Mudança nas regras de biocombustíveis da UE incomoda fabricantes
Entidades do setor de biocombustíveis da UE se mobilizam para influenciar no debate de reforma da Diretiva de Energias Renováveis.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Embora tenha sido fechado pelo Conselho Europeu em junho passado, o acordo que revê as metas da Diretiva de Energias Renováveis (RED 2009) para o setor de biocombustível ainda aguarda para ser apreciado pelo recém-eleito Parlamento Europeu.
Isso tem dado oportunidade para que as entidades representativas do setor aumentem a pressão.
Embora tenha sido fechado pelo Conselho Europeu em junho passado, o acordo que revê as metas da Diretiva de Energias Renováveis (RED 2009) para o setor de biocombustível ainda aguarda para ser apreciado pelo recém-eleito Parlamento Europeu. Isso tem dado oportunidade para que as entidades representativas do setor aumentem a pressão.
As maiores entidades representativas do setor tiveram reações contraditórias sobre o acordo: por um lado eles se dizem satisfeitos pela proposta ter avançado reduzindo as incertezas que pesavam sobre o setor; contudo elas se mostram desconforto em relação a vários pontos da proposta. Esse foi a tônica, por exemplo, do discurso do ePURE, principal organização de fabricantes de etanol da Europa. “[O acordo] deve preparar o caminho para um quadro político estável que permitirá restaurar a confiança dos investidores no mercado de biocombustíveis”, declarou o grupo defensor do etanol.
Um dos pontos mais rechaçados é o que estabelece um limite de 7% de biocombustíveis convencionais para o cumprimento da meta de 10% de energia renovável no setor de transportes até 2020. O Conselho Europeu de Biodiesel (EBB) – principal entidade dos produtores de biodiesel na Europa – afirma que eventual redução superior aos 7% já acordados poderá "se constituir uma ameaça para a agricultura e economia da União Europeia".
Embora o acordo atual fale em 7%, a proposta original era que o teto fosse fixado em 5%.
Essa posição tem suporte de, pelo menos, oito ministros dos países-membros da UE que já avisaram ao Conselho Europeu que não irão apoiar qualquer tentativa do Parlamento Europeu de reduzir ainda mais o teto. Esses ministros são representantes dos seguintes países: República Checa, Estônia, França, Hungria, Polônia, Romênia, Eslováquia e Espanha.
2ª geração Outra proposta considerada polêmica é a que fixa o uso de 0,5% de biocombustíveis avançados.
A Associação Alemã das Indústrias de Etanol (BDBe) classificou a meta de 0,5% para os biocombustíveis avançados como "totalmente inadequada" e insuficiente para promover o uso de “tecnologias inovadoras e caras”.
Para a Associação de Biocombustíveis da Alemanha (VDB), o acordo vai lançar "regulamentos estranhos" no setor, prejudicando-o. "Esperamos até o final do ano saber em que condições legais iremos trabalhar no futuro", disse a VDB.
De acordo com as estimativas do ePURE, para atender à meta de 0,5% biocombustíveis avançados no setor de transportes europeu, seriam necessários investimentos da ordem de € 3 bilhões – pouco mais de R$ 9 bilhões pelo câmbio de hoje (19). "Isso só será possível com a definição de metas ambiciosas para depois de 2020, o que permitirá investimentos a longo prazo em instalações produtivas", argumentou.
Corte O EBB também mostrou preocupação com a decisão dos ministros de excluir os óleos e gorduras residenciais (OGR’s) da lista de matéria-prima a serem aplicadas na fabricação de biocombustíveis avançados, enquanto a eletricidade ganha mais espaço.
"As autoridades da UE estão se esquecendo que a eletricidade não é uma fonte de energia como o biodiesel, mas apenas um portador de energia. Considerando que a eletricidade é produzida a partir de fontes fósseis, o uso de energia elétrica no transporte não terá impacto direto na promoção de fontes renováveis no setor de energia", ponderou o conselho.
A produção de biodiesel a partir do óleo de cozinha usado tornou-se uma das áreas chaves de crescimento do setor na Europa nos últimos anos, devido aos incentivos regulatórios oferecidos aos produtores para a utilização desse resíduo como matéria-prima.
Cátia Franco – BiodieselBR.com Com informações OilTrends