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Ceará, terra rica para produção da mamona

Três projetos pilotos de produção do biodiesel estão sendo implementados no Nordeste: dois no Ceará e um na Bahia.
Diário do Nordeste - CE 3 min de leitura
Três projetos pilotos de produção do biodiesel estão sendo implementados no Nordeste: dois no Ceará e um na Bahia. No município cearense de Tauá, região dos Inhamuns e coração do semi-árido brasileiro, onde a pluviometria é uma das mais baixas do planeta, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), vinculado ao Ministério da Integração Nacional, pôs em funcionamento a primeira de uma série de miniusinas que produzirão biodiesel extraído, principalmente da mamona. Também encontra-se em fase de implantação a usina de Piquet Carneiro, município do Sertão de Senador Pompeu, além de Crateús, que já está produzindo biodiesel através da iniciativa privada. A outra usina estatal em implantação no Nordeste é a de Irecê, na Bahia. O Governo Federal tem dado prioridade ao Nordeste pelo clima propício ao desenvolvimento da mamona, mais conhecida entre os cearenses como carrapateira. Assim, está com os dias contados o combustível fóssil, que agride a saúde humana e degrada o meio ambiente.

Uma das boas notícias desta semana para os defensores do biodiesel veio da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ela anunciou que o programa que prevê a mistura de 5% de biodiesel ao óleo diesel vendido no Brasil, previsto para vigorar a partir de 2013, deverá ser antecipado. O novo prazo, no entanto, depende da produção e da implementação da primeira fase do programa, que prevê o uso obrigatório de uma mistura de 2% de biodiesel ao diesel a partir de 2008. Hoje a mistura de 2% de biodiesel é autorizada e seu uso opcional.

O próprio presidente Lula, que esteve com representantes dos produtores de oleaginosas, fornecedores de máquinas e equipamentos e indústrias produtoras de biodiesel, confirmou que o programa deve avançar, mas de forma harmoniosa, sem que haja distorção no sistema produtivo nem no mercado consumidor.

A usina de Tauá foi a primeira de 10 a serem instaladas no Ceará até o final do próximo ano, segundo cronograma do Governo Federal. Ela terá capacidade, em breve, de produzir 100 litros de biodiesel por hora, 2,4 mil por dia, em plena produção e até 964 mil litros por ano do biocombustível e deverá consumir duas mil toneladas de sementes de mamona por ano. ressalte-se que esta produção ainda é indisponível na região dos Inhamuns. A miniusina de Tauá está localizada na Várzea do Boi, zona rural do município. Junto com a unidade de Piquet Carneiro, as duas usinas consumiram investimento de R$ 1,3 milhão, através de convênio com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).

O Ministério da Integração Nacional deixou claro que o Dnocs e as prefeituras garantirão, inicialmente, o transporte e a lojística necessária para conduzir a produção da oleaginosa dos pequenos sítios até a usina. Os próximos municípios cearenses a serem beneficiados com miniusinas de biodiesel são Limoeiro do Norte, Russas, Itapipoca, Sobral e Aracoiaba.

A agricultura familiar participa não apenas com a venda da matéria-prima, mas também no esmagamento da semente para fazer o óleo e na transformação do óleo em biodiesel. A proposta é priorizar a produção de mamona nos assentamentos do semi-árido, gerando emprego e renda na região. O biodiesel é uma das fontes de matriz energética do futuro pelas suas qualidades não agressivas ao meio ambiente.

Luciano Luque
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