A EPA acatou um pedido feito da Carbio que vai facilitar a entrada de biodiesel fabricado na Argentina no mercado dos Estados Unidos.Demorou quase três anos, mas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) acatou o pedido feito em 2012 pela Câmara de Biocombustíveis da Argentina (Carbio) para que o Programa de Rastreamento de Biomassa Alternativa fosse reconhecido como um esquema válido de rastreabilidade da matéria-prima usada na produção de biodiesel. A decisão da EPA foi tornada pública nesta última terça-feira (27).
Demorou quase três anos, mas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) acatou o pedido feito em 2012 pela Câmara de Biocombustíveis da Argentina (Carbio) para que o Programa de Rastreamento de Biomassa Alternativa fosse reconhecido como um esquema válido de rastreabilidade da matéria-prima usada na produção de biodiesel. A decisão da EPA foi tornada pública nesta última terça-feira (27).
Na prática, isso permite que as usinas dos Hermanos vendam seu produto com facilidade no mercado norte-americano. A certificação quanto à sustentabilidade da matéria-prima usada na produção do biodiesel é o passaporte para que o biocombustível oriundo de outros países entre no território norte-americano.
Elas vão até gerar os Números de Identificação de Renováveis (RINs, na sigla em inglês), um tipo de crédito que os fabricantes de combustíveis renováveis norte-americanos geram em proporção direta à sua produção e que podem ser negociados com as empresas petrolíferas de forma independente do biocombustível. Para atender às obrigações impostas no Renewable Fuel Standard (RFS), as petroleiras pode optar tanto por comprar e misturar o biocombustível na forma física quanto por comprar o volume equivalente em RINs.
Embora não tão robusto como o europeu, o mercado norte-americano de biocombustível é bastante interessante. Com a abertura para comercialização aos EUA, a Carbio já estima que a Argentina obtenha um incremento na receita de em torno dos US$ 200 milhões.
Golpe
Quem não gostou nada dessa história é – previsivelmente – a indústria de biodiesel dos EUA. Em meio a um contexto de total falta de definição para política de biocombustíveis no país, a decisão da EPA de liberar o uso dos RINs para os argentinos foi sentida como mais um golpe.
"Num momento em que a nossa indústria precisa de uma tábua de salvação, nós nos sentimos como se estivéssemos sendo puxados para debaixo de água", definiu Anne Steckel, vice-presidente de assuntos federais do National Biodiesel Board (NBB), maior associação de fabricantes dos EUA. "Essa decisão simplesmente não faz sentido do ponto de vista econômico, da perspectiva de segurança energética ou do ponto de vista ambiental. É desconcertante", completou.
O NBB diz que será difícil a agência ambiental norte-americana garantir uma fiscalização eficiente sobre o biocombustível argentino importado.
“Dado o comércio internacional complexo envolvido, a EPA terá pouca capacidade para verificar os métodos de pesquisa propostos pelos produtores argentinos”, diz Anne. "Isso abre as comportas para entrada de um biodiesel argentino com muito pouca supervisão ou verificação se a matéria-prima usada para fazer o biocombustível foi cultivada de acordo com os rigorosos requisitos de sustentabilidade do RFS", complementa.
O NBB pondera ainda que a indústria de biodiesel argentina conta com um imposto de exportação diferenciado, o que acaba por minar a competitividade do biodiesel norte-americano.
O NBB estima que até 2,2 bilhões de litros de biodiesel argentino possam entrar nos EUA em função da liberação dos créditos ambientais pela EPA aos produtores da Argentina.
A íntegra da decisão da EPA pode ser conferida clicando aqui.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
Demorou quase três anos, mas a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) acatou o pedido feito em 2012 pela Câmara de Biocombustíveis da Argentina (Carbio) para que o Programa de Rastreamento de Biomassa Alternativa fosse reconhecido como um esquema válido de rastreabilidade da matéria-prima usada na produção de biodiesel. A decisão da EPA foi tornada pública nesta última terça-feira (27).
Na prática, isso permite que as usinas dos Hermanos vendam seu produto com facilidade no mercado norte-americano. A certificação quanto à sustentabilidade da matéria-prima usada na produção do biodiesel é o passaporte para que o biocombustível oriundo de outros países entre no território norte-americano.
Elas vão até gerar os Números de Identificação de Renováveis (RINs, na sigla em inglês), um tipo de crédito que os fabricantes de combustíveis renováveis norte-americanos geram em proporção direta à sua produção e que podem ser negociados com as empresas petrolíferas de forma independente do biocombustível. Para atender às obrigações impostas no Renewable Fuel Standard (RFS), as petroleiras pode optar tanto por comprar e misturar o biocombustível na forma física quanto por comprar o volume equivalente em RINs.
Embora não tão robusto como o europeu, o mercado norte-americano de biocombustível é bastante interessante. Com a abertura para comercialização aos EUA, a Carbio já estima que a Argentina obtenha um incremento na receita de em torno dos US$ 200 milhões.
Golpe
Quem não gostou nada dessa história é – previsivelmente – a indústria de biodiesel dos EUA. Em meio a um contexto de total falta de definição para política de biocombustíveis no país, a decisão da EPA de liberar o uso dos RINs para os argentinos foi sentida como mais um golpe.
"Num momento em que a nossa indústria precisa de uma tábua de salvação, nós nos sentimos como se estivéssemos sendo puxados para debaixo de água", definiu Anne Steckel, vice-presidente de assuntos federais do National Biodiesel Board (NBB), maior associação de fabricantes dos EUA. "Essa decisão simplesmente não faz sentido do ponto de vista econômico, da perspectiva de segurança energética ou do ponto de vista ambiental. É desconcertante", completou.
O NBB diz que será difícil a agência ambiental norte-americana garantir uma fiscalização eficiente sobre o biocombustível argentino importado.
“Dado o comércio internacional complexo envolvido, a EPA terá pouca capacidade para verificar os métodos de pesquisa propostos pelos produtores argentinos”, diz Anne. "Isso abre as comportas para entrada de um biodiesel argentino com muito pouca supervisão ou verificação se a matéria-prima usada para fazer o biocombustível foi cultivada de acordo com os rigorosos requisitos de sustentabilidade do RFS", complementa.
O NBB pondera ainda que a indústria de biodiesel argentina conta com um imposto de exportação diferenciado, o que acaba por minar a competitividade do biodiesel norte-americano.
O NBB estima que até 2,2 bilhões de litros de biodiesel argentino possam entrar nos EUA em função da liberação dos créditos ambientais pela EPA aos produtores da Argentina.
A íntegra da decisão da EPA pode ser conferida clicando aqui.
Cátia Franco – BiodieselBR.com