O atravessador foi o principal responsável pelo declínio da mamona nos anos de 1950 e 1970 quando a produtividade chegou a 536 quilos por hectare. Naquele período, o quilo da mamona possuía maior valor de venda, R$ 1,54, baixando para R$ 0,45 em 2003, ao mesmo tempo em que a produção aumentou para 795 quilos por hectare. Ricardo Mendes, coordenador do Projeto do Biodiesel do Nutec, lembra que a venda da mamona era para o atravessador:
A venda era feita para extração de óleo que era comercializado para a sofisticada indústria química internacional. O óleo de mamona tem utilização desde a indústria cosmética até a de foguetes. No entanto, lembra, a cadeia produtiva não era organizada, daí a preocupação com essa nova corrida à mamona, três décadas depois do seu apogeu, que ficou concentrado, sobretudo na Bahia, que continua explorado o negócio.
Ricardo Mendes chama a atenção para que os erros cometidos no Programa do Álcool não sejam repetidos agora, quando a monocultura gerou a figura do bóia-fria. Quanto a isso, Jackson Malveira, químico do Projeto Biodiesel do Nutec, explica que a determinação do governo federal é de que 50% do óleo adquirido nos leilões da Petrobras seja da agricultura familiar, beneficiando o pequeno produtor.
O Ceará já chegou a produzir cerca de 22 mil toneladas/ano de mamona caindo para 1.700. Na década de 1950, a área plantada era de 40 mil hectares, contra 2,2 mil hectares em 2003. Vários fatores contribuíram para a derrocada da mamona, naquela época. Falta de apoio logístico, além da queda da qualidade genética da mamona selvagem que diminuiu o teor de óleo.
O Estado conta hoje com dois tipos de sementes de mamona, trazidas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Campina Grande (Paraíba). São elas, Paraguassu, com 48% de teor de óleo e a Nordestina, com 49%. As sementes chegaram no final de 2003 e foram disponibilizadas no ano passado. Em 2006, foram plantadas 50 toneladas de semente, explicou Valdenor Feitosa, gerente do Projeto Mamona do Ceará, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri).
Embora venha sendo chamada de “ouro verde”, o Ceará ainda não é auto-suficiente na produção de mamona, cuja semente apresenta, em média, 45% de teor de óleo. Isso significa que um quilo de baga contém 450g de óleo, sendo o resto utilizado para fertilizante.
Produto que já figurou na pauta de exportação cearense nas décadas de 1950 e 1970, hoje, acontece uma retomada dessa cultura, despontando num cenário promissor das bioenergias. Cercada ainda de preconceito, sobretudo pela falta de esclarecimento do agricultor, que ainda vê risco para o gado, devido à toxicidade, esse novo ciclo da mamona está apenas engatinhando.
De acordo com informações de Valdenor Neves Feitosa, gerente do Projeto Mamona do Ceará, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri), a meta atual é de 134.125 tonelada/ano, sendo a área plantada estimada em 28.718 hectares, existindo 81 municípios zoneados para a produção da semente. Programa recente, portanto faltam ainda ajustes, que tem como um dos principais pontos a garantia da participação da agricultura familiar, evitando o surgimento do atravessador.
“O agricultor precisa se organizar em cooperativas, caso contrário poderá vender para o atravessador ou ao bodegueiro”, alerta Valdenor Feitosa. Para garantir o negócio, o agricultor precisa plantar e ter a certeza de que haverá preço razoável, observa. O desafio é grande, prossegue, explicando que o maior gargalo do Estado foi a comercialização, considerada fechada. “Há denúncias de que o preço, na última safra, chegou a R$ 0,30”, informou, atribuindo à falta de organização dos produtores..
José Wilson de Sousa Gonçalves, secretário de Política Agrícola da Fetraece, afirma que está negociando com o governo a criação de mais estímulos para a produção de mamona e linhas de financiamento. Cobra do Estado a complementação de políticas do Programa Nacional do Biodiesel. Valdenor Feitosa rebate: “O Estado cumpriu com a sua parte disponibilizando 11 agente rurais só para a mamona”.
Ele cita a criação do Projeto Mamona do Ceará, em agosto de 2003, e atração da empresa Brasil Ecodiesel, hoje instalada em Crateús, cuja usina será inaugurada neste mês, com capacidade de 300 mil litros/dia. Valdenor Feitosa garante que o Estado é “auto-suficiente na produção de semente selecionada”. Informa que até 2003 não dispunha do produto e produzia apenas 1.600 toneladas de baga, pulando, hoje, para 22 mil. (IS)
A venda era feita para extração de óleo que era comercializado para a sofisticada indústria química internacional. O óleo de mamona tem utilização desde a indústria cosmética até a de foguetes. No entanto, lembra, a cadeia produtiva não era organizada, daí a preocupação com essa nova corrida à mamona, três décadas depois do seu apogeu, que ficou concentrado, sobretudo na Bahia, que continua explorado o negócio.
Ricardo Mendes chama a atenção para que os erros cometidos no Programa do Álcool não sejam repetidos agora, quando a monocultura gerou a figura do bóia-fria. Quanto a isso, Jackson Malveira, químico do Projeto Biodiesel do Nutec, explica que a determinação do governo federal é de que 50% do óleo adquirido nos leilões da Petrobras seja da agricultura familiar, beneficiando o pequeno produtor.
O Ceará já chegou a produzir cerca de 22 mil toneladas/ano de mamona caindo para 1.700. Na década de 1950, a área plantada era de 40 mil hectares, contra 2,2 mil hectares em 2003. Vários fatores contribuíram para a derrocada da mamona, naquela época. Falta de apoio logístico, além da queda da qualidade genética da mamona selvagem que diminuiu o teor de óleo.
O Estado conta hoje com dois tipos de sementes de mamona, trazidas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Campina Grande (Paraíba). São elas, Paraguassu, com 48% de teor de óleo e a Nordestina, com 49%. As sementes chegaram no final de 2003 e foram disponibilizadas no ano passado. Em 2006, foram plantadas 50 toneladas de semente, explicou Valdenor Feitosa, gerente do Projeto Mamona do Ceará, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri).
Fetraece quer evitar figura do atravessador
Escassez de semente, crédito e melhor preço de venda do quilo de baga (semente), comercializada na última safra até por R$ 0,30, cujo preço estipulado era de R$ 0,55. Uma das reivindicações da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais no Estado do Ceará (Fetraece) é elevar para, pelo menos, R$ 0,62 o preço do quilo da baga. Estes são alguns dos problemas enfrentados pelos agricultores cearenses que apostaram na cultura da mamona.Embora venha sendo chamada de “ouro verde”, o Ceará ainda não é auto-suficiente na produção de mamona, cuja semente apresenta, em média, 45% de teor de óleo. Isso significa que um quilo de baga contém 450g de óleo, sendo o resto utilizado para fertilizante.
Produto que já figurou na pauta de exportação cearense nas décadas de 1950 e 1970, hoje, acontece uma retomada dessa cultura, despontando num cenário promissor das bioenergias. Cercada ainda de preconceito, sobretudo pela falta de esclarecimento do agricultor, que ainda vê risco para o gado, devido à toxicidade, esse novo ciclo da mamona está apenas engatinhando.
De acordo com informações de Valdenor Neves Feitosa, gerente do Projeto Mamona do Ceará, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagri), a meta atual é de 134.125 tonelada/ano, sendo a área plantada estimada em 28.718 hectares, existindo 81 municípios zoneados para a produção da semente. Programa recente, portanto faltam ainda ajustes, que tem como um dos principais pontos a garantia da participação da agricultura familiar, evitando o surgimento do atravessador.
“O agricultor precisa se organizar em cooperativas, caso contrário poderá vender para o atravessador ou ao bodegueiro”, alerta Valdenor Feitosa. Para garantir o negócio, o agricultor precisa plantar e ter a certeza de que haverá preço razoável, observa. O desafio é grande, prossegue, explicando que o maior gargalo do Estado foi a comercialização, considerada fechada. “Há denúncias de que o preço, na última safra, chegou a R$ 0,30”, informou, atribuindo à falta de organização dos produtores..
José Wilson de Sousa Gonçalves, secretário de Política Agrícola da Fetraece, afirma que está negociando com o governo a criação de mais estímulos para a produção de mamona e linhas de financiamento. Cobra do Estado a complementação de políticas do Programa Nacional do Biodiesel. Valdenor Feitosa rebate: “O Estado cumpriu com a sua parte disponibilizando 11 agente rurais só para a mamona”.
Ele cita a criação do Projeto Mamona do Ceará, em agosto de 2003, e atração da empresa Brasil Ecodiesel, hoje instalada em Crateús, cuja usina será inaugurada neste mês, com capacidade de 300 mil litros/dia. Valdenor Feitosa garante que o Estado é “auto-suficiente na produção de semente selecionada”. Informa que até 2003 não dispunha do produto e produzia apenas 1.600 toneladas de baga, pulando, hoje, para 22 mil. (IS)