Nestlé planeja fechar fábricas, eliminar produtos e subir preços
VEVEY, Suíça (Reuters) - A Nestlé, maior companhia alimentícia do mundo, elevará preços, eliminará produtos não-lucrativos e vai racionalizar sua capacidade produtiva com o objetivo de se preparar para um duradouro período de altas dos preços das commodities e da energia.
José Lopez, membro do departamento de administração da companhia suíça, disse à Reuters que o foco do grupo em marcas conhecidas, alimentos saudáveis e nutrição medicinal coloca a empresa em vantagem competitiva, enquanto os preços da energia, dos grãos e do leite sobem junto com a demanda.
A alta global dos preços dos insumos deve elevar a inflação, o que habilitará a Nestlé --dona de marcas como o chocolate KitKat e o café solúvel Nescafé-- a repassar esses custos ao consumidor, disse Lopez em sua primeira entrevista como chefe das operações da gigante mundial.
"Isso poderia provocar uma inflação moderada. E uma inflação moderada não é um mau ambiente para os negócios", disse Lopez. "De todo modo, eu posso comprar melhor porque eu sou maior."
Lopez disse que o grupo trabalhará para cortar algumas linhas de produto que parecem ser menos lucrativas, à luz da alta dos preços das commodities. Mas a medida não afetará nenhuma de suas 27 marcas mais famosas, que geram mais de 1 bilhão de francos suíços em vendas (ou cerca de 830 milhões de dólares). Ele negou-se a dar mais detalhes.
Sob o comando do chefe-executivo Peter Brabeck, a Nestlé cresceu cerca de 5,8 por cento ao ano no período de dez anos encerrado em 2006.
O grupo apresentou um crescimento orgânico --medida da indústria que exclui oscilações de preços e aquisições-- de 6,2 por cento no ano passado, mas alertou que o ritmo de crescimento da lucratividade pode diminuir enquanto tenta repassar aumentos de preços.
Lopez disse que o foco de Brabeck em saúde, bem-estar e nutrição, além da sensibilidade do grupo à crescente demanda por uma produção ambientalmente correta, coloca a Nestlé em uma boa posição para escapar da instabilidade das commodities e navegar à frente dos concorrentes.
Ele negou-se a comentar a aquisição da fabricante de comidas para bebês Numico pelo grupo francês Danone, por 17 bilhões de dólares.
A Nestlé, que recentemente comprou da Novartis a linha de produtos para nutrição infantil Gerber, continua sendo a maior empresa do setor.
Por Thomas Atkins


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