
Órgão científico da Comissão Europeia aponta que reversão nas políticas de biocombustíveis na UE teria reflexos negativas na agricultura mundial.
O Joint Research Centre (JRC), órgão científico interno da Comissão Europeia, publicou recentemente um estudo sobre os possíveis desdobramentos da adoção de políticas voltadas a energias renováveis tanto para o segmento de biocombustíveis como o de óleos vegetais. O trabalho joga um pouco de luz sobre quais podem ser os desdobramentos da recente decisão do Parlamento Europeu de limitar o consumo de biocombustíveis de primeira geração.
Os pesquisadores do JRC usaram como ponto de partida um cenário no qual 10% da energia usada no setor dos transportes pelos países da UE em 2020 vem de fontes renováveis. Nesse cenário de referência, o consumo de biocombustíveis em 2020 chegaria a 29,2 milhões de toneladas de óleo equivalente (toe) com o biodiesel respondendo por 62% deste volume – 17,4 milhões de toe –, participação dos quais 15,1 milhões de toe seriam fabricados pela indústria europeia e o restante seria importado.
Segundo os autores do estudo, a predominância do biodiesel só não seria maior porque poucos carros podem usar misturas com mais de 10% de biodiesel.
Além disso, eles apontam que tem havido uma considerável perda de interesse por parte da indústria automobilística e dos governos na elevação dos padrões de misturas de biodiesel. Como exemplo, citam a decisão do governo alemão de reduzir a vantagem fiscal dada ao biodiesel puro.
Comparações
Para dimensionar os impactos das políticas de incentivo, estudo comparou esse “cenário base” com outros três em função da proporção de biocombustíveis que o setor de transportes seria obrigado a consumir: no primeiro os biocombustíveis corresponderiam a 8% do volume; no segundo a 5%; e no terceiro não haveria qualquer obrigatoriedade de mistura. .
Nesses primeiros dois cenários – 8% e 5% –, o consumo projetado de biodiesel em 2020 ficaria, respectivamente, em 15 e 12,3 milhões de toe – queda de 13,4% e 29,3% na comparação com o cenário base.
Contudo, a perspectiva mais desastrosa é trazida pelo terceiro cenário no qual as metas de energias renováveis para o transporte são virtualmente abolidas. Nesse caso, a demanda projetada para o biodiesel equivaleria a meros 1,5% do consumo de diesel mineral. Em termos absolutos, isso daria 6 milhões de toe, aproximadamente um terço do que seria consumido caso o cenário base tivesse sido mantido.
Etapa agrícola
Essa queda afetaria “fortemente” a demanda por óleos vegetais. Em qualquer um dos três cenários explorados no relatório, o uso de óleos vegetais na produção de biocombustíveis amargaria expressivas quedas em 2020.
No cenário mais pessimista – que supõe que a obrigatoriedade da mistura seria revogada – a demanda por óleos vegetais para a produção de biocombustíveis despencaria quase 75,2% em 2020. Uma reviravolta que, ainda segundo o estudo, teria reflexos negativos sobre as agroindústrias. A área global plantada com oleaginosas que, mantido o cenário base, seria de 237,8 milhões de hectares em 2020 ficaria 1,3% menor no caso todos os estímulos da UE aos biocombustiveis fossem eliminados.
O cenário de ausência de políticas também teria reflexos significativos nos preços dos óleos vegetais praticados no mercado internacional cujo valor ficaria 15% abaixo da base. Além disso, o valor pago nos farelos e tortas utilizados na produção de rações para animais aumentaria perto de 5% em razão da redução na oferta.
Os autores do estudo chamam a atenção para o fato de que a diminuição do preço no mercado mundial de óleo vegetal seria significativamente menor que no mercado interno europeu. Isso porque a principal matéria-prima para o biodiesel europeu é o óleo de colza que tem uma representatividade muito menor do que os óleos de soja e de dendê. O que levaria a uma queda mais acentuada desses dois últimos.
O relatório (em inglês) pode ser acessado na íntegra clicando aqui.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
O Joint Research Centre (JRC), órgão científico interno da Comissão Europeia, publicou recentemente um estudo sobre os possíveis desdobramentos da adoção de políticas voltadas a energias renováveis tanto para o segmento de biocombustíveis como o de óleos vegetais. O trabalho joga um pouco de luz sobre quais podem ser os desdobramentos da recente decisão do Parlamento Europeu de limitar o consumo de biocombustíveis de primeira geração.
Os pesquisadores do JRC usaram como ponto de partida um cenário no qual 10% da energia usada no setor dos transportes pelos países da UE em 2020 vem de fontes renováveis. Nesse cenário de referência, o consumo de biocombustíveis em 2020 chegaria a 29,2 milhões de toneladas de óleo equivalente (toe) com o biodiesel respondendo por 62% deste volume – 17,4 milhões de toe –, participação dos quais 15,1 milhões de toe seriam fabricados pela indústria europeia e o restante seria importado.
Segundo os autores do estudo, a predominância do biodiesel só não seria maior porque poucos carros podem usar misturas com mais de 10% de biodiesel.
Além disso, eles apontam que tem havido uma considerável perda de interesse por parte da indústria automobilística e dos governos na elevação dos padrões de misturas de biodiesel. Como exemplo, citam a decisão do governo alemão de reduzir a vantagem fiscal dada ao biodiesel puro.
Comparações
Para dimensionar os impactos das políticas de incentivo, estudo comparou esse “cenário base” com outros três em função da proporção de biocombustíveis que o setor de transportes seria obrigado a consumir: no primeiro os biocombustíveis corresponderiam a 8% do volume; no segundo a 5%; e no terceiro não haveria qualquer obrigatoriedade de mistura. .
Nesses primeiros dois cenários – 8% e 5% –, o consumo projetado de biodiesel em 2020 ficaria, respectivamente, em 15 e 12,3 milhões de toe – queda de 13,4% e 29,3% na comparação com o cenário base.
Contudo, a perspectiva mais desastrosa é trazida pelo terceiro cenário no qual as metas de energias renováveis para o transporte são virtualmente abolidas. Nesse caso, a demanda projetada para o biodiesel equivaleria a meros 1,5% do consumo de diesel mineral. Em termos absolutos, isso daria 6 milhões de toe, aproximadamente um terço do que seria consumido caso o cenário base tivesse sido mantido.
Etapa agrícola
Essa queda afetaria “fortemente” a demanda por óleos vegetais. Em qualquer um dos três cenários explorados no relatório, o uso de óleos vegetais na produção de biocombustíveis amargaria expressivas quedas em 2020.
No cenário mais pessimista – que supõe que a obrigatoriedade da mistura seria revogada – a demanda por óleos vegetais para a produção de biocombustíveis despencaria quase 75,2% em 2020. Uma reviravolta que, ainda segundo o estudo, teria reflexos negativos sobre as agroindústrias. A área global plantada com oleaginosas que, mantido o cenário base, seria de 237,8 milhões de hectares em 2020 ficaria 1,3% menor no caso todos os estímulos da UE aos biocombustiveis fossem eliminados.
O cenário de ausência de políticas também teria reflexos significativos nos preços dos óleos vegetais praticados no mercado internacional cujo valor ficaria 15% abaixo da base. Além disso, o valor pago nos farelos e tortas utilizados na produção de rações para animais aumentaria perto de 5% em razão da redução na oferta.
Os autores do estudo chamam a atenção para o fato de que a diminuição do preço no mercado mundial de óleo vegetal seria significativamente menor que no mercado interno europeu. Isso porque a principal matéria-prima para o biodiesel europeu é o óleo de colza que tem uma representatividade muito menor do que os óleos de soja e de dendê. O que levaria a uma queda mais acentuada desses dois últimos.
O relatório (em inglês) pode ser acessado na íntegra clicando aqui.
Cátia Franco – BiodieselBR.com