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EPA publica metas para mercado de biocombustíveis dos Estados Unidos

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos publicou as novas metas para biocombustíveis. O biodiesel terá aumentos garantidos até 2017.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo norte-americano finalmente publicou as novas metas para o Renewable Fuel Standard (RFS) – regra que determina quanto biocombustível os Estados Unidos precisam adicionar aos combustíveis fósseis a cada ano. A divulgação acontece com mais de um ano e meio de atraso.

A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo norte-americano finalmente publicou as novas metas para o Renewable Fuel Standard (RFS) – regra que determina quanto biocombustível os Estados Unidos precisam adicionar aos combustíveis fósseis a cada ano. A divulgação acontece com mais de um ano e meio de atraso.

Todo o segmento de biocombustíveis nos Estados Unidos está em pé de guerra desde outubro de 2013 quando um vazamento mostrou que a EPA estava considerando reduzir o volume de mistura exigido em diversos segmentos chave do mercado. A situação acabou evoluindo para um braço de ferro político com adiamentos sucessivos na data de publicação das metas.

No fim das contas, a nova proposta traz algumas boas notícias para os fabricantes de biodiesel. Além de oficializar os pouco menos de 6,2 bilhões de litros consumidos pelos norte-americanos em 2014 retroativamente (na proposta de outubro de 2013, a meta para 2014 era de 4,85 bilhões de litros), a EPA estabeleceu metas crescentes até 2017 [veja tabela]. Isso dá as usinas norte-americanas terão uma perspectiva de crescimento pelos próximos dois anos e meio.

De acordo com a proposta da EPA, o mercado de biodiesel dos EUA chegará a 2017 demandando praticamente 7,2 bilhões de litros – ao aumento chega a 16,5% nos quatro anos de vigência da proposta.



Avançados

Além disso, a EPA abriu uma segunda janela para que as vendas de biodiesel cresçam ainda mais por meio das metas para os biocombustíveis avançados – classe de biocombustíveis que atingem uma redução de 50% nas emissões de carbono quando comparado do combustível fóssil que substituem. O crescimento nesse nicho poderá chegar a 26,8% até 2016.

Embora tenham uma meta volumétrica própria, pelas regras do governo norte-americano o biodiesel é considerado uma subcategoria dos biocombustíveis avançados. Isso significa que o biodiesel pode avançar sobre qualquer volume extra previsto na regra para avançados.

Nesse segundo caso, o potencial de crescimento é mais difícil de entender em função da medida adotada: o conteúdo energético de um galão – 3,8 litros – de etanol. Isso que exige um pouco de matemática para determinar o mercado potencial – cada galão de biodiesel representa 1,55 galão de etanol equivalente. Tudo fatorado, o mandato de biocombustíveis avançado permitiria a venda de aproximadamente 1,5 bilhão de litros de biodiesel a mais em 2016.

Parede

No que diz respeito ao etanol, os novos números frustraram o mercado. A proposta da EPA é que a meta para este ano seja de 50,7 bilhões de litros subindo para 53 bilhões de litros no ano que vem.

O a EPA está levando em conta o conceito de blend wall (“parede de mistura”, numa tradução literal) proposta defendida pelas petroleiras e que limita a adição de etanol à 10% da gasolina consumida no país.

Consideradas todos os biocombustíveis sob o guarda-chuvas da RFS, a nova versão traz como meta a adição de 60,3 bilhões de litros para 2014 (retroativamente), 61,7 bilhões para 2015 e 65,8 bilhões para o próximo ano. O Energy Independence and Security Act de 2007 – lei que criou o RFS – estipulava como meta para o ano 2022 uma demanda de 136,3 bilhões de litros de biocombustíveis.

Reação

Embora destaque que a proposta não é perfeita, a Associação Nacional do Biodiesel (NBB, na sigla original) se mostrou moderadamente otimista em relação aos valores divulgados pela EPA. O CEO da entidade, Joe Jobe, considerou o anúncio como positivo. “Esta proposta é um passo significativo na direção correta”, avaliou. A NBB defende a obrigatoriedade de 10,2 bilhões de litros em 2017.

O presidente da maior fabricante norte-americana de biodiesel Renewable Energy Group (REG), Daniel J. Oh, também elogiou o anúncio. “Esta proposta reduz as incertezas e aponta na direção de um crescimento contínuo [para o biodiesel] no curto prazo e além”, completou.

Nem todo parece animado, a Associação Americana da Soja, disse que o volume proposto não capitaliza sobre o potencial de crescimento da indústria.

A proposta ainda passará por um período comentários públicos que deverão se estender até 27 de julho antes dos números finais serem conhecidos, o que deve acontecer por volta de novembro.

O documento com a proposta resumida da EPA pode ser conferido clicando aqui (em inglês).

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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