mamona foi maior porque os plantios não foram realizados na época apropriada.

“A plantação foi feita muito tarde e a mamona não aproveitou o molhado das primeiras chuvas”, explica Antônio. Ele disse que está se preparando para “apostar todas as fichas” nessa cultura.

Segundo o agricultor, a mamona tem muito futuro no Piauí por causa das facilidades de cultivo oferecidas pelo programa do biodiesel no Estado. “Na próxima safra, vamos investir na cultura da mamona porque existe comprador e facilidade para o agricultor iniciar a produção”, acrescenta.

O sindicalista Manoel Pereira Albuquerque disse que há a expectativa de um aumento considerável nas áreas destinadas para a cultura da mamona, em São Miguel do Tapuio, na próxima safra.

“No último plantio, a área de mamona chegou a cerca de 200 hectares, mas o município deve atingir na safra que vem uns 350 hectares”, acrescentou. Ele disse que a oleaginosa produzida este ano foi vendida para a Brasil Ecodiesel ao preço de R$ 0,50 o quilo.

“A empresa prepara a terra e faz o plantio, com o uso de calcário para melhorar a produtividade, e o agricultor entra com a mão-de-obra na capina e na colheita. Na colheita, ela também dá lonas para agilizar o trabalho”, comenta.