O alto custo dos combustíveis para o agricultor, promove novas idéias para escapar dos elevados preços, temor de reação do governo frente as soluções. Veja também cálculos dos gastos do produtor com combustível em todas as etapas de produção.
O custo do petróleo no Brasil é o mais alto do mundo. Com isso, em um
país continental, os fretes estão se inviabilizando na relação
custo-mercado. Alguns negócios estão particularmente complicados. É o
caso do agronegócio. Até 2004 o litro de diesel custava US$ 0,30 e em
2005 subiu para US$ 1,00.
Para se ter idéia do volume de diesel gasto na agricultura, numa área de 1 mil hectares plantada...
Veja ainda as soluções encontrada pelos produtores para fugir dos altos custos da energia, o receio dos produtores em relação a Petrobras e ao governo, mais contas referentes ao gasto do produtor com combustível em várias etapas de produção, comparação com os gastos atuais e gastos de 2001, impostos, distribuidoras... O custo do petróleo no Brasil é o mais alto do mundo. Com isso, em um país continental, os fretes estão se inviabilizando na relação custo-mercado. Alguns negócios estão particularmente complicados. É o caso do agronegócio. Até 2004 o litro de diesel custava US$ 0,30 e em 2005 subiu para US$ 1,00.
Para se ter idéia do volume de diesel gasto na agricultura, numa área de 1 mil hectares plantada com soja, têm-se os seguintes custos com o combustível: no plantio, 45 mil litros (23%), frete, 138 mil litros (68%), no frete de fertilizantes, 18 mil litros (9%). Total gasto: 198 mil litros em 1 mil hectares de soja. Ou, para plantar 1 hectare gastava-se em 2001, US$ 17,50, e em 2006 subiu para US$ 45,00.
Quando o diesel custava US$ 0,35, gastava-se US$ 69.300,00, ou 7 sacas por hectare. Com o preço de US$ 1,00, o custo com o diesel sobe para US$ 198 mil, equivalentes a 20 sacas por hectare. O produtor está gastando 13 sacas a mais só para o diesel.
O resultado de tudo isso é que nas fazendas a necessidade tem sido a mãe das invenções. Os produtores inventaram o biodiesel caipira, composto basicamente por óleo de soja. Embora cause danos ao motor e à bomba injetora, é mais barato consertar do que abastecer com o diesel. As variações do biodiesel caipira são muitas. Alguns acrescentam álcool, parte de diesel ou vai puro mesmo. Outros, como o dono de um frigorífico em Rondonópolis inventou um biodiesel com sebo de boi, ao qual adiciona pequenas partes de diesel e de álcool metanol.
Porém, o pior é que esses esforços para fugir do petróleo caro, certamente não irão longe. Os produtores estão batalhando para ocupar a antiga esmagadora de soja da Bunge Alimentos, que se transferiu para a Argentina, fugindo do câmbio assassino do Brasil, onde se pretende produzir 300 mil litros/dia de biodiesel de soja, de girassol ou de mamona.
O receio é que a Petrobras, que é um dragão louco por lucros na sua mistura conveniente de empresa estatal e pública, devore a inovação e induza o governo a taxar o produto com os mesmos impostos que hoje matam o diesel.
Para se ter uma idéia dos componentes na composição do preço da gasolina, aqui vão os cálculos: formação do preço da gasolina "A" 800ml (pura, vendida pela Petrobras) = R$ 0,80. Álcool anidro 200 ml (20% misturado à gasolina) = R$ 0,24.
Total = 1,04. Cide - Pis/Cofins (impostos federais) = R$ 0,44. ICMS (imposto estadual) = R$ 0,64. Total de impostos (104% do preço bruto) = R$ 1,08. Total (custo + impostos) = R$ 2,12. Lucro da distribuidora (em média por litro) = R$ 0,08. Frete (em média por litro) = R$ 0,02. Lucro do posto (em média por litro) = RR$ 1,39.
Quem consome 200 litros de gasolina por mês, o bolo fica assim dividido: o dono do carro gasta: R$ 494,00, o dono do posto ganha R$ 50,00, o dono do caminhão ganha R$ 4,00, a Petrobras ganha R$ 16,00, e o governo embolsa R$ 216,00.
O receio é que a larga boca do dragão chamado Tesouro Nacional abocanhe o biodiesel e faça dele mais um fonte de receita para aplacar a sede de gastos, e na ponta, a economia continue pagando só impostos. Ingloriamente.
* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
Diário de Cuiabá
Para se ter idéia do volume de diesel gasto na agricultura, numa área de 1 mil hectares plantada...
Veja ainda as soluções encontrada pelos produtores para fugir dos altos custos da energia, o receio dos produtores em relação a Petrobras e ao governo, mais contas referentes ao gasto do produtor com combustível em várias etapas de produção, comparação com os gastos atuais e gastos de 2001, impostos, distribuidoras... O custo do petróleo no Brasil é o mais alto do mundo. Com isso, em um país continental, os fretes estão se inviabilizando na relação custo-mercado. Alguns negócios estão particularmente complicados. É o caso do agronegócio. Até 2004 o litro de diesel custava US$ 0,30 e em 2005 subiu para US$ 1,00.
Para se ter idéia do volume de diesel gasto na agricultura, numa área de 1 mil hectares plantada com soja, têm-se os seguintes custos com o combustível: no plantio, 45 mil litros (23%), frete, 138 mil litros (68%), no frete de fertilizantes, 18 mil litros (9%). Total gasto: 198 mil litros em 1 mil hectares de soja. Ou, para plantar 1 hectare gastava-se em 2001, US$ 17,50, e em 2006 subiu para US$ 45,00.
Quando o diesel custava US$ 0,35, gastava-se US$ 69.300,00, ou 7 sacas por hectare. Com o preço de US$ 1,00, o custo com o diesel sobe para US$ 198 mil, equivalentes a 20 sacas por hectare. O produtor está gastando 13 sacas a mais só para o diesel.
O resultado de tudo isso é que nas fazendas a necessidade tem sido a mãe das invenções. Os produtores inventaram o biodiesel caipira, composto basicamente por óleo de soja. Embora cause danos ao motor e à bomba injetora, é mais barato consertar do que abastecer com o diesel. As variações do biodiesel caipira são muitas. Alguns acrescentam álcool, parte de diesel ou vai puro mesmo. Outros, como o dono de um frigorífico em Rondonópolis inventou um biodiesel com sebo de boi, ao qual adiciona pequenas partes de diesel e de álcool metanol.
Porém, o pior é que esses esforços para fugir do petróleo caro, certamente não irão longe. Os produtores estão batalhando para ocupar a antiga esmagadora de soja da Bunge Alimentos, que se transferiu para a Argentina, fugindo do câmbio assassino do Brasil, onde se pretende produzir 300 mil litros/dia de biodiesel de soja, de girassol ou de mamona.
O receio é que a Petrobras, que é um dragão louco por lucros na sua mistura conveniente de empresa estatal e pública, devore a inovação e induza o governo a taxar o produto com os mesmos impostos que hoje matam o diesel.
Para se ter uma idéia dos componentes na composição do preço da gasolina, aqui vão os cálculos: formação do preço da gasolina "A" 800ml (pura, vendida pela Petrobras) = R$ 0,80. Álcool anidro 200 ml (20% misturado à gasolina) = R$ 0,24.
Total = 1,04. Cide - Pis/Cofins (impostos federais) = R$ 0,44. ICMS (imposto estadual) = R$ 0,64. Total de impostos (104% do preço bruto) = R$ 1,08. Total (custo + impostos) = R$ 2,12. Lucro da distribuidora (em média por litro) = R$ 0,08. Frete (em média por litro) = R$ 0,02. Lucro do posto (em média por litro) = RR$ 1,39.
Quem consome 200 litros de gasolina por mês, o bolo fica assim dividido: o dono do carro gasta: R$ 494,00, o dono do posto ganha R$ 50,00, o dono do caminhão ganha R$ 4,00, a Petrobras ganha R$ 16,00, e o governo embolsa R$ 216,00.
O receio é que a larga boca do dragão chamado Tesouro Nacional abocanhe o biodiesel e faça dele mais um fonte de receita para aplacar a sede de gastos, e na ponta, a economia continue pagando só impostos. Ingloriamente.
* ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM
Diário de Cuiabá