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Para a indústria, subsídio do governo a combustíveis não resolve o petróleo a US$ 100

Embora ajude a conter os impactos mais imediatos nos transportes, em outros segmentos que também dependem o petróleo não recebem o mesmo alívio

Veja Negócios 4 min de leitura

A ampliação dos subsídios à gasolina e o diesel anunciada pelo governo Lula no início deste mês, em meio às novas disparadas no preço do petróleo no mercado internacional, dão um importante alívio aos consumidores que dependem diretamente dos combustíveis para manter seus veículos andando e, principalmente, aos caminhões e outros veículos pesados que movimentam as cargas do país e, por meio dos fretes, acabam transferindo os aumentos de custos para um pouco de tudo na economia do país.

Para a indústria, porém, não é nos combustíveis ou mesmo nos fretes que estão os maiores impactos vindos do petróleo, e a conta bilionária concedida em subvenções pelo governo para amenizar os efeitos do barril caro na economia brasileira acaba tendo impacto limitado para o setor produtivo – o que significa que a inflação pode em breve começar a aparecer em diversos produtos industriais.

“A subvenção não ajuda de forma relevante”, disse em entrevista a VEJA Negócios André Rebelo, diretor de assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Ela se restringe aos combustíveis amplamente usados para transporte, gasolina e diesel. Mas a indústria mal compra gasolina e o diesel é só uma fatia pequena do que ela de fato consome em derivados de petróleo.”

De acordo com ele, o petróleo e seus derivados estão, de fato, presentes de várias maneiras e em todos os setores da indústria, mas usados diretamente como matéria-prima ou como fonte de energia para o processo de produção, nas máquinas e fornos. Gás, nafta, coque, resinas plásticas e fibras sintéticas são apenas alguns dos exemplos de outros derivados de petróleo mencionados por Rebelo que entram diretamenta na produção das fábricas e que, sem subvenções como as dos combustíveis, vão continuar encarecendo junto com o petróleo.

“Os subsídios ajudam a atenuar o impacto, mas não eliminam o choque, já que a alta do petróleo afeta outros derivados que não só os combustíveis e o transporte”, diz também o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Ricardo Alban.

O preço do barril do petróleo voltou a passar dos 100 dólares e continua acima desta marca há duas semanas, conforme a promessa de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã aguou e os ataques no Oriente Médio voltaram a se intensificar e a bloquear parte das exportações que saem dali para abastecer o resto do mundo inteiro. Desde maio isso não acontecia. O conflito teve início em 28 de fevereiro.

Em reação, o governo Lula anunciou em 9 de setembro um novo pacote de desoneração de impostos e de subvenção para a gasolina, o diesel e também o etanol, numa tentativa de evitar que o preço eles também suba. Em apenas um mês, o custo das medidas para os cofres públicos deve ser de 7 bilhões de reais, nas contas do Ministério do Planejamento e Orçamento.

Alban, da CNI, reforça que o consumo de petróleo pela indústria vai bem além dos combustíveis. “Alguns setores consomem mais petróleo e derivados e ficam mais expostos”, diz. “Entre eles estão o refino de petróleo, os minerais não metálicos (como cimento e vidro), siderurgia, química, celulose, alimentos, borracha e plásticos.”

A conta da Fiesp, de acordo com Rebelo, é de que, para um aumento de 10% no preço do barril do petróleo, os preços ao produtor industrial tendem a ter um aumento de 2 pontos percentuais, em média. Na comparação com junho, quando o preço do barril chegou a arrefecer até os 70 dólares, a volta do preço para mais de 100 dólares significa um aumento da ordem de 40%. “Se o petróleo permanecer elevado, aumenta a possibilidade de novos repasses, pressionando margens ou preços, dependendo da capacidade de cada empresa de absorver ou repassar os custos”, acrescentou Alban, da CNI.
 

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