Em Pocinhos - município do Curimataú paraibano, distante 32 quilômetros de Campina Grande e conhecido por oferecer terras adequadas ao plantio da mamona - agricultores familiares que esperavam gerar mais emprego e renda com o cultivo da planta estão desestimulados. O quilo da baga da mamona, vendido no ano passado por até R$ 1, hoje custa no mercado apenas R$ 0,40. O valor ideal para comercialização, conforme cálculos da Cooperativa Agroindustrial do Compartimento da Borborema (Copaib), seria no mínimo R$ 0,60. A mamona é a principal matéria-prima utilizada na produção do biodiesel.
Segundo Ricardo Henriques de Albuquerque, presidente da Copaib, o desestímulo aconteceu devido à falta de incentivos financeiros e inexistência de um preço mínimo para comercialização no mercado nacional. A situação se agrava, porque os agricultores não têm garantia de compra da produção. Aliado a isso houve desvalorização do dólar e estabilização do real. Na avaliação de Albuquerque, o Programa Nacional de Biodiesel deveria ter fixado um preço mínimo para venda do produto. Como isso não aconteceu, os agricultores estão na dependência dos preços ditados pelos compradores. Outra medida benéfica seria o suporte dos bancos oficiais para aquisição da mamona.
No mercado da mamona, o cálculo para comercialização do quilo do produto obedece os preços da bolsa de mercadorias de Irecê (Bahia), que dita os valores para as cidades produtoras da mamona. “O valor mínimo para negociação do quilo da mamona deve ficar em R$ 0,60, livre do pagamento de impostos e frete”, afirmou o presidente da Copaib, formado por 64 agricultores, criada para ampliar a capacidade de negociação junto às empresas.
Petrobras não ofereceu um bom preço
O interesse na mamona produzida em Pocinhos ainda existe, mas as negociações esbarram no preço. “Já me ligaram da Petrobras com interesse em adquirir mamona. Mas ao preço sugerido, R$ 0,40 pelo quilo da baga, é baixo. Precisamos vender por pelo menos R$ 0,60”, disse Albuquerque. As últimas remessas da Copaib foram para a Bioteo, que pretende investir numa refinaria de biodiesel em Campina Grande. A empresa adquiriu 56 toneladas de baga da mamona. Houve ainda outras vendas menores, entre maio e junho deste ano, totalizando 78 toneladas, o equivalente a negócios da ordem de R$ 50 mil.
A defasagem no valor de comercialização da mamona gerou a redução no número de hectares plantados na Paraíba. Dados da Copaib revelam que, no ano passado, foram plantados 2,5 mil hectares com mamona no Estado. Neste ano apenas 1.050 hectares foram destinados ao cultivo da planta. Em Pocinhos, por exemplo, a área plantada diminuiu de 352 hectares (ano passado), para 120 hectares neste ano. “Houve redução em função do descrédito de produtores e queda de preço para comercialização da mamona”, disse Ricardo Albuquerque. No Sítio Conceição, foram plantados neste ano cerca de onze hectares, metade do plantado no ano anterior.
“Sei que ainda há perspectiva de um futuro”
Estudos da Copaib revelam que, em Pocinhos, é possível colher até 1,2 mil quilos de baga da mamona em um hectare de terra. O óleo extraído da mamona, além do biodiesel, é utilizado na produção de tintas, resinas, esmalte e sabonetes. A colheita pode ser feita durante 250 dias do ano e para cada dois hectares pode ser gerado um emprego direto no campo. São essas vantagens que ainda deixam Ricardo Albuquerque entusiasmado com o plantio da mamona. Ele começou a plantar em 1999, quando ainda nem existia o Programa de Biodiesel. “Na época pedia sementes à Bahia. Mesmo com as dificuldades sei que ainda há perspectivas de um futuro”, afirma.
Além de Pocinhos, existem outros 52 municípios zoneados no Estado, aqueles com aptidão ao plantio da mamona.
ANA CLÁUDIA PAPES
Segundo Ricardo Henriques de Albuquerque, presidente da Copaib, o desestímulo aconteceu devido à falta de incentivos financeiros e inexistência de um preço mínimo para comercialização no mercado nacional. A situação se agrava, porque os agricultores não têm garantia de compra da produção. Aliado a isso houve desvalorização do dólar e estabilização do real. Na avaliação de Albuquerque, o Programa Nacional de Biodiesel deveria ter fixado um preço mínimo para venda do produto. Como isso não aconteceu, os agricultores estão na dependência dos preços ditados pelos compradores. Outra medida benéfica seria o suporte dos bancos oficiais para aquisição da mamona.
No mercado da mamona, o cálculo para comercialização do quilo do produto obedece os preços da bolsa de mercadorias de Irecê (Bahia), que dita os valores para as cidades produtoras da mamona. “O valor mínimo para negociação do quilo da mamona deve ficar em R$ 0,60, livre do pagamento de impostos e frete”, afirmou o presidente da Copaib, formado por 64 agricultores, criada para ampliar a capacidade de negociação junto às empresas.
Petrobras não ofereceu um bom preço
O interesse na mamona produzida em Pocinhos ainda existe, mas as negociações esbarram no preço. “Já me ligaram da Petrobras com interesse em adquirir mamona. Mas ao preço sugerido, R$ 0,40 pelo quilo da baga, é baixo. Precisamos vender por pelo menos R$ 0,60”, disse Albuquerque. As últimas remessas da Copaib foram para a Bioteo, que pretende investir numa refinaria de biodiesel em Campina Grande. A empresa adquiriu 56 toneladas de baga da mamona. Houve ainda outras vendas menores, entre maio e junho deste ano, totalizando 78 toneladas, o equivalente a negócios da ordem de R$ 50 mil.
A defasagem no valor de comercialização da mamona gerou a redução no número de hectares plantados na Paraíba. Dados da Copaib revelam que, no ano passado, foram plantados 2,5 mil hectares com mamona no Estado. Neste ano apenas 1.050 hectares foram destinados ao cultivo da planta. Em Pocinhos, por exemplo, a área plantada diminuiu de 352 hectares (ano passado), para 120 hectares neste ano. “Houve redução em função do descrédito de produtores e queda de preço para comercialização da mamona”, disse Ricardo Albuquerque. No Sítio Conceição, foram plantados neste ano cerca de onze hectares, metade do plantado no ano anterior.
“Sei que ainda há perspectiva de um futuro”
Estudos da Copaib revelam que, em Pocinhos, é possível colher até 1,2 mil quilos de baga da mamona em um hectare de terra. O óleo extraído da mamona, além do biodiesel, é utilizado na produção de tintas, resinas, esmalte e sabonetes. A colheita pode ser feita durante 250 dias do ano e para cada dois hectares pode ser gerado um emprego direto no campo. São essas vantagens que ainda deixam Ricardo Albuquerque entusiasmado com o plantio da mamona. Ele começou a plantar em 1999, quando ainda nem existia o Programa de Biodiesel. “Na época pedia sementes à Bahia. Mesmo com as dificuldades sei que ainda há perspectivas de um futuro”, afirma.
Além de Pocinhos, existem outros 52 municípios zoneados no Estado, aqueles com aptidão ao plantio da mamona.
ANA CLÁUDIA PAPES