Os combustíveis fósseis não estão com seus dias contados como as notícias fazem parecer, numa análise superficial da matriz energética. Mas em decorrência de seus níveis atuais de preço e seus efeitos negativos sobre o meio ambiente, principalmente sobre a poluição da atmosfera, as alternativas energéticas serão buscadas cada vez com mais intensidade.
O mundo conviverá, nos próximos anos, com uma acelerada oferta de energia limpa, não-poluidora ou que produza um mínimo de poluição, cuja matéria-prima para sua produção tem origem animal ou vegetal, seja em forma de etanol ou biodiesel. Essa energia limpa não colocará em risco a produção de alimentos, mas contribuirá para a sustentabilidade da produção agrícola ao seqüestrar carbono. Quando se trata de cultura permanente arbustiva, como é o caso do dendê e da mamona, haverá também a vantagem de permitir a fixação de nitrogênio ao solo, elemento fundamental à produção de leguminosas como a soja e a canola.
Assim, a produção de energia limpa dará uma contribuição dupla ao meio ambiente, no processo produtivo e na queima do combustível em forma de biodiesel. Sem contar a contribuição para maior durabilidade dos motores que não precisão passar por qualquer adaptação para uso deste combustível.
Outro ponto positivo na produção de biodiesel é a descentralização, pois quase todos os países do mundo têm condições climáticas para o plantio de alguma das matérias-primas básicas, gerando renda e emprego local e fugindo da grande dependência dos poucos países, em zona conflituosa, que fazem do petróleo um instrumento de pressão política.
A experiência com diesel de origem vegetal já vem de muito tempo. Em 1900, numa feira realizada em Paris, foi apresentado um motor com funcionamento à base de óleo de amendoim. Mas a abundância e os baixos preços do petróleo no mundo – menos de US$ 4 o barril, até a primeira grande crise do setor em 1974 – não viabilizaram o desenvolvimento de combustíveis alternativos até a virada do século vinte.
Ainda assim, muitos países continuaram suas pesquisas e hoje estão à frente em produção e consumo, como é o caso de Brasil, Alemanha e Estados Unidos. O Brasil fez seus primeiros testes com biodiesel na década de vinte. Criou vários programas de incentivo à produção de combustíveis alternativos nas décadas de 1980 e 1990, e atualmente já tem 40 unidades instaladas com uma capacidade para produzir 750 milhões de litros de biodiesel.
Quantidade ainda não suficiente para atender à mistura de 2% de biodiesel ao diesel correspondente a 880 milhões de litros. A projeção é de que em 2010 o porcentual de mistura suba para 5%, o que totalizará uma demanda de 2,5 bilhões de litros de biodiesel.
Porém, se forem implantadas todas as plantas industriais que estão no papel ou já em construção – são 18 em construção e 32 projetadas – chegaremos em 2010 com uma produção de 3,9 bilhões de litros de biodiesel. As matérias-primas serão soja, girassol, mamona, pinhão-manso, babaçu e dendê. É possível utilizar, ainda, gorduras de origem animal e reaproveitar resíduos das frituras com óleo de cozinha.
Em 2006, o mundo produziu 10 bilhões de litros de biodiesel, e em 2007 a produção saltou para 16,7 bilhões de litros. Os Estados Unidos e a Comunidade Européia foram os destaques. Com 77 indústrias em operação, os Estados Unidos produziram 6,5 bilhões de litros de biodiesel à base de soja. Já a Comunidade Européia produziu 6,9 bilhões de litros em suas 120 plantas que utilizam como matéria-prima a canola (colza). A Alemanha é a maior produtora do bloco europeu, correspondendo a 44% da região, seguida da Itália e França.
O grande desafio para o pleno sucesso do biodiesel é o aumento da produtividade das matérias-primas na lavoura e o rendimento do teor de óleo delas. Atualmente, estima-se uma produção média em torno de 700 litros por hectare, fazendo necessária, para que o biodiesel se torne mais competitivo, uma elevação para acima de dois mil litros por hectare, que é uma combinação entre o volume colhido de matéria-prima por hectare e o teor de óleo.
Pedro Arantes é economista e analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)
Diário da Manhã - GO
O mundo conviverá, nos próximos anos, com uma acelerada oferta de energia limpa, não-poluidora ou que produza um mínimo de poluição, cuja matéria-prima para sua produção tem origem animal ou vegetal, seja em forma de etanol ou biodiesel. Essa energia limpa não colocará em risco a produção de alimentos, mas contribuirá para a sustentabilidade da produção agrícola ao seqüestrar carbono. Quando se trata de cultura permanente arbustiva, como é o caso do dendê e da mamona, haverá também a vantagem de permitir a fixação de nitrogênio ao solo, elemento fundamental à produção de leguminosas como a soja e a canola.
Assim, a produção de energia limpa dará uma contribuição dupla ao meio ambiente, no processo produtivo e na queima do combustível em forma de biodiesel. Sem contar a contribuição para maior durabilidade dos motores que não precisão passar por qualquer adaptação para uso deste combustível.
Outro ponto positivo na produção de biodiesel é a descentralização, pois quase todos os países do mundo têm condições climáticas para o plantio de alguma das matérias-primas básicas, gerando renda e emprego local e fugindo da grande dependência dos poucos países, em zona conflituosa, que fazem do petróleo um instrumento de pressão política.
A experiência com diesel de origem vegetal já vem de muito tempo. Em 1900, numa feira realizada em Paris, foi apresentado um motor com funcionamento à base de óleo de amendoim. Mas a abundância e os baixos preços do petróleo no mundo – menos de US$ 4 o barril, até a primeira grande crise do setor em 1974 – não viabilizaram o desenvolvimento de combustíveis alternativos até a virada do século vinte.
Ainda assim, muitos países continuaram suas pesquisas e hoje estão à frente em produção e consumo, como é o caso de Brasil, Alemanha e Estados Unidos. O Brasil fez seus primeiros testes com biodiesel na década de vinte. Criou vários programas de incentivo à produção de combustíveis alternativos nas décadas de 1980 e 1990, e atualmente já tem 40 unidades instaladas com uma capacidade para produzir 750 milhões de litros de biodiesel.
Quantidade ainda não suficiente para atender à mistura de 2% de biodiesel ao diesel correspondente a 880 milhões de litros. A projeção é de que em 2010 o porcentual de mistura suba para 5%, o que totalizará uma demanda de 2,5 bilhões de litros de biodiesel.
Porém, se forem implantadas todas as plantas industriais que estão no papel ou já em construção – são 18 em construção e 32 projetadas – chegaremos em 2010 com uma produção de 3,9 bilhões de litros de biodiesel. As matérias-primas serão soja, girassol, mamona, pinhão-manso, babaçu e dendê. É possível utilizar, ainda, gorduras de origem animal e reaproveitar resíduos das frituras com óleo de cozinha.
Em 2006, o mundo produziu 10 bilhões de litros de biodiesel, e em 2007 a produção saltou para 16,7 bilhões de litros. Os Estados Unidos e a Comunidade Européia foram os destaques. Com 77 indústrias em operação, os Estados Unidos produziram 6,5 bilhões de litros de biodiesel à base de soja. Já a Comunidade Européia produziu 6,9 bilhões de litros em suas 120 plantas que utilizam como matéria-prima a canola (colza). A Alemanha é a maior produtora do bloco europeu, correspondendo a 44% da região, seguida da Itália e França.
O grande desafio para o pleno sucesso do biodiesel é o aumento da produtividade das matérias-primas na lavoura e o rendimento do teor de óleo delas. Atualmente, estima-se uma produção média em torno de 700 litros por hectare, fazendo necessária, para que o biodiesel se torne mais competitivo, uma elevação para acima de dois mil litros por hectare, que é uma combinação entre o volume colhido de matéria-prima por hectare e o teor de óleo.
Pedro Arantes é economista e analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)
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