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Parlamento Europeu limita consumo de biocombustíveis de 1ª geração

UE limite_1aGeracao_120913O Parlamento Europeu aprovou ontem (11) a proposta que limita o consumo de biocombustíveis de 1ª geração a 6%.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O Parlamento Europeu aprovou ontem (11) a proposta que limita o consumo de biocombustíveis de 1ª geração a 6%.

Despois de praticamente um ano de polêmica, nessa quarta-feira (11) o Parlamento Europeu finalmente bateu o martelo na controversa proposta que pretendia limitar o consumo de biocombustíveis de 1ª geração. Optando pelo meio termo, os eurodeputados decidiram fixar o teto em 6%, quando o projeto original pedia 5%.

A votação modificou a Diretiva de Energias Renováveis e a Diretiva de Qualidade dos Combustíveis que estabeleciam que os países-membros do bloco deveriam atingir a meta de 10% de energias renováveis no setor de transportes até 2020. Até o momento, a substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis da 1ª geração – especialmente o biodiesel que corresponde a 79,1% do total – vinha sendo a estratégia mais comum para alcançar esse objetivo. 

A ideia é que a imposição do teto leve os governos da UE a aumentarem os incentivos ao desenvolvimento da 2ª geração de biocombustíveis que são fabricados a partir de biomassa que hoje é descartada na forma de rejeitos agrícolas e/ou alimentares. Essa mudança tecnológica, em tese, contribuiria para diminuir a pressão que a indústria de biocombustíveis estaria exercendo sobre os recursos agrícolas globais.

A limitação evidentemente desagradou as fabricantes de biocombustíveis. Principal associação de fabricantes de etanol da Europa, a ePure, considerou a decisão desencorajadora. “É desapontante ver que o Parlamento Europeu decidiu reduzir significativamente o mercado para os biocombustíveis convencionais”, disse o secretário geral da associação, Rob Vierhout, ponderando que a decisão terá efeitos negativos sobre a claudicante economia do Velo Continente. 

A possibilidade de perdas de investimentos e de empregos também foi o ponto criticado pelo Conselho Europeu do Biodiesel (EBB) – maior associação de fabricantes de biodiesel do continente – que defendia que qualquer limite imposto ao consumo de biocombustíveis “não deveria ser inferior a 7%”. 

Mas o limite não foi o único ponto criticado pela EBB. Para aumentar ainda mais o estímulo ao desenvolvimento tecnológico, o novo texto estabeleceu a obrigatoriedade de que 2,5 pontos percentuais na meta de 10% seja atendida usando biocombustíveis “avançados”. Contudo, exclui dessa conta o biodiesel fabricado a partir de sebo bovino ou de óleos de cozinha reciclado decisão que foi classificada como “esquizofrênica” por representantes do Conselho.

Arranhões na imagem
A decisão do Parlamento Europeu reflete uma prolongada crise de imagem que os biocombustíveis convencionais vêm enfrentando nos últimos anos. Inicialmente, os biocombustíveis foram considerados a solução para que a Europa reduzisse suas emissões de gás carbônico relacionadas ao consumo de combustíveis fósseis.

Contudo, os biocombustíveis de 1ª geração são fabricados a partir de commodities alimentares – óleos vegetais no caso do biodiesel e açúcares ou amidos no caso do etanol. Isso logo os colocou na berlinda quando os preços dos alimentos apresentaram altas preocupantes e deu força à suspeita de que a demanda crescente por parte da indústria estaria puxando para cima os preços de diversos produtos agrícolas e aumentando a insegurança alimentar nos países em desenvolvimento. 

A chamada polêmica “combustíveis versus alimentos” nunca chegou a ser 100% resolvida. Há defensores tanto de um lado quanto do outro. Ainda assim, ela arranhou a imagem antes imaculada desses energéticos.

O quanto esse debate é carregado pode ser sentido pelo fato da ONG ActionAid ter considerado a decisão do Europarlamento de fixar um teto um pouco mais elevado que os 5% iniciais um “chute na cara dos pobres do mundo”. “‘Os eurodeputados de toda a Europa viraram as costas aos pobres do mundo, bem como a seus constituintes, ao continuarem a encorajar o uso de comida como combustível”, criticou a diretora de políticas e campanhas da entidade, Nuria Molina. 

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: Biofuels International, Biodiesel Magazine e European Voice
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