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Produtores terão incentivos para cultivo de mamona


Diário do Nordeste - CE - 23 fev 2007 - 10:08 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:23

A meta é cultivar 40 mil hectares, em 2007. O número é superior aos 16 mil plantados em 2006

Os incentivos foram anunciados pelo secretário de Desenvolvimento Agrário (SDA), engenheiro agrônomo Camilo Sobreira de Santana, no assentamento Recreio, zona
rural de Quixeramobim. Subsidiando o fornecimento de sementes, garantindo preço mínimo e, ainda, a compra da produção e bônus financeiro por hectare plantado. Com esses incentivos o governo do Estado pretende dar um salto na produção de mamona este ano no Ceará. A meta é cultivar pelo menos 40 mil hectares até o fim de 2007. O número pretendido é bem superior aos 16 mil plantados no ano passado. Terá que chegar a 400 mil. Somente assim será suprida demanda de produção anual do óleo vegetal combustível nas usinas de biodiesel implantadas no Estado.

Suporte

O secretário garantiu aos agricultores familiares, presentes ao encontro na Fazenda Recreio — uma das primeiras propriedades rurais destinadas à reforma agrária que teve Eudoro Santana, atual presidente do Dnocs, como mentor do projeto de desapropriação, que os governos do Estado e Federal — em parceria com a Petrobras e prefeituras, darão o suporte necessário para o cultivo da mamona. Entre os principais atrativos estão sementes de graça, compra da produção a R$ 0,70 o quilo e ainda R$ 150,00, por hectare plantado serão os principais atrativos.

Mas os benefícios serão destinados apenas à agricultura primária, familiar, ao pequeno produtor. O repasse financeiro se limitará a três hectares de novo plantio. Em contrapartida o cultivo da oleaginosa terá que ser efetuado somente com sementes selecionadas, em consórcio com o feijão.

O agricultor também terá que aceitar assistência técnica e utilização de calcário nas áreas plantadas. Outro aspecto importante considerado pelo secretário é o de que havendo interesse de cultivo em mais áreas, o produtor terá que informar no cadastramento. O objetivo é assegurar a compra da produção e evitar a atuação de atravessadores.

O Sertão Central será um dos primeiros beneficiados com as novas medidas. Apenas o Cariri não será incluído este ano. Explicou Santana que naquela região já foram iniciados os plantios de outras culturas. A distribuição de sementes começará no início de março, com 20 mil/kg destinados ao agropólo da região Centro. Uma usina entrará em fase de operação em 2008, em Quixadá. Necessitará de 160 mil litros de mamona por dia para o processamento do biodiesel.

Ouro Verde

Os agricultores receberam a notícia com aplausos, mesmo antes do anúncio oficial. Muitos ficaram entusiasmados com a novidade. Os mais velhos compararam o novo período à época áurea do algodão, o “Ouro Branco”, na década de 70, que sucumbiu diante do desestímulo econômico e das pragas, principalmente o Bicudo. “Pelo jeito agora teremos bons tempos novamente. Será a época do ouro verde”, comentou João Tomas de Pinto, 57 anos, assentado do Quininho, comunidade vizinha à Fazenda Recreio.

Mesmo assim, teve gente que questionou os súbitos benefícios. Um deles foi Luiz Tomaz da Silva, 66 anos, lembrou que é difícil “tratar” a mamona. Muitos sentirão a dificuldade.

Para esse problema, Camilo Santana disse também já haver solução. Por meio do Dnocs, o governo do Estado do Ceará já assegurou 14 mini-usinas esmagadoras. Confirmou, ainda, que toda a produção de 2007 será adquirida pela Petrobrás, no “bruto”. Esse é o compromisso. Não bastasse essas vantagens, o secretário ainda assegurou que a torta, resíduo fibroso da mamona, poderá ser utilizada, também, como um adubo para a plantação.

ALEX PIMENTEL