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Produção de biodiesel da Indonésia pode chegar a 4 bilhões de litros

SudesteAsiatico 260515Graças à adoção do B15, os fabricantes de biodiesel da Indonésia esperam que até 4 bilhões de litros de biocombustível sejam produzidos pelo país asiático.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O aumento da mistura aprovado no mês passado fez com que os fabricantes da Indonésia revisassem suas projeções para este ano. A nova estimativa da Associação de Produtores de Biodiesel da Indonésia (Aprobi) – entidade de maior representatividade do setor no país – é que a demanda atinja até 4 bilhões de litros.


O aumento da mistura aprovado no mês passado fez com que os fabricantes da Indonésia revisassem suas projeções para este ano. A nova estimativa da Associação de Produtores de Biodiesel da Indonésia (Aprobi) – entidade de maior representatividade do setor no país – é que a demanda atinja até 4 bilhões de litros.

O governo indonésio não tem economizado esforços para que essa perspectiva de elevação do consumo de biodiesel se concretize. Além dos sucessivos aumentos na mistura – o país implementou o B10 em janeiro de 2014, saltou para B15 e espera chagar ao B20 no ano que vem –, o governo está criando um novo subsídio para o biocombustível.

O presidente indonésio Joko Widodo já assinou o regulamento que prevê a cobrança de um imposto entre US$ 50 e US$ 30 por cada tonelada de óleo de palma bruto ou processado exportada. Os recursos – calculados pelo governo em US$ 750 milhões – serão usados para baratear a produção de biodiesel no país.

Contudo, atrasos na definição das diretrizes da agência especial que irá gerenciar o novo fundo pode empurrar a implementação do programa, que era prevista para este mês, para agosto. "Não é nenhum problema", contemporizou o ministro das Finanças, Bambang Brodjonegoro. "Quando a BLU [sigla da agência gestora do fundo] estiver pronta, ele [o programa de incentivos] será implementado."

Efeito colateral

Para a Indonésia a aposta no biodiesel resolve dois problemas simultaneamente, reduz as importações de derivados de petróleo e aumenta o mercado para o óleo de palma – o país é o maior produtor mundial da commodity. Contudo, autoridades da área científica apontam que isso pode ter custos. "O desejo da Indonésia para alcançar a segurança energética é compreensível, mas como um instrumento econômico global pode ter todos os tipos de consequências negativas”, diz Will McFarland, pesquisador do programa de clima e energia do grupo de reflexão independente do Instituto de Desenvolvimento Estrangeiro (ODI).

McFarland é o coautor de um estudo, publicado no final de março, que argumenta que os subsídios oferecidos aos biocombustíveis e a produção agrícola doméstica podem conduzir a perda de florestas tropicais. "O esforço da indústria de óleo de palma para criar incentivos pode resultar em mais desmatamento", adverte McFarland.

O estudo observa que impulso contínuo dado Indonésia aos biocombustíveis não só irá destruir mais florestas como também trará implicações para a segurança alimentar. Atualmente, mais de 10 milhões de hectares são destinados para o cultivo de óleo de palma no país, que responde por mais de metade da produção mundial.

Krystof Obidzinski, cientista do Centro Internacional de Pesquisa Florestal baseado na Indonésia, vê com preocupação a meta do governo de ampliação rápida do consumo de biocombustíveis. "O óleo de palma é bom, mas tem que ter sua escala reduzida. Isso precisa ser implementado por meio de uma abordagem mais gradual, em vez de um investimento em larga escala em um curto período de tempo", defende Obidzinski.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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