Segundo especialistas, o governo tem dois caminhos para evitar um novo apagão: abrir financiamento para novos projetos e buscar fontes alternativas de energia, como o biodiesel.
São condições essenciais para o Brasil continuar crescendo. O Bom Dia Brasil conversou com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.
Bom Dia Brasil: Ministra, essa é uma oportunidade de ouro para o Brasil de entrar em um mercado que tem um potencial extraordinário de crescimento - Estados Unidos, Japão e Europa - que é o dos combustíveis alternativos. No caso do Brasil, o biodiesel. O Brasil tem condições de suprir o mercado interno e de exportar?
Dilma Rousseff, ministra de Minas e Energia: O Brasil é tem condição de entrar no mercado do biodiesel e ser a diferença, porque nós temos hoje um controle bastante grande e uma absorção bastante grande da tecnologia de biodiesel.
Nós estamos pensando que, dos 40 bilhões de litros que iremos consumir em 2005, em torno de 10% - 4 bilhões - são importados. Então, o que nós pensamos? Vamos substituir esses 4 bilhões importados crescentemente, por biodiesel; ou seja, diesel que é de origem vegetal, produzido por oleaginosa ou qualquer planta que produz óleo.
Tornaremos assim, o Brasil um substituidor de importação e de transferência de renda para fora, produzindo aqui dentro. Seriam 800 milhões o mercado inicial - se a gente for misturar, como é o caso, 2% no diesel de petróleo do biodiesel. Esse mercado de 800 bilhões pode empregar pequenos agricultores, e o governo então fez uma política de isenção tributária de 100% do PIS/Cofins para aquele pequeno agricultor.
No Norte e no Nordeste, que produzem no semi-árido, através da agricultura familiar, e que permite uma geração de emprego que a gente calcula, em todo o Brasil, de 250 mil famílias de pequenos agricultores utilizando o biodiesel para gerar renda e emprego no país.
Bom Dia Brasil: Sobre a questão dos preços do leilão que acaba de ser divulgado, as empresas se queixaram de que a sinalização desse preço pode significar que, daqui para frente, ou para energia nova - que vai ser muito cara - esse investimento não vá compensar. A senhora acha isso também?
Dilma Rousseff: Olha, eu acho normal que as empresas sempre queiram maiores preços, porque isso, obviamente, aumento suas margens de lucro. O fato é que o leilão refletiu o que o mercado passava, ou seja, um excesso de oferta da energia, como o próprio programa demonstrou.
Nós temos energia sobrando. Então isso significou preços mais baixos no curto prazo para entrega em 2005. No entanto, o leilão sinalizou também que quanto mais essa sobra de energia desaparece, maiores são os preços. Ele sinalizou uma escada de aumento de preços, de forma que a energia nova nada tem a ver com a energia existente.
O preço da energia, para o custo médio, é muito afetado pela sobra. Nós vamos fazer leilões com a energia nova, o investidor vai calcular o seu custo de produção, aplicar sobre esse custo de produção uma taxa de retorno adequada para ele e oferecer àqueles preços a produção de uma hidrelétrica, de uma unidade de biomassa, ou qualquer outro empreendimento que ele queira.
O que o leilão de energia nova vai sinalizar é o custo de construir uma unidade nova, que é completamente diferente do custo de operar, manter e ter o retorno de uma unidade existente, porque uma unidade existente tem parcelas que já estão amortizadas. Então ele pode muito bem aceitar preços menores.
Aliás, não foi o governo que definiu os preços do leilão. Foram as empresas que definiram os preços do leilão. E quanto a investimentos necessariamente não haverá a possibilidade de a gente supor que todo o financiamento dos novos investimentos vai ser em tarifa. Porque senão o Brasil teria que pagar tarifas de R$ 300, R$ 400. Nós vamos precisar de financiamento de longo prazo, porque os nossos projetos são de 25 anos.
Então o fluxo de caixa tem muito mais a ver com um contrato de longo prazo e isso o novo modelo garante. Nós garantimos um contrato por 25 anos, com uma receita bastante clara e com fluxo de caixa definido.
Bom Dia Brasil: Ministra, a senhora está dizendo que o preço, o leilão de energia nova certamente vai ter preços muito maiores. Mas isso não vai provocar um desequilíbrio, um salto nos preços? Quer dizer, para o lado do consumidor fica ruim, por causa do salto nos preços. Pelo lado do próprio mercado fica confuso, com preços muito diferenciados de contratos em anos próximos. A senhora não acha que isso aí vai complicar mais?
Dilma Rousseff: A essência da lógica do modelo é reconhecer que há preços diferentes, porque há formação de custos diferentes. Não é uma questão de salto. Vai ser uma questão de mistura de preços. É o chamado 'mix tarifário'.
Acho que, nesse sentido, desarmamos a bomba que recebemos, a bomba de tarifas elevadas e falta de energia no longo prazo. A gente não conseguia segurar a expansão.
Hoje, você tem uma tarifa que eu não chamaria de baixa, mas diria que é a tarifa competitiva - a tarifa que emergiu de um leilão. Em segundo lugar, a expansão sempre será feita a preços maiores. O que não é correto é fazer como se pretendia antes, pegar a energia existente e colocar nela o preço de uma energia nova.
Porque em uma energia nova, em um novo investimento, há um risco até de engenharia. Você não sabe, quando você põe um preço em um investimento novo, o que pode acontecer com a sua obra, como que vai ser, por exemplo, se for uma hidrelétrica, a sua represa.
Você pode correr riscos de engenharia. Necessariamente, a energia nova tem um preço mais caro, porque é o preço que o investidor acha correto pagar. O que o leilão assegura é um mix tarifário adequado, que, de um lado, olha para o consumidor; e de outro, para o investidor.
O leilão assegura que ele receba os preços necessários para que ele invista, para que ele tenha uma remuneração adequada e para que o Brasil tenha, de fato, a energia suficiente para alavancar o seu crescimento.
São condições essenciais para o Brasil continuar crescendo. O Bom Dia Brasil conversou com a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.
Bom Dia Brasil: Ministra, essa é uma oportunidade de ouro para o Brasil de entrar em um mercado que tem um potencial extraordinário de crescimento - Estados Unidos, Japão e Europa - que é o dos combustíveis alternativos. No caso do Brasil, o biodiesel. O Brasil tem condições de suprir o mercado interno e de exportar?
Dilma Rousseff, ministra de Minas e Energia: O Brasil é tem condição de entrar no mercado do biodiesel e ser a diferença, porque nós temos hoje um controle bastante grande e uma absorção bastante grande da tecnologia de biodiesel.
Nós estamos pensando que, dos 40 bilhões de litros que iremos consumir em 2005, em torno de 10% - 4 bilhões - são importados. Então, o que nós pensamos? Vamos substituir esses 4 bilhões importados crescentemente, por biodiesel; ou seja, diesel que é de origem vegetal, produzido por oleaginosa ou qualquer planta que produz óleo.
Tornaremos assim, o Brasil um substituidor de importação e de transferência de renda para fora, produzindo aqui dentro. Seriam 800 milhões o mercado inicial - se a gente for misturar, como é o caso, 2% no diesel de petróleo do biodiesel. Esse mercado de 800 bilhões pode empregar pequenos agricultores, e o governo então fez uma política de isenção tributária de 100% do PIS/Cofins para aquele pequeno agricultor.
No Norte e no Nordeste, que produzem no semi-árido, através da agricultura familiar, e que permite uma geração de emprego que a gente calcula, em todo o Brasil, de 250 mil famílias de pequenos agricultores utilizando o biodiesel para gerar renda e emprego no país.
Bom Dia Brasil: Sobre a questão dos preços do leilão que acaba de ser divulgado, as empresas se queixaram de que a sinalização desse preço pode significar que, daqui para frente, ou para energia nova - que vai ser muito cara - esse investimento não vá compensar. A senhora acha isso também?
Dilma Rousseff: Olha, eu acho normal que as empresas sempre queiram maiores preços, porque isso, obviamente, aumento suas margens de lucro. O fato é que o leilão refletiu o que o mercado passava, ou seja, um excesso de oferta da energia, como o próprio programa demonstrou.
Nós temos energia sobrando. Então isso significou preços mais baixos no curto prazo para entrega em 2005. No entanto, o leilão sinalizou também que quanto mais essa sobra de energia desaparece, maiores são os preços. Ele sinalizou uma escada de aumento de preços, de forma que a energia nova nada tem a ver com a energia existente.
O preço da energia, para o custo médio, é muito afetado pela sobra. Nós vamos fazer leilões com a energia nova, o investidor vai calcular o seu custo de produção, aplicar sobre esse custo de produção uma taxa de retorno adequada para ele e oferecer àqueles preços a produção de uma hidrelétrica, de uma unidade de biomassa, ou qualquer outro empreendimento que ele queira.
O que o leilão de energia nova vai sinalizar é o custo de construir uma unidade nova, que é completamente diferente do custo de operar, manter e ter o retorno de uma unidade existente, porque uma unidade existente tem parcelas que já estão amortizadas. Então ele pode muito bem aceitar preços menores.
Aliás, não foi o governo que definiu os preços do leilão. Foram as empresas que definiram os preços do leilão. E quanto a investimentos necessariamente não haverá a possibilidade de a gente supor que todo o financiamento dos novos investimentos vai ser em tarifa. Porque senão o Brasil teria que pagar tarifas de R$ 300, R$ 400. Nós vamos precisar de financiamento de longo prazo, porque os nossos projetos são de 25 anos.
Então o fluxo de caixa tem muito mais a ver com um contrato de longo prazo e isso o novo modelo garante. Nós garantimos um contrato por 25 anos, com uma receita bastante clara e com fluxo de caixa definido.
Bom Dia Brasil: Ministra, a senhora está dizendo que o preço, o leilão de energia nova certamente vai ter preços muito maiores. Mas isso não vai provocar um desequilíbrio, um salto nos preços? Quer dizer, para o lado do consumidor fica ruim, por causa do salto nos preços. Pelo lado do próprio mercado fica confuso, com preços muito diferenciados de contratos em anos próximos. A senhora não acha que isso aí vai complicar mais?
Dilma Rousseff: A essência da lógica do modelo é reconhecer que há preços diferentes, porque há formação de custos diferentes. Não é uma questão de salto. Vai ser uma questão de mistura de preços. É o chamado 'mix tarifário'.
Acho que, nesse sentido, desarmamos a bomba que recebemos, a bomba de tarifas elevadas e falta de energia no longo prazo. A gente não conseguia segurar a expansão.
Hoje, você tem uma tarifa que eu não chamaria de baixa, mas diria que é a tarifa competitiva - a tarifa que emergiu de um leilão. Em segundo lugar, a expansão sempre será feita a preços maiores. O que não é correto é fazer como se pretendia antes, pegar a energia existente e colocar nela o preço de uma energia nova.
Porque em uma energia nova, em um novo investimento, há um risco até de engenharia. Você não sabe, quando você põe um preço em um investimento novo, o que pode acontecer com a sua obra, como que vai ser, por exemplo, se for uma hidrelétrica, a sua represa.
Você pode correr riscos de engenharia. Necessariamente, a energia nova tem um preço mais caro, porque é o preço que o investidor acha correto pagar. O que o leilão assegura é um mix tarifário adequado, que, de um lado, olha para o consumidor; e de outro, para o investidor.
O leilão assegura que ele receba os preços necessários para que ele invista, para que ele tenha uma remuneração adequada e para que o Brasil tenha, de fato, a energia suficiente para alavancar o seu crescimento.