Os óxidos de nitrogênio (NOx) viraram o poluente da moda desde que a Volkswagen foi flagrada burlando as regras criadas pelos Estados Unidos para controla-lo. Essa substância é um dos calcanhares de Aquiles nas credenciais ambientalmente corretas do biodiesel. Embora seja muito melhor em relação a uma série de outros poluentes, o biocombustível aumenta as emissões justamente do NOx. O tema será tratado pelo professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donato Aranda, durante a Conferência BiodieselBR 2015.
Os óxidos de nitrogênio (NOx) viraram o poluente da moda desde que a Volkswagen foi flagrada burlando as regras criadas pelos Estados Unidos para controla-lo. Essa substância é um dos calcanhares de Aquiles nas credenciais ambientalmente corretas do biodiesel. Embora seja muito melhor em relação a uma série de outros poluentes, o biocombustível aumenta as emissões justamente do NOx. O tema será tratado pelo professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donato Aranda, durante a Conferência BiodieselBR 2015.
O problema nem chega a ser NOx em si mesmo, mas o fato dele ser um dos mais importantes precursores do ozônio de baixa altitude. Embora seja mais conhecido pelo papel benéfico que desempenha protegendo a superfície terrestre da radiação solar – por meio da famosa Camada de Ozônio –, quando este gás ocorre em camadas mais baixas da atmosfera ele tem efeitos nocivos para a saúde humana sendo um dos principais responsáveis por problemas pulmonares que atingem especialmente idosos e crianças.
Mas a situação pode não ser tão ruim para o biodiesel no final das contas.
Segundo Donato, um Grupo de Trabalha da Câmara Setorial do Biodiesel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) revisou mais de 60 artigos científicos sobre o tema e indicam que ainda há espaço para que a mistura cresça – e bastante – sem que haja impactos significativos nas emissões de NOx. “Até o B20 não tem porque falar na questão do aumento do NOx relacionadas ao biodiesel porque o impacto é realmente muito pequeno. É praticamente um empate técnico”, explica acrescentando, contudo, que a partir de teores maiores já começa a haver problema. “Do B50 para cima aí já é bastante taxativo, com um aumento das emissões”, conclui.
Balanço
Outra questão relevante diz respeito à interação do NOx com outras substâncias presentes na atmosfera. “A atmosfera é um sistema [químico] muito complexo com centenas de componentes interagindo entre si”, prossegue Donato.
No caso do NOx, Donato diz que a interação com uma classe de substâncias chamadas Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs, na sigla em inglês) é particularmente importante. Ambos são precursores de ozônio de baixa atmosfera. “A geração de ozônio depende do balanço entre o NOx e VOCs, tanto que sabendo as concentrações desses dois é possível prever de forma muito confiável a quantidade de ozônio”, explica Donato. O problema é que esses dois gases também se combinam entre si. “Os dois se anulam e isso gera uma queda na produção de ozônio”, completa.
E é aí que certas particularidades do Brasil entram em cena porque a emissão de VOCs está muito relacionada à queima de gás natural veicular (GNV) e de etanol – dois combustíveis muito consumidos no Brasil. Isso torna possível que um aumento controlado nas emissões de NOx pode ser até benéfica. “Temos grupos de pesquisadores que foram taxativos que um aumento na emissão de NOx poderia gerar uma diminuição da poluição”, finaliza o palestrante.
Discussão
Esse debate fará parte do 5º painel da Conferência BiodieselBR 2015 que debate as externalidades não contabilizadas do biodiesel. A discussão acontecerá no 2º dia do evento que acontece entre 26 e 27 deste mês no Hotel Tivoli Mofarrej, região central da cidade de São Paulo.
A programação completa do evento pode ser acessada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Os óxidos de nitrogênio (NOx) viraram o poluente da moda desde que a Volkswagen foi flagrada burlando as regras criadas pelos Estados Unidos para controla-lo. Essa substância é um dos calcanhares de Aquiles nas credenciais ambientalmente corretas do biodiesel. Embora seja muito melhor em relação a uma série de outros poluentes, o biocombustível aumenta as emissões justamente do NOx. O tema será tratado pelo professor da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donato Aranda, durante a Conferência BiodieselBR 2015.
O problema nem chega a ser NOx em si mesmo, mas o fato dele ser um dos mais importantes precursores do ozônio de baixa altitude. Embora seja mais conhecido pelo papel benéfico que desempenha protegendo a superfície terrestre da radiação solar – por meio da famosa Camada de Ozônio –, quando este gás ocorre em camadas mais baixas da atmosfera ele tem efeitos nocivos para a saúde humana sendo um dos principais responsáveis por problemas pulmonares que atingem especialmente idosos e crianças.
Mas a situação pode não ser tão ruim para o biodiesel no final das contas.
Segundo Donato, um Grupo de Trabalha da Câmara Setorial do Biodiesel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) revisou mais de 60 artigos científicos sobre o tema e indicam que ainda há espaço para que a mistura cresça – e bastante – sem que haja impactos significativos nas emissões de NOx. “Até o B20 não tem porque falar na questão do aumento do NOx relacionadas ao biodiesel porque o impacto é realmente muito pequeno. É praticamente um empate técnico”, explica acrescentando, contudo, que a partir de teores maiores já começa a haver problema. “Do B50 para cima aí já é bastante taxativo, com um aumento das emissões”, conclui.
Balanço
Outra questão relevante diz respeito à interação do NOx com outras substâncias presentes na atmosfera. “A atmosfera é um sistema [químico] muito complexo com centenas de componentes interagindo entre si”, prossegue Donato.
No caso do NOx, Donato diz que a interação com uma classe de substâncias chamadas Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs, na sigla em inglês) é particularmente importante. Ambos são precursores de ozônio de baixa atmosfera. “A geração de ozônio depende do balanço entre o NOx e VOCs, tanto que sabendo as concentrações desses dois é possível prever de forma muito confiável a quantidade de ozônio”, explica Donato. O problema é que esses dois gases também se combinam entre si. “Os dois se anulam e isso gera uma queda na produção de ozônio”, completa.
E é aí que certas particularidades do Brasil entram em cena porque a emissão de VOCs está muito relacionada à queima de gás natural veicular (GNV) e de etanol – dois combustíveis muito consumidos no Brasil. Isso torna possível que um aumento controlado nas emissões de NOx pode ser até benéfica. “Temos grupos de pesquisadores que foram taxativos que um aumento na emissão de NOx poderia gerar uma diminuição da poluição”, finaliza o palestrante.
Discussão
Esse debate fará parte do 5º painel da Conferência BiodieselBR 2015 que debate as externalidades não contabilizadas do biodiesel. A discussão acontecerá no 2º dia do evento que acontece entre 26 e 27 deste mês no Hotel Tivoli Mofarrej, região central da cidade de São Paulo.
A programação completa do evento pode ser acessada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com