A variedade foi desenvolvida por empresa de biotecnologia
para aumentar o rendimento agrícola em regiões
semi-áridas do Texas, nos Estados Unidos, e do Nordeste brasileiro.
A produção de biodiesel a partir de uma nova variedade de mamona em regiões semi-áridas pode trazer um nível ainda maior de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), se comparado ao diesel de petróleo. De acordo com um recente estudo, a redução das emissões aqui no Brasil chegou a 75%, enquanto que nos Estados Unidos atingiu 90%. A variedade em questão foi desenvolvida pela empresa de biotecnologia israelense Evogene para aumentar o rendimento agrícola em regiões semi-áridas do Texas, nos Estados Unidos, e do Nordeste brasileiro. De acordo com a companhia, a variedade é capaz de produzir de 4 a 5 toneladas por hectare.
A análise do ciclo de vida (ACV) do biodiesel de mamona foi conduzida pela Symbiotic Engineering, uma companhia americana especializada em gestão de emissões de GEE e sustentabilidade, que avalia projetos e produtos “verdes”. Também participou do estudo o pesquisador Dr. Arunprakash Karunanithi da Universidade do Colorado, nos EUA.
O estudo também avaliou o impacto ambiental do biodiesel produzido a partir da mamona (com a variedade da Evogene) em relação ao biodiesel proveniente da soja. Os resultados mostraram que a mamona excede o nível de redução das emissões alcançado com o biodiesel de soja, com diminuição de 43% nos EUA.
"Os resultados da ACV reforçam a nossa crença na mamona como matéria-prima viável e sustentável para a produção de biocombustíveis", declarou Assaf Oron, responsável pela área de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Evogene. "Estamos ansiosos para atender às necessidades da indústria de biocombustíveis por meio da criação de cultivares de mamona e de sua avaliação em ensaios de campo, como os recentemente realizados no Texas e no Brasil", diz o executivo.
Nobre desaparecida
Aqui no Brasil a mamona praticamente desapareceu das estatísticas de produção de biodiesel. Encabeçam a lista de motivos: a alta viscosidade do seu óleo – que faz com que ele possa ser usado em no máximo 30% na composição de matérias-primas do biodiesel, para atender às especificações da ANP–, a falta de tecnologia de muitos agricultores, a baixa produtividade agrícola e o alto custo do óleo. O óleo de mamona é utilizado pela indústria ricinoquímica, que tradicionalmente paga melhor pelo produto.
A cultivar BRS Nordestina, desenvolvida pela Embrapa, por exemplo, alcançou um rendimento de 2,1 a 2,8 toneladas por hectare no Ceará, mas o rendimento médio no Brasil atualmente, segundo o IBGE, não chega a 800 quilos por hectare.
Diante desse panorama, a questão da redução das emissões do biodiesel de mamona não vai fazer a indústria mudar de idéia, a menos que a produtividade nas lavouras comerciais realmente alcance as 5 toneladas por hectare propagadas pela Evogene, com impactos no preço final do produto.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
A produção de biodiesel a partir de uma nova variedade de mamona em regiões semi-áridas pode trazer um nível ainda maior de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), se comparado ao diesel de petróleo. De acordo com um recente estudo, a redução das emissões aqui no Brasil chegou a 75%, enquanto que nos Estados Unidos atingiu 90%. A variedade em questão foi desenvolvida pela empresa de biotecnologia israelense Evogene para aumentar o rendimento agrícola em regiões semi-áridas do Texas, nos Estados Unidos, e do Nordeste brasileiro. De acordo com a companhia, a variedade é capaz de produzir de 4 a 5 toneladas por hectare.
A análise do ciclo de vida (ACV) do biodiesel de mamona foi conduzida pela Symbiotic Engineering, uma companhia americana especializada em gestão de emissões de GEE e sustentabilidade, que avalia projetos e produtos “verdes”. Também participou do estudo o pesquisador Dr. Arunprakash Karunanithi da Universidade do Colorado, nos EUA.
O estudo também avaliou o impacto ambiental do biodiesel produzido a partir da mamona (com a variedade da Evogene) em relação ao biodiesel proveniente da soja. Os resultados mostraram que a mamona excede o nível de redução das emissões alcançado com o biodiesel de soja, com diminuição de 43% nos EUA.
"Os resultados da ACV reforçam a nossa crença na mamona como matéria-prima viável e sustentável para a produção de biocombustíveis", declarou Assaf Oron, responsável pela área de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da Evogene. "Estamos ansiosos para atender às necessidades da indústria de biocombustíveis por meio da criação de cultivares de mamona e de sua avaliação em ensaios de campo, como os recentemente realizados no Texas e no Brasil", diz o executivo.
Nobre desaparecida
Aqui no Brasil a mamona praticamente desapareceu das estatísticas de produção de biodiesel. Encabeçam a lista de motivos: a alta viscosidade do seu óleo – que faz com que ele possa ser usado em no máximo 30% na composição de matérias-primas do biodiesel, para atender às especificações da ANP–, a falta de tecnologia de muitos agricultores, a baixa produtividade agrícola e o alto custo do óleo. O óleo de mamona é utilizado pela indústria ricinoquímica, que tradicionalmente paga melhor pelo produto.
A cultivar BRS Nordestina, desenvolvida pela Embrapa, por exemplo, alcançou um rendimento de 2,1 a 2,8 toneladas por hectare no Ceará, mas o rendimento médio no Brasil atualmente, segundo o IBGE, não chega a 800 quilos por hectare.
Diante desse panorama, a questão da redução das emissões do biodiesel de mamona não vai fazer a indústria mudar de idéia, a menos que a produtividade nas lavouras comerciais realmente alcance as 5 toneladas por hectare propagadas pela Evogene, com impactos no preço final do produto.
Alice Duarte – BiodieselBR.com
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