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[BiodieselBR 2013] Incentivo à pesquisa e desenvolvimento

BiodieselBR2013 GesmarRosa_121113Na Conferência BiodieselBR, o pesquisador Ipea, Gesmar Rosa dos Santos, apresentou as conclusões preliminares de um mapeamento sobre P&D em biodiesel.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Na Conferência BiodieselBR, o pesquisador Ipea, Gesmar Rosa dos Santos, apresentou as conclusões preliminares de um mapeamento sobre P&D em biodiesel.

BiodieselBR2013 GesmarRosa_121113Durante a mais recente edição da Conferência BiodieselBR, o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Gesmar Rosa dos Santos, revisou as políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento (P&D) voltadas ao biodiesel respaldando-se em conclusões preliminares do estudo “Pesquisa em biomassa energética no Brasil: Apontamentos para políticas públicas”.

Brincando com o público, Gesmar reconheceu que descrever um caminho para impulsionar o biodiesel no Brasil era uma proposta “ousada”. “Vários dos agentes ligados a essa cadeia, tanto do governo quanto da iniciativa privada, com certeza, têm respostas melhores do que as minhas”, admitiu com humildade acrescentando, no entanto, que faltava ainda olhar a questão sob a ótica do incentivo a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. “O Brasil já apresentou diversas políticas de desenvolvimento produtivo e de incentivo à inovação tecnológica em energias renováveis”, explicou.

“As perguntas aqui são: Como fomentar as cadeias produtivas de energias renováveis de tal forma que o Brasil dê um salto de qualidade? E como organizar os principais institutos de pesquisa e desenvolvimento para que isso aconteça?”, questionou o palestrante. Para jogar um pouco mais de luz sobre essas duas perguntas, a equipe do Ipea está vendo o que outros países líderes em P&D relacionada ao biodiesel estão fazendo. “Pegamos alguns países que são grandes players para comparar com o que o Brasil está fazendo em energias renováveis”, resumiu apontando que esse levantamento ainda está em andamento e deverá ser concluído só no ano que vem. “Queremos determinar se o Brasil está ocupando um espaço razoável ou não”, complementou.

“Necessitamos ter uma aproximação com os países líderes como os Estados Unidos, Alemanha e China”, considerou Gesmar. Esses países entraram na produção de energias renováveis e de biodiesel com estratégias muito bem definidas e investindo pesado no desenvolvimento de novidades tecnológicas como enzimas, biotecnologia e bens de capital que podem ter impactos positivos muito além da cadeia do biodiesel em si. 

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B7
Embora ressalte que opinar sobre se esse seria o melhor momento ou não para a implantação do B7 não seria seu papel, Gesmar acredita que a medida poderia ter impactos positivos sobre as ações de P&D. “Para uma cadeia que ainda é embrionária – comparada à do etanol que já tem mais de 40 anos –, se você quer um incentivo à P&D é importante que você também incentivo à produção. É até algo meio obvio, mas, quanto mais avançado o setor produtivo, maiores são os reflexos nos resultados da pesquisa”, disse. E, segundo ele, essa relação não diz respeito apenas um aumento no número de artigos publicados em revistas científicas, mas de um adensamento na quantidade de patentes e registros de novas tecnologias. “Ou seja, tem uma relação direta entre o aumento da cadeia produtiva e o aumento da busca por inovação tecnológica”, concluiu.

No entanto, ele salientou que, como nos países líderes de P&D, a indústria nacional precisa ser vista dentro de um contexto maior que o próprio biodiesel. “Outras atividades e formas de agregação de valor relacionadas tanto à cadeia de soja quanto a outras cadeias de biomassa poderiam nos levar a outro estágio de geração de riqueza”, observou.

Plano Nacional
O palestrante destaca que no Plano Nacional de Agroenergia estão listados pontos que o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve incentivar – são temas que o governo considera centrais para o desenvolvimento da indústria. “O fomento à pesquisa deveria acontecer nessas áreas” disse. Para entender como isso está funcionando, o Ipea está mapeando os temas dos trabalhos apresentados nos congressos da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel (RBTB) para identificar a relação de interesse da comunidade científica.

Embora o levantamento ainda não esteja pronto – falta qualificar melhor que tipos de pesquisas estão sendo feitas e seus estágios de desenvolvimento –, alguns temas já se sobressaem como a grande concentração de trabalhos na área de matérias-primas.

Outra informação apresentada por esse mapeamento é que há certa instabilidade na quantidade de recursos que o MCTI coloca à disposição das pesquisas do setor de biodiesel. Dados trazidos pelo pesquisador mostram que houve um pico de recursos em 2008 e que isso foi caindo nos anos subsequentes, embora ele destaque que exista uma retomada na quantidade de projetos.

Apesar das variações, o pesquisador do Ipea coloca como positivo o volume de recursos disponibilizado até o momento. “Não temos um fundo setorial específico para o biodiesel ou para biomassa, mas se somarmos os recursos destinados a projetos de biodiesel dentro dos 17 fundos setoriais do ministério, ele seria o sexto ou sétimo maior fundo”, animou-se apontando que há um total de 586 projetos de pesquisa na área. “O biodiesel tem uma resposta muito grande em termos de pesquisa”, afirmou.

O lado ruim é que ainda revela-se muito baixo o engajamento das empresas do setor na atividade de pesquisa. Apenas 2% dos projetos contam com participação das usinas sejam como proponentes ou apoiadoras. “Nos Estados Unidos, todos os projetos prioritários de pesquisa com biomassa tem participação das empresas”, alertou dizendo que, aí, há um desafio.

Há algo de animador nesse cenário. Um número grande dos projetos financiados anteriormente pelo MCTI foram para a estruturação de laboratórios, o que pode representar um grande potencial de crescimento na capacidade de pesquisa a curto e médio prazos.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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