
Estimativa recém-divulgada pela UFOP aponta que o consumo de biodiesel na Alemanha deve cair quase 7% em 2012.

Embora os números oficiais sobre o consumo de biodiesel na Alemanha ao longo de 2012 ainda não estejam fechados, estimativa recém-divulgada pela União para a Promoção de Plantas Oleaginosas e Proteicas (ou, no original, UFOP) – principal órgão de representação do setor no país europeu – apontam que a tendência é de queda. As vendas deverão somar 2,27 milhões de toneladas no ano passado frente a 2,43 milhões de toneladas no período anterior – queda de quase 7%.
Os números constam no documento Biodiesel 2011/2012 – Relatório da Situação Atual e Perspectivas que acaba de ter sua versão internacional publicada pela entidade (a versão em alemão havia sido divulgada em dezembro passado).
Exceto por uma ligeira recuperação em 2010, os dados da Ufop mostram que o consumo alemão vem se retraindo de forma praticamente contínua desde 2007. Naquele ano, a demanda chegou a 3,24 milhões de toneladas, praticamente 30% a mais do que os níveis estimados para o ano passado.
A marcha à ré do mercado da Alemanha aconteceu em função da retração nas vendas de biodiesel puro diretamente ao consumidor causadas pelo fim de incentivos fiscais que o governo dava ao biocombustível e o tornava competitivo frente ao diesel de petróleo. Para piorar, a Ufop considera que o potencial de crescimento criado pela mistura obrigatória de 7% de biodiesel “está esgotado”. “O crescimento doméstico só se tornaria possível mudando os requerimentos pela introdução do B10. Nesse caso, o volume de negócios seria de aproximadamente 3,1 milhões de toneladas”, diz o relatório ressaltando que a indústria automotiva tem se mostrado contrária à medida.
Desânimo
O relatório não pinta um quadro dos mais promissores para o biodiesel no mercado europeu. Segundo, a Ufop a expectativa é que o mercado físico se contraia ainda mais nos próximos anos a medida que um número maior de países europeus adotem a regra de dupla contagem.
Essa regra determina que o volume dos biocombustíveis feitos a partir de matérias-primas consideradas como rejeitos seja multiplicado por dois para efeitos da mistura obrigatória. Na Alemanha há mais de 400 mil toneladas de biodiesel a espera da certificação necessária para dupla contagem.
Ainda segundo o texto, muitos países da União Europeia tem se mostrado reticentes em implementar rapidamente o patamar máximo de mistura de 7% determinado pela legislação do bloco (EN 14.214). Dos 27 países que formam a União Europeia, apenas Alemanha, Áustria, Espanha, França e Grécia já adoram misturas próximas superiores a 6%.
Se todos do bloco já tivessem adotado o teto, em 2011 a demanda europeia de biodiesel teria sido de 13,6 milhões de toneladas de biodiesel, mas o número real ficou em 10,5 milhões de toneladas.
O relatório (em inglês) pode ser baixado clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com