A Agência de Proteção Ambiental (EPA) deixou para o último minuto – a publicação era esperada para ontem, mas, só aconteceu hoje (01) –, a apresentação dos números finais para o Renewable Fuel Standard (RFS) colocando um ponto final em anos de indefinição.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) deixou para o último minuto – a publicação era esperada para ontem, mas, só aconteceu hoje (01) –, a apresentação dos números finais para o Renewable Fuel Standard (RFS) colocando um ponto final em anos de indefinição.
Com só mais um mês pela frente para o final do ano, o anúncio apenas oficializa os resultados de 2014 e os que já eram esperados para este ano. O documento [veja tabela] inclui ainda as metas para 2016 e – no caso apenas do biodiesel – para 2017. A espera trouxe, pelo menos, uma boa notícia: a EPA aumentou um pouco os números preliminares que havia adiantado no começo de junho.
As mudanças feitas pela EPA foram particularmente benevolentes para a indústria de biodiesel. De acordo com os números da proposta preliminar, a meta para esse ano seria de 6,4 bilhões de litros e cresceria 380 milhões de litros por ano até chegar a 7,2 bilhões de litros em 2017. Para este ano, a meta teve um crescimento apenas marginal – 115 milhões de litros – em relação à proposta inicial. No ano que vem, contudo, o mercado mandatório crescerá 645 milhões de litros se aproximando da marca de 7,2 bilhões de litros. Para 2017, a meta chegará perto de 7,6 bilhões de litros.
Em 2012, a produção norte-americana foi de 3,7 bilhões de litros. Com as novas metas, o setor está a caminho de dobrar de tamanho em apenas cinco anos. Vale notar que, embora o biodiesel seja o maior volume, esses números também cobrem outros tipos de diesel renovável.
Avançados
O crescimento pode ser ainda maior. Embora tenha seu mandato específico, o biodiesel também está contido no mandato de biocombustíveis avançados – aqueles que reduzem em pelo menos 50% as emissões de gás carbônico.
Na prática, isso quer dizer que as usinas podem colocar no mercado um pouco mais de produto aproveitando essa brecha. Entender o quanto exige alguns malabarismos matemáticos. As metas para combustíveis avançados é fixada em litros equivalente em etanol, como cada litro de biodiesel tem densidade energética equivalente a 1,55 litros de etanol, no ano que vem será possível colocar até 1,6 bilhão de litros de biodiesel no mercado aproveitando o saldo do mantado de biocombustíveis avançados.

Incertezas
Ao contrário de outras regiões onde as metas são definidas como um percentual mínimo em relação ao volume de combustíveis e/ou energia consumida pelo setor de transportes, o RFS é notavelmente mais complicado. Ele exige que a EPA definida – de tempos em tempos – volumes mínimos para quatro tipos de biocombustíveis (etanol, diesel de biomassa, avanças e celulósico) que as petroleiras devem consumir.
Idealmente, os números deveriam ser publicados anualmente, mas, de 2013 para 2014, o processo acabou travado o que deixou o mercado sem um norte. Isso prejudicou o desempenho do setor no ano passado embora os resultados deste ano estejam sendo relativamente bons.
A Associação Nacional do Biodiesel (NBB, na sigla original) comemorou o resultado. “Pode não ser a propostas de nossos sonhos, mas fará muito para recolocar a indústria de biodiesel dos Estados Unidos no caminho do crescimento”, declarou Joe Jobe, CEO da associação, em nota divulgada à imprensa. Ele já adianta que vai continuar pressionando por mandatos maiores no futuro. “Temos capacidade produtiva e excedente de óleos e gorduras”, garante.
Maior fabricante de biodiesel o país, o Renewable Energy Group, também celebrou a divulgação. “[As metas] criam uma fundação sólida para que a REG continue a crescer”, disse o presidente do grupo industrial Daniel J. Oh.
Etanol
No etanol, a meta chega perto dos 55 bilhões de litros o que não chegou a empolgar os fabricantes. A Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA) chegou a se pronunciar declarando que o novo mandato vai “afetar severamente” os incentivos para investimentos necessário para ampliar o mercado de todos os biocombustíveis.
A luta nesse segmento diz respeito a chamada “parede de mistura” – segundo a indústria do petróleo a adição de mais de 10% de etanol na gasolina poderia gerar impactos negativos para os motoristas norte-americanos e exigia que a mistura ficasse abaixo desse patamar.
Mesmo que sutilmente, a EPA não comprou essa tese e a expectativa é que, a partir do ano que vem, a mistura média de etanol na gasolina chegue a 10,1%.
A EPA, por seu lado, celebrou a publicação da novas metas da RFS. “Com a regra final, e como o Congresso pretendia, a EPA está estabelecendo volumes que vão além dos níveis históricos e aumentam o volume de biocombustíveis ao longo do tempo. Nosso padrão prevê um crescimento [simultaneamente] ambicioso e alcançável”, opinou a administradora assistente do escritório de ar e radiação da EPA, Janet McCabe.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com