BiodieselBR
Publicidade

Mamona surge como opção no oeste baiano

O oeste baiano está em plena colheita de sua primeira safra de mamona, cultura que surge como nova opção para uma região notabilizada pela crescente produção de soja e algodão.
Valor Econômico - Patrick Cruz 3 min de leitura
O oeste baiano está em plena colheita de sua primeira safra de mamona, cultura que surge como nova opção para uma região notabilizada pela crescente produção de soja e algodão.

A área plantada, de cinco mil hectares, deve produzir cerca de 10 mil toneladas, estimam produtores locais. Isso equivale a quase 10% da produção da Bahia, principal produtor do país.

"A mamona está em falta na indústria. Essa é mais uma alternativa que temos de investimento", diz Eduardo Yamashita, de Luís Eduardo Magalhães, a 947 quilômetros de Salvador. Em sua propriedade de 1,3 mil hectares, na qual planta mamão e maracujá, Yamashita dedicou à mamona 100 hectares neste ano. Ele prevê obter preço de R$ 40,00 por saca de 60 quilos. "Será uma boa oportunidade principalmente para os pequenos produtores". Segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a produtividade da primeira safra de mamona da região será de 36 sacas/hectare.

Os cinco mil hectares são apenas uma pequena fatia do 1,487 milhão de hectares da produção agrícola do oeste da Bahia na safra 2004/2005. Mas o número poderá avançar de forma expressiva no próximo ciclo. "Esse é um bom negócio. A área certamente vai triplicar na próxima safra", diz o prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Oziel Oliveira, que somou à sua produção de soja 300 hectares para o plantio de mamona.

Caso a projeção se confirme, a mamona passará a ocupar uma área superior à dedicada ao café, que é de 13,6 mil hectares. O produto superou os dois mil hectares do feijão. A principal cultura da região é a soja, com 870 mil hectares.

Os 12 produtores que decidiram apostar na cultura no oeste da Bahia dedicaram a ela áreas de, no máximo, 500 hectares. Foi fechado um acerto prévio para vender a produção para a beneficiadora paranaense Natura Base, e outros contratos estão sendo negociados para pulverizar a venda da segunda safra para outras indústrias.

A mamona do oeste da Bahia deverá ser utilizada principalmente para a produção de óleos finos, como lubrificantes para a indústria automobilística.

Os produtores da região não têm o biodiesel como uma de suas prioridades, diz Oliveira, especialmente depois dos problemas enfrentados por produtores do Ceará e Rio Grande do Norte, onde a falta de chuvas e desacordos sobre preços e prazos de entrega com compradores como a Petrobras desestimularam a cultura este ano. A produção brasileira de mamona é de cerca de 190 mil toneladas e a da Bahia, de 129 mil.
Compartilhar: