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Para técnicos do governo, mamona para biodiesel é viável

Técnicos ligados ao governo federal discordam da avaliação do físico José Walter Bautista Vidal, criador do Proalcool nos anos 70, quanto ao uso da mamona na produção de biodiesel. A divergência principal é quanto à viabilidade econômica do uso do vegetal, cujo óleo é especialmente valorizado no mercado internacional, por ser utilizado como matéria-prima na produção de lubrificantes, por exemplo. Bautista Vidal também acredita que o governo federal deveria incentivar a mistura de uma porcentagem maior do que 2% de biodiesel no diesel utilizado no país.
Agência Brasil - Spensy Pimentel 4 min de leitura
Técnicos ligados ao governo federal discordam da avaliação do físico José Walter Bautista Vidal, criador do Proalcool nos anos 70, quanto ao uso da mamona na produção de biodiesel. A divergência principal é quanto à viabilidade econômica do uso do vegetal, cujo óleo é especialmente valorizado no mercado internacional, por ser utilizado como matéria-prima na produção de lubrificantes, por exemplo. Bautista Vidal também acredita que o governo federal deveria incentivar a mistura de uma porcentagem maior do que 2% de biodiesel no diesel utilizado no país.

Para Arnoldo de Campos, da Secretaria Nacional de Agricultura Familiar, o uso da mamona na produção do biodiesel é economicamente sustentável. Ele diz que o preço internacional do vegetal é hoje controlado por um grupo pequeno de empresas, que o fixam arbitrariamente. O alto preço do produto não teria base real. "Com a entrada de mais produto e de mais compradores nesse mercado, ele tende a se modificar rapidamente", afirma.

Campos também diz que o governo está investindo no estabelecimento de preços mínimos e outras garantias para os produtores, tanto da mamona como de biodiesel – como contratos de longo prazo e um sistema de seguro, por exemplo. "Para viabilizar o projeto, não podemos fazer balcão de óleo no mercado. A Petrobrás vai fechar contratos e garantir preços, para não ficar refém da cotação da mamona."

Campos, que participa da coordenação e do planejamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, explica que a definição do uso opcional de 2% de mistura do biocombustível ao óleo diesel até 2008 está baseada na avaliação de que é preciso uma "rampa suave" no projeto. "Acreditamos que uma rampa mais íngreme, ou seja, uma mistura muito maior neste momento, dificultaria as políticas de estímulo à organização dos pequenos produtores que estamos buscando", explica ele.

Segundo ele, o governo espera garantir para os agricultores familiares pelo menos 50% dos cerca de 800 milhões a 1 bilhão de litros no mercado aberto pela obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel a partir de 2008 – hoje essa mistura é opcional. Campos explica que os organizadores do Programa do Biodiesel previram a viabilidade da produção do biodiesel a partir de vegetais comuns na monocultura para exportação, como a soja. Por isso, estabeleceram uma política de incentivos fiscais e crédito facilitado para a produção a partir da agricultura familiar. "Com esse apoio do governo, o pequeno agricultor terá condições de concorrer com o biodiesel de soja, por exemplo."

O assessor especial da Presidência da República José Graziano da Silva lembra que a mesma observação quanto à baixa produtividade da mamona era feita nos anos 70 quando a cana-de-açúcar usada para a fabricação de álcool começou a se expandir pelo interior de São Paulo. "Diziam que a produtividade por hectare não dava viabilidade para a cultura. Em poucos anos a produção se multiplicou, por causa do desenvolvimento das técnicas e das variedades cultivadas. Com a mamona, a tendência é acontecer a mesma coisa".

A Brasil Ecodiesel, primeira empresa a produzir biodiesel a partir da mamona, no semi-árido nordestino, desde agosto, também aposta na viabilidade dessa cadeia produtiva. Segundo Ricardo Alonso, gerente de produção da empresa em Floriano (PI), a estratégia da empresa é firmar contratos com os agricultores familiares, de modo que os preços do produto a ser colhido sejam estabelecidos com antecedência, em acordo com as bases de preço mínimo demarcadas pelo governo federal.

Ele lembra que o preço mais alto do óleo de mamona, normalmente tomado por base para apontar a inviabilidade do seu uso para o biodiesel, só é obtido quando o produto está em fase final de processamento, já tendo passado por várias etapas de refino. "O óleo bruto, que usamos para fazer o biodiesel, não chega nem perto dos mais de US$ 1.000 por tonelada que se costuma calcular", explica.

Veja a continuação desta entrevista:

Parte 1: Criador do Proalcool diz que biodiesel completa seu projeto e pede pressa ao país

Parte 2: Para físico, país pode evitar que biodiesel seja dominado por grandes produtores

Parte 3: "Brasil está condenado a ser a grande potência energética do mundo", diz Vidal

Parte 4: Para técnicos do governo, mamona para biodiesel é viável e 2% são necessários por ora


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